domingo, 21 de dezembro de 2014

O  MAIOR  PRESENTE
Que  a  Humanidade  Recebeu




A RAZÃO PELA QUAL A SUA VIDA ETERNA DEPENDE DE JESUS

Será o Cristianismo Arrogante ao Afirmar Ser o Único Caminho Para o Céu?
Ou Será Realmente o Garante da Vida Eterna?

Ao longo dos últimos dois mil anos, as pessoas têm discutido acerca da importância de Jesus de Nazaré.
Para alguns, ele não é mais do que um revolucionário social, que morreu por causa das Suas ideias. Para outros, Jesus é, simplesmente, um líder religioso na mesma categoria de Maomé ou de Buda. Para muitos, Jesus não passa de um herói de um conto de fadas cristão.
Não é de surpreender que, hoje em dia, as pessoas tenham ideias tão díspares acerca do Mestre da Galileia. Já quando Ele vivia na Terra, os homens e mulheres tinham posições divergentes sobre Ele por isso podemos imaginar a enorme variedade de opiniões que existe, hoje, acerca d'Ele, agora que já não está entre nós em forma visível.
Certa vez, Jesus perguntou aos Seus discípulos mais chegados:
"Quem dizem os homens ser o Filho do homem?"
Eles responderam: "Uns dizem que és João Baptista; outros, que és Elias, e outros ainda, Jeremias ou um dos profetas."
Em seguida, Jesus fez-lhes uma pergunta mais pessoal: "E vocês? Quem dizem vocês que Eu sou?"
É então que Pedro faz a sua notável declaração: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo."1

Quem era Jesus? Precisamos de compreender quem Ele era, porque a nossa salvação eterna depende da correta compreensão da Sua identidade.


DEUS EM CARNE HUMANA

O 1º versículo do evangelho de João diz-nos: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus." Depois, João acrescenta: "O Verbo Se fez carne e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, como a glória do unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade."2

Para nos salvar, Jesus tinha de ser completamente divino, completamente humano e completamente santo. Vejamos as razões para isso:

A Bíblia diz-nos que todos os seres humanos pecaram e estão condenados à morte. "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus"3, afirma Paulo na sua epístola, e depois acrescenta: "O salário do pecado é a morte."4
No Jardim do Éden, vemos o Deus Criador a partilhar a Sua vida com os seres humanos. A vida não pertencia a Adão e Eva. Eles eram apenas administradores da vida que Deus lhes tinha confiado. A sua vida seria uma vida de dependência. Dependência de quê? Dependência da sua fidelidade ao Deus da vida. Eles deviam revelar a sua fidelidade através da obediência à ordem divina de não tocarem na árvore da ciência do bem e do mal.
Deus estabeleceu este princípio: obediência é vida; desobediência é morte. Infelizmente, Adão e Eva desobedeceram - e a morte foi a consequência natural.
- Lúcifer, o inimigo, observava para ver o que Deus faria relativamente ao destino de Adão e Eva. Se Deus lhes perdoasse, o inimigo acusaria: 'A Tua palavra não tem valor, porque ignoras o princípio, feito por Ti mesmo, de que a desobediência provoca a morte.'
- Por outro lado, se Deus deixasse Adão e Eva sofrerem as consequências da sua desobediência, o inimigo tinha outra acusação preparada: 'Deus, Tu não és justo. Deste a esses pobres seres humanos uma lei que eles não podiam obedecer. Vais deixá-los morrer só porque comeram o fruto da árvore proibida?'

Está a ver o dilema divino? De que modo poderia Deus salvar os seres humanos sem dar razão às acusações do inimigo? E a situação envolvia muito mais do que as acusações de um rebelde. Envolvia todo o Universo. Lúcifer tinha acusado Deus de ser injusto, e um terço dos anjos tinha-se colocado do seu lado.5 Todos os seres celestes estavam ansiosos e na expectativa. Dar-se-ia o caso de Lúcifer ter razão e Deus estar errado? Por isso, a forma de Deus lidar com Adão e Eva depois da sua desobediência era um assunto que importava a todo o Universo. Como é que eles poderiam ser salvos da sentença de morte? Quem poderia ser o seu Salvador?


QUALIDADES DE UM SALVADOR EFICAZ

Ser Completamente Divino - era a 1ª qualidade que um Salvador deveria ter.

Deveria ter vida em Si mesmo. Deveria ser o Senhor da vida, de maneira a poder dar vida a outros. Os seres criados não são uma fonte de vida, mas recebem-na somente do Criador. Uma vez que os anjos e os seres humanos são seres criados, não podem ser salvadores.

Ser Completamente Humano - mas sem pecado, era a 2ª qualidade do Salvador.

O pecado tinha aberto uma brecha entre Deus e o homem. Lembre-se de que, antes do pecado, Adão e Eva podiam comunicar com Deus face a face. Depois da sua desobediência, Adão e Eva esconderam-se de Deus. "E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e escondeu-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim."6
Era necessário que Deus Se tornasse humano, que Ele pusesse de lado a Sua divindade, para que pudesse alcançar a humanidade. O apóstolo João descreve isso da maneira seguinte: "O Verbo Se fez carne e habitou entre nós."7
O Salvador do mundo tinha que ser humano e sem pecado, para poder passar o teste que Adão falhou e demonstrar que a obediência é possível. Então, o inimigo já não teria mais bases para acusar Deus de injustiça ou para argumentar que Deus não compreendia os seres humanos.
Este é um dos aspectos do amor de Jesus que nos dá mais segurança. Não há nada que possamos sentir ou viver com que Ele não Se possa identificar. Ele colocou-Se a Si mesmo no nosso lugar: por vezes, sentiu-Se rejeitado, incompreendido e traído. Na cruz do Calvário, Jesus exclamou: "Deus meu, Deus meu, porque Me desamparaste?"8 Deus não O tinha abandonado, mas a humanidade de Jesus impedia que Ele visse a presença do Pai no meio das negras nuvens de dor, de angústia e solidão. Por isso, Ele pode entender quando, no momento de maior sofrimento, por vezes chegamos a acusá-l'O de nos abandonar.
O autor de Hebreus afirma que agora podemos ir a Jesus sem temor: "Porque não temos um Sumo Sacerdote que não possa compadecer-Se das nossas fraquezas, porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemo-nos, pois, com confiança, ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno."9

Jesus Compreende-nos! Como Poderia Ele Não Nos Entender, Depois De Ter Vivido Entre Nós, Plenamente Humano?

Se, nalgum momento, se sentiu traído e abandonado pelos seus melhores amigos, lembre-se de Jesus, sozinho no Calvário. Os Seus melhores amigos, as pessoas em quem Ele mais confiava, tinham fugido. Se alguma vez sentir que as pessoas se estão a aproveitar de si, que o mundo inteiro olha para si, mas só à espera de receber alguma coisa, então pense em Jesus que, depois de realizar o milagre dos pães e dos peixes, foi seguido por uma multidão. Mas, quando deixou de multiplicar o pão e o peixe, foi abandonado. Não acha que Ele o pode entender?


O SEGREDO DA VITÓRIA

Já experimentou a vitória na sua vida? Por vezes, as pessoas dizem-me: "Não importa o quanto eu use a minha força de vontade, sou vencido pelo inimigo. É impossível viver a vida cristã que a Bíblia ensina."
Felizmente, a vitória é possível! Mas não será conseguida por esforço humano. Antes de Jesus voltar para o Céu, avisou os Seus discípulos: "Estai em Mim e Eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em Mim. Eu sou a videira, vós as varas; quem está em Mim, e Eu nele, esse dá muito fruto; porque, sem Mim, nada podeis fazer."10
Esse é o segredo: Sem Jesus nada podemos fazer. Paulo afirma essa mesma verdade de maneira diferente: "Tudo posso n'Aquele que me fortalece."11

Que Maravilhoso É Saber Que Jesus É Um Salvador Que Nos Compreende
E Que Nos Pode Dar A Vitória.

***  JESUS  DE  NAZARÉ  ***


Referências:
1 - Mateus 16:13-16; 2 - João 1:1, 14; 3 - Romanos 3:23; 4 - Romanos 6:23; 5 - Apocalipse 12:3, 4, 9; 6 - Génesis 3:8, 9; 7 - João 1:14; 8 - Mateus 27:46; 9 - Hebreus 4:15, 16; 10 - João 15:4, 5; 11 - Filipenses 4:13.

Alejandro Bullón (Ministério Bullón, 1R) in Sinais dos Tempos, 3º Trim. 2006.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

1 - Factos a Considerar Acerca do Vinho no
NOVO TESTAMENTO


Muitos cristãos sinceros crêem que nada está intrinsecamente mal no uso moderado de bebidas alcoólicas. Afinal, dizem eles, Cristo fez vinho fermentado nas bodas de Caná; aprovou o álcool na parábola do vinho novo em odres novos; admitiu que usava álcool ao descrever o seu estilo de vida («come e bebe»); e ordenou o seu uso até ao fim do tempo quando instituiu o cálix da Ceia do Senhor. Sem rodeios, estes cristãos sentem que: «se Jesus bebia vinho, também eu o posso beber»!
Dado que o exemplo e os ensinos de Jesus são normativos para a crença e a prática cristãs, examinemos brevemente estes episódios e ensinos de Jesus relacionados com o vinho.


AS BODAS DE CANÁ

O «vinho bom» que Jesus fez em Caná (João 2:10) era «bom» devido ao elevado teor alcoólico? Muitos cristãos assim o crêem, baseados em 3 pressupostos:
1º - Supõem que os judeus não sabiam como impedir que o sumo de uva fermentasse naturalmente com o tempo. Dado que as bodas ocorreram logo antes da festa da Páscoa (ver João 2:13), isto é, 6 meses depois das vindimas, concluem que o vinho usado em Caná deve ter sido fermentado.
2º - Supõem que quando o mestre-sala descreveu o vinho provido por Jesus como o «melhor» (João 2:10, NIV), ele se refere a um vinho alcoólico de alta qualidade.
3º - Supõem que quando o mestre-sala fala de convivas que «já têm bebido bem» (João 2:10), quer dizer que estavam intoxicados por um uso excessivo de um vinho fermentado.
Consequentemente, argumenta-se, o vinho que Jesus fez deve ter sido fermentado.

Examinemos cada uma destas três suposições:

A - Sabia-se no tempo de Jesus como impedir que o sumo de uva fermentasse? Testemunhos do mundo romano do tempo do Novo Testamento descrevem vários métodos para preservar o sumo de uva. Na realidade, a preservação do sumo de uva não fermentado era sob alguns aspectos um processo mais simples do que a preservação do vinho fermentado. Assim, não há necessidade de supor que o «vinho» usado nas bodas de Caná tinha de ser fermentado pela simples razão de as bodas ocorrerem perto da época da Páscoa, alguns meses depois das vindimas. O sumo de uva podia ser conservado sem fermentar durante todo o ano.

B - A 2ª suposição é baseada no gosto dos bebedores do século 20 que definem o vinho como sendo «bom» em proporção do seu teor alcoólico. Mas isso não era necessariamente verdade no mundo romano do Novo Testamento em que os melhores vinhos eram aqueles cuja potência alcoólica tinha sido removida por meio de fervura ou filtragem. Plínio, por exemplo, diz que «os vinhos são utilíssimos quando toda a sua potência foi removida pela filtragem». 1
Semelhantemente, Plutarco afirma que o vinho é «muito mais agradável para beber» quando «nem inflama o cérebro nem infesta a mente ou as paixões» 2 porque a sua força foi removida por meio de frequente filtragem.
O Talmud proíbe beber álcool ao som de instrumentos musicais em ocasiões festivas como as bodas. 3 Esta proibição é confirmada pelo testemunho ulterior dos rabis. Por exemplo, S. M. Isaac, um eminente rabi do século 19 e editor de The Jewish Messenger, diz: «Os Judeus, nas suas festas de carácter sagrado, incluindo a festa de casamento, nunca usam espécie alguma de bebidas fermentadas. Nas suas oblações e libações, tanto privadas como públicas, empregam o fruto da vide – isto é, uvas maduras, sumo de uva não fermentado, e passas de uva, como símbolo de bênção. A fermentação para eles é sempre um símbolo de corrupção». 4 Embora as fontes judaicas não sejam unânimes sobre a espécie de vinho que deve ser usado nas festas sagradas, a afirmação do rabi Isaac indica que alguns Judeus recusavam permitir vinho fermentado nas festas de casamento.

C - Os que crêem que as palavras «quando já têm bebido bem» (João 2:10) indicam que os hóspedes das bodas estavam intoxicados e que assim o «bom vinho» fornecido por Cristo deve também ter sido intoxicante, interpretam e aplicam mal o comentário do mestre-sala – e passam por alto o uso mais amplo do verbo. O comentário não se refere especificamente aos participantes das bodas de Caná, mas à prática geral entre os que dirigem festas: «Todo o homem põe primeiro o vinho bom; e quando já têm bebido bem, então o inferior» (João 2:10). Esta observação refere-se ao costume de um mestre-sala alugado e não ao estado de intoxicação de um grupo particular.
O verbo grego, methusco, traduzido nalgumas versões por embriagar-se pode também significar «beber bem», «beber à vontade», sem qualquer implicação de intoxicação. No Theological Dictionary of the New Testament, Herbert Preisker observa que «methuskomai é usado sem qualquer conotação ética ou religiosa em João 2:10 em relação com a regra de que o vinho inferior é servido apenas quando os hóspedes já têm bebido bem». 5
A expressão «têm bebido bem», em João 2:10, é usada no sentido de saciedade. Refere-se simplesmente à grande quantidade de vinho consumido num banquete, sem qualquer referência aos seus efeitos intoxicantes.

Os que insistem que o vinho usado nas bodas era alcoólico e que Jesus também forneceu uma grande quantidade de vinho intoxicante, são levados à conclusão de que Ele assim fez para que os que participavam nas bodas pudessem continuar a satisfazer o seu desregrado apetite. Não destruiria isso a integridade moral do carácter de Cristo?
A coerência moral exige que Cristo não podia ter miraculosamente produzido cerca de 500 litros de vinho intoxicante para ser usado por homens, mulheres e crianças reunidos nas bodas sem se tornar moralmente responsável pela sua intoxicação?


O que Cristo produziu foi sumo de uva fresco, não fermentado. O próprio adjectivo que João usa para o descrever, kalos, denota o que é moralmente excelente, em vez de agathos, que significa simplesmente bom.
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VINHO NOVO EM ODRES NOVOS

Os que crêem num uso moderado de álcool aduzem a declaração de Cristo de que «o vinho novo deve deitar-se em odres novos» (Lucas 5:38; Mateus 9:17; Marcos 2:22). «Vinho novo», dizem eles que deve denotar vinho recentemente prensado mas já num estado de fermentação activa. Jesus disse que esse vinho só podia ser posto em odres novos porque odres velhos romper-se-iam sob tal pressão.
Esta interpretação popular está baseada na imaginação, mas não nos factos. Os que estão familiarizados com a pressão causada pela fermentação produtora de gás sabem que nenhum recipiente, quer de pele quer de vidro pode resistir à pressão do vinho novo em fermentação. Como observa Alexander B. Bruce, «Jesus não estava a pensar de maneira alguma em vinho fermentado, intoxicante, mas em mosto, uma bebida não intoxicante, que podia ser conservado com segurança em odres novos, mas não em odres velhos que já tinham contido vinho ordinário, porque as partículas de matéria albuminóide aderentes ao odre causariam fermentação e desenvolveriam gás com uma enorme pressão». 7
O único «vinho novo» que podia ser armazenado em odres novos era o mosto depois de ter sido filtrado ou fervido. Columella, o célebre agriculturista romano contemporâneo dos apóstolos, confirma que «uma ânfora de vinho novo» era usada para conservar mosto recente num estado não fermentado: «Para que o mosto possa permanecer sempre doce como se fosse recente fazei assim: Antes de o bagaço ser espremido, tomai da tina algum mosto do mais fresco possível e ponde-o numa ânfora nova (amphoram novam) de vinho, e em seguida pintai-a toscamente e cobri-a cuidadosamente com pez, para que assim nenhuma água seja capaz de penetrar». 8

Esta interpretação é ainda confirmada pelo sentido simbólico das palavras de Cristo. A imagem do vinho novo em odres novos é uma parábola da regeneração Como Ernest Gordon explica, «os odres velhos, com as suas borras alcoólicas, representavam a natureza corrupta dos fariseus. O vinho novo do evangelho não podia ser posto neles. Eles o fermentariam. 'Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento.' Os últimos pela sua conversão tornavam-se novos vasos, capazes de reter o novo vinho sem o estragar (Marcos 2:15-17, 22). Assim, comparando o vinho intoxicante com o fariseísmo degenerado, Cristo claramente deixou entender qual era a Sua opinião acerca do vinho intoxicante». 9
Gordon continua: «Será bom notar como nesta ilustração casual, Ele (Cristo) identifica inteiramente o vinho, com o vinho não fermentado. Nenhum reconhecimento é dado ao vinho fermentado. Podia ser posto em qualquer espécie de odre, por mais desprezível e corrompível que fosse. Mas o vinho novo é como pano novo que é bom demais para ser usado como remendos. É algo de puro e saudável, requerendo um recipiente limpo.
A maneira natural como esta ilustração é usada sugere pelo menos uma compreensão geral e corrente por parte dos Seus ouvintes judeus de que o verdadeiro fruto da vide, o bom vinho, não era fermentado». 10


ERA JESUS UM COMILÃO E BEBEDOR DE VINHO?

Respondendo a acusações dos dirigentes religiosos do Seu tempo, Jesus disse: «Veio João Baptista, que não comia nem bebia vinho, e dizeis: Tem demónio; veio o Filho do homem, que come e bebe, e dizeis: Eis aí um homem comilão e bebedor de vinho» (Lucas 7:33, 34). Alguns crêem que a descrição feita por Jesus do Seu estilo de vida como «comendo e bebendo» significa que Ele abertamente admitia que usava vinho alcoólico. Além disso, argumenta-se, Jesus deve ter bebido vinho alcoólico para os Seus críticos O acusarem de ser um «bebedor de vinho».
Esta interpretação ignora várias considerações importantes. Jesus usou idiomaticamente a frase «que come e bebe» para descrever a diferença entre o Seu estilo de vida social e o de João Baptista. Veio João, que «não comia pão nem bebia vinho», mas de Si próprio, Ele simplesmente disse: «Veio o Filho do homem, que come e bebe». Se Jesus tivesse desejado tornar claro que, ao contrário de João Baptista, ele era um bebedor de vinho, podia ter repetido a palavra vinho para ênfase e clareza.

Inferir que Jesus deve ter bebido vinho por os Seus críticos O acusarem de ser um «bebedor de vinho» significa aceitar como verdade a palavra dos Seus inimigos. Em duas outras ocasiões os críticos acusaram Jesus, dizendo: Tens demónio» (João 7:20; 8:48). Se cremos que Jesus deve ter bebido vinho alcoólico pelo facto de os Seus críticos O acusarem de ser um bebedor de vinho, devemos também crer que Ele tinha um espírito mau pelo facto de os Seus críticos O terem acusado de ter demónio. O absurdo de tal maneira de pensar mostra que o usar acusações de críticos não é uma base segura para definir ensinos bíblicos. Os resultados da vida de abnegação de Jesus falam por si mesmos.







O VINHO DA COMUNHÃO

Na Última Ceia, Cristo não só usou «vinho», mas mandou mesmo que ele fosse usado até ao fim do tempo, como memorial do Seu sangue redentor (ver Mateus 26:28, 29: Marcos 14:24, 25). Muitos crêem que o vinho usado na Última Ceia era alcoólico por 2 razões principais: (1) – a frase «fruto da vide» era alegadamente o equivalente funcional de vinho fermentado, e (2) - supõe-se que os Judeus usavam apenas vinho fermentado na Páscoa.
Estas crenças são desacreditadas por diversas considerações importantes.

A linguagem da Última Ceia é significativa. Em todos os 3 evangelhos sinópticos Jesus chama ao conteúdo do copo «o fruto da vide» (Mateus 26:29; Marcos 14:25; Lucas 22:18). A palavra «fruto», gennema, denota o que é produzido num estado natural, exactamente como é colhido. O vinho fermentado não é o «fruto da vide» natural mas o fruto não natural de fermentação e alteração. O historiador judeu Josefo, que era contemporâneo dos apóstolos, explicitamente chama aos 3 cachos espremidos numa taça pelo copeiro-mor de Faraó «o fruto da vide». 11 Vemos pois que a frase era usada para designar o suave e doce sumo da uva.
Se o copo na Última Ceia contivesse vinho alcoólico, dificilmente podia ter Cristo dito: «Bebei dele todos» (Mateus 26:27; cf. Marcos 14:23; Lucas 22:17), especialmente tendo em vista que um típico copo de vinho da Páscoa não continha apenas uma amostra, mas cerca de 4 decilitros 12. Cristo dificilmente podia ter mandado a «todos» os Seus discípulos ao longo dos séculos que bebessem do copo se ele continha vinho alcoólico. Há alguns para quem o álcool sob qualquer forma é prejudicial. Jovens, crianças que participam na mesa do Senhor não deviam certamente tocar em vinho. Há pessoas para quem o simples gosto ou cheiro do álcool desperta nelas o desejo ardente de álcool.
Podia Cristo, que nos ensinou a orar «não nos induzas à tentação», ter feito da Sua mesa comemorativa um lugar de irresistível tentação para alguns e de perigo para outros? O vinho da Ceia do Senhor nunca pode ser tomado livre e festivamente sempre que seja alcoólico e intoxicante.

A lei mosaica fornece outra prova em favor da natureza não fermentada do vinho da comunhão. A lei prescrevia durante a festa da Páscoa a exclusão de tudo quanto fosse fermentado (ver Êxodo 12:15; 13:6,7). O fermento, para Cristo, representava natureza e ensinos corruptos (ver Mateus 16:6). A coerência e beleza do copo como símbolo do Seu sangue derramado não pode ser adequadamente representada por vinho fermentado, que simboliza na Escritura a depravidade humana e a indignação divina.
Podemos conceber Cristo curvando-Se para abençoar em grata oração um copo contendo vinho alcoólico para o qual somos aconselhados nas Escrituras a nem sequer olhar (ver Provérbios 23:31)? Um copo que intoxica é um copo de maldição e não «o copo de bênção» (1 Coríntios 10:16); é o «copo de demónios» e não o «copo do Senhor» (1 Coríntios 10:21); é um copo que não pode adequadamente simbolizar o incorruptível e «precioso sangue de Cristo» (1 Pedro 1:18, 19). É pois razoável crer que o copo que Ele «abençoou» e deu aos Seus discípulos não continha qualquer coisa fermentada, proibida pela Escritura.

O testemunho histórico, tanto judeu como cristão apoia o uso do vinho não fermentado na Páscoa e na Ceia do Senhor. Luís Ginzberg (1873-1941), durante quase 40 anos presidente do departamento de Estudos Talmúdicos e Rabínicos no Seminário Teológico Judaico da América, apresenta uma análise exaustiva de referências talmúdicas ao uso do vinho nas cerimónias religiosas judaicas. Ele conclui a sua investigação dizendo: «Temos assim provado com base nas principais passagens tanto do Talmud Babilónico como do de Jerusalém que vinho não fermentado pode ser usado lekatehillah (opcionalmente) para o kiddush (a consagração de uma festa por um copo de vinho) e outras cerimónias religiosas fora do templo. 13
A conclusão de Ginzberg é confirmada por The Jewish Encyclopedia. Comentando a Última Ceia, diz: «Parece que na noite de 5ª feira na última semana da Sua vida, Jesus com os Seus discípulos entrou em Jerusalém para comer com eles a refeição da Páscoa na cidade sagrada; se assim foi, a hóstia e o vinho da missa ou o serviço da comunhão, então instituído por Ele como um memorial, devia ser o pão não fermentado e o vinho não fermentado do serviço Seder (ceia pascal)». 14
Assim parece razoável concluir que «o fruto da vide»’ que Jesus mandou usar como memorial do Seu sangue redentor não era fermentado. Nas Escrituras, a fermentação representa corrupção humana e indignação divina, mas o puro e não fermentado sumo da uva seria um adequado emblema do imaculado sangue de Cristo derramado para a remissão dos nossos pecados.

CONCLUSÃO

A pretensão de que Cristo usou e sancionou o uso de bebidas alcoólicas não tem pois razão de ser. A evidência da Escritura, da história e da linguagem indica que Jesus Se absteve de todas as substâncias intoxicantes e não sancionou o uso delas pelos Seus seguidores.

Samuele Bacchiocchi, professor de História Eclesiástica e de Teologia na Andrews University, Berrien Springs, Michigan, EUA in Revista Sinais dos Tempos, nº 37, 1991.
(Leia a parte 2 deste artigo em Leituras para a Vida, Links 1R, 24.11.2014)





REFERÊNCIAS:

1. Plínio, História Natural 23, 24, tra. ingl. de W.H.S.Jones, The Loeb Classical Library (Cmabridge, Massachusetts, 1961); 2. Plutarco, Symposiac 8,7; 3. Ver Sotah 48ª; também Mishna Sotah 9.11; 4. Citado em William Paton, Bible Wines: Laws of Fermentation (Oaklahoma City, s.d.), pág. 83; 5. Theological Dictionary of the New Testament, s. v. «Methe, methuo, methuskoni»; 6. «Deve observar-se», nota Leon C. Field, «que o adjectivo para descrever o vinho feito por Cristo, não é agathos, bom, simplesmente, mas Kalos, o que é moralmente excelente ou conveniente». (Oinos: A Discussion of the Bible Wine Question, New York, 1883, pág. 57); 7. Alexander Balman Bruce, «The Synoptic Gospels», in The Expositor's Greek Testament (Grand Rapids, 1956), pág. 500; 8. Columella, Sobre a Agricultura 12, 29; 9. Ernest Gordon, Christ, the Apostles, and Wine. na Exegetical Study (Philadelphia, 1947), pág. 20; 10. Ibid., pág. 21; 11. Josefo, Antiguidades dos Judeus 2, 5, 2; 12. Segundo J. B. Lighfoot, cada um dos quatro copos da Páscoa continha «não menos doq eu a quarta parte de um quarto de um hin, além da água misturada com ele» (The Temple servisse and the Prospect of the Temple, London, 1833, pág. 151). Um hin continha doze pints ingleses (pint = 0,568 l) de maneira que os quatro copos correspondiam a três quartos de um pint cada um; 13. Louis Ginzberg, «A Response to the Question Whether Unfermented Wine May Be Used in Jewish Ceremonies», American Jewish Year Book 1923, pág. 414; 14. The Jewish Encyclopedia, ed. de 1904, s.v. «Jesus».

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O  Século  Mais  Sanguinolento  da  História


("Num discurso na ONU, o primeiro-ministro de Israel afirma que 'as profecias bíblicas estão se cumprindo nos nossos dias.'" Dan Martins em 6 de outubro de 2013 in Gnoticias - Home Capa, Internacional.)

Imaginamos ter entrado num período de paz, mas as guerras não cessam, escreve o vice-almirante Gene LaRocque, director do Centro para Informação de Defesa, num instituto de pesquisa com sede em Washington, D. C., nos Estados Unidos. 35 milhões de pessoas já morreram como resultado de guerras desde 1945. Segundo esse instituto, o número de pessoas que morreram em hostilidades desde a Segunda Guerra Mundial é igual ao número de mortos durante aquela que foi a mais mortífera de todas as guerras. A informação é tão chocante que apareceu na 1ª página dos grandes jornais do mundo.

Se a guerra entre as grandes potências tem sido evitada pelo argumento dissuasivo das armas nucleares, o mesmo não ocorre entre os países do Terceiro Mundo. Cerca de 40 guerras estão sendo travadas, em maior ou menor escala em 164 países. Curioso é que em 1986, o chamado Ano Internacional da Paz, as despesas militares no globo atingiram 900 biliões de dólares. Enquanto a fome alastra nos países subdesenvolvidos, como a Etiópia, Sudão, Moçambique, Bangladesh e Índia, em 20 anos o Terceiro Mundo gastou 233 biliões de dólares em armamentos, calculando ao preço de 1986. Cerca de 1 milhão e meio de pessoas perderam a vida na guerra Bangladesh/Paquistão em 1971. Na Nigéria, 2 milhões morreram durante a guerra civil travada entre a população de Biafra e o governo central. Entre 1945 e 1975, quase 3 milhões morreram no Vietnam, e quase o mesmo número perdeu a vida na Coreia entre 1950 e 1953. No conflito entre o Irão e o Iraque, que se prolonga por mais de 7 anos, calcula-se que 1 milhão e 200 mil pessoas já pereceram.

UM MILHÃO DE MORTOS POR ANO

Contrariando a expectativa de sociólogos optimistas que diziam estar o mundo em evolução, rumo a um nível de concórdia mundial, o século XX demonstrou-se o mais sanguinolento de todos. Em média, 1 milhão de pessoas têm morrido por ano vitimadas por guerras grandes e pequenas.
Andrew Mack, do Instituto de Pesquisa para a Paz, com sede na Austrália, comenta: "A ideia napoleónica de envolver toda a nação nos conflitos tem sido levada um passo à frente. Nas guerrilhas do tipo desenvolvido no Afeganistão e no Perú, toda a a população participa no esforço bélico. Como resultado, aumenta o número de civis que morrem, porque a distinção entre civis e combatentes desapareceu.
Houve grande expectativa em torno do acordo assinado entre a União Soviética e os Estados Unidos com o propósito de eliminar os mísseis nucleares de médio alcance do cenário europeu. A maior parte dos estadistas saudou esse êxito diplomático como evidência de que um futuro melhor se abre para a humanidade. A euforia é grande nos círculos políticos, principalmente nos países da europa que vivam sob a ameaça de uma guerra nuclear, e de novo o mundo corre o risco de se deixar enganar com o slogan "Paz e Segurança", como se estivéssemos ao ponto de entrar numa nova era de entendimento e cordialidade entre as nações. Mas o apóstolo Paulo descrevendo as condições que precederiam a 2ª vinda de Cristo, adverte-nos: "Quando andarem dizendo: ‘Paz e Segurança’, eis que lhes sobrevirá repentina destruição." I Tessalonicenses 5:3.

MAIS GUERRA QUE PAZ

A história da humanidade demonstra que, sem dúvida, a guerra é a condição normal da sociedade e não a paz. Como diz D. R. Davies no seu livro Secular Illusion or Christian Realism, pág. 16, "Quanto mais civilizado o homem se torna, tanto mais belicoso ele se torna, e - um ponto de importância decisiva - tanto mais destrutiva, desumana e imoral se torna a guerra". Davies argumenta que a guerra não é devida à sobrevivência no homem de instintos animais. Os animais não fazem guerra entre si. Montaigne tinha razão: "A guerra é uma característica específica da espécie humana." É uma manifestação brutal do egoísmo humano que não encontra paralelo no mundo animal.
O Professor Pitrim SoroKin, da Universidade de Harvard, cita G. Valbert como autoridade para a afirmação de que "do ano 1494 A.C. até ao ano 1861 D. C., em 3 359 anos, houve 227 anos de paz e 3 358 anos de guerra, ou treze anos de guerra para cada ano de paz." A mesma fonte assevera que "do ano 1 500 A.C. ao ano de 1860 D.C., foram concluídos mais de 8 mil tratados de paz, dos quais se esperava que estivessem em vigor para sempre. O tempo médio que vigoraram, no entanto, foi de 2 anos". Outro estudo sério mostra que desde o ano 1100, a Inglaterra esteve metade do tempo envolvida em guerras de vários tipos - basta lembrar a Guerra dos Cem Anos -, a França quase metade do tempo, a Áustria- Hungria três quartos, a Rússia três quartos, etc.
Em vista disso, como podem os estadistas nutrir qualquer optimismo em relação ao futuro? Se na média, tratados perpétuos de paz não vigoraram mais do que 2 anos, que nos autoriza supor que os novos acordos entre as grandes potências serão mais duradouros?
O realismo cristão, de que escreve D. R. Davies, não permite iludir-nos com falsas esperanças de uma paz permanente. Sabendo o que a natureza humana é, uma natureza em revolta contra Deus, a única certeza que temos é que guerras continuarão a conturbar o nosso velho mundo. E quanto maior o avanço tecnológico das nações tanto mais destrutivas serão tais guerras. Haja vista a última guerra mundial, quando a bomba atómica foi usada pela 1ª vez, ou o uso do napalm na Guerra do Vietman. O avanço tecnológico em nada altera a natureza essencial do ser humano.
A ÚNICA ESPERANÇA


O profeta Isaías descreve essa luta permanente entre os povos por um lugar debaixo do Sol, em termos sombrios: "Ai do bramido dos grandes povos que bramam como bramam os mares, e do rugido das nações que rugem como rugem as impetuosas águas. Rugirão as nações como rugem as muitas águas, mas Deus as repreenderá." Isaías 17:12, 13. PAZ VERDADEIRA só haverá quando for inaugurado o reino messiânico de nosso Senhor Jesus Cristo. "Ele julgará entre os povos, e corrigirá muitas nações; estes converterão as suas espadas em relhas de arado, e suas lanças em podadeiras: uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra." Isaías 2:4.
Já o profeta Jeremias perguntava com ironia: "Pode acaso o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal?" Jeremias 13:23. Sob o impulso de uma natureza corrompida pelo pecado, o homem marcha inexoravelmente para a sua destruição, a menos que Deus intervenha. Quando o homem se encontrar num total impasse tanto no plano moral, como no social e militar, e estiver demonstrada a sua incapacidade de governar o mundo sem o auxílio divino, Deus intervirá para estabelecer o Seu reino, em que habita a justiça.
A única esperança de uma mudança radical jaz na regeneração do velho homem pela operação do Espírito de Deus. Dela falava Jesus ao responder a Nicodemos: "Em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." João 3:3. O homem nascido de novo é liberto do seu egoísmo natural, para abraçar a vontade de Deus. Reconciliado com Ele, experimenta verdadeira paz e pode viver em paz com o seu próximo.

S. J. Schwantes, Teólogo, Pastor e "um grande Pensador", Autor de vários livros e artigos, in Sinais dos Tempos, Revista Trimestral da Publicadora SerVir, Ano IX, N.º 27, 1988.

"E Quero Junto a Você, Lá no Céu, Conversar com Jesus" - E.E.


Pode ler as lições 7 - "Veremos Jesus" - e 8 - "Quando Jesus Voltará" - do Curso Bíblico, em 1R ou http://www.curso-biblico.blogspot.pt - e recorde o que a Bíblia nos garante sobre a volta de Jesus. Que majestoso vai ser!

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

DIA MUNDIAL DO CORAÇÃO


(Lindas Meditações da Publicadora SerVir. Parabéns!)

TRANSPLANTE DE CORAÇÃO
         "E tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne." Ezequiel 11:19.


É candidato a uma cirurgia de transplante de coração? De acordo com a Associação Americana de Cardiologia, um transplante de coração é indicado a uma pessoa que tem um coração danificado e está em risco de vida. Pode ser cada um de nós. Os dados mais recentes mostram que, nos Estados Unidos, mais de 2000 pessoas fazem transplante de coração todos os anos (3500 a nível mundial), e as hipóteses de sobrevivência a longo prazo rondam os 70 por cento.
Lembro-me bem da primeira cirurgia de transplante de coração que foi realizada. O mundo susteve a respiração, e todos os olhos se fixaram em Cape Town, África do Sul, no dia 3 de dezembro de 1967, quando Christiaan Barnard e a sua equipa de 30 médicos retiraram o coração de Denise Darvall, que, no dia anterior, tinha morrido atropelada ao atravessar a rua. O seu coração foi ligado às artérias e veias principais no peito de Louis Washkansky, um merceeiro de 55 anos que sofria de uma doença cardíaca incurável. Ele viveu durante 18 dias, mas acabou por morrer com uma pneumonia causada pelos medicamentos imunossupressivos. Imediatamente, muitos disseram: "Viram? Não é possível fazer. O coração é algo sagrado." Pouco mais de um ano depois, Philip Blaiberg recebeu um novo coração e viveu 19 meses. No ano seguinte Dorothy Fisher recebeu um novo coração e viveu 12 anos e meio. Depois, passados dois anos, Dirk van Zyl submeteu-se a um transplante de coração que lhe deu 23 anos de vida. Hoje, os transplantes de coração são comuns e são feitos em muitos centros cardíacos em todo o mundo. Graças aos novos medicamentos imunossupressivos e às novas técnicas, o nível de sobrevivência tem vindo constantemente a aumentar.
Normalmente, o coração tem de ser parado para se poder trabalhar nele. Os cirurgiões precisam de ter mão firme e hábil para fazerem o trabalho incrívelmente preciso que é requerido. Mas, já li relatórios de robots controlados por computadores guiados por imagens em 3D que são capazes de fazer reparações externas do coração enquanto estes batem. As câmaras detetam os movimentos cardíacos. Os robots seguem instantaneamente esse movimento e são capazes de realizar cirurgias microvasculares delicadas numa mosca!
A realidade é que todos nós temos corações danificados, e estamos todos em risco de morrer (Jeremias 17:9 e 10; Salmo 51:10). As boas notícias são que o nosso cirurgião cardíaco tem um coração de um dador para nós, e a sua sobrevivência a longo termo tem uma taxa de sucesso de 100 por cento. Porque não dar-Lhe o nosso velho coração agora mesmo?
Senhor, embora eu seja incapaz de compreender toda a extensão do Teu amor, que Te leva a transplantar o Teu próprio coração de amor no meu fraco corpo, agradeço-Te e honro-Te por isso. Que eu possa, hoje, amar os outros com o Teu coração.

STRESSE

Era um daqueles dias! A agenda não tinha uma única linha vazia: uma apresentação importante para a reunião da comissão logo de manhã; encontros com estudantes; uma reunião difícil, sobre orçamento, com o reitor; reserva de uma entrevista, erradamente marcada em duplicado e que teria de mudar; duas conferências, uma das quais precisava de ser revista para incluir novo material; tinha de preparar uma demonstração para o laboratório à tardinha. Não chegaria a casa antes das 20:30, no mínimo. Este ritmo é uma loucura!
Todos sabemos como é. Todos nós temos dias como este em que demasiadas tarefas e responsabilidades conspiram juntas para elevar o nível de stresse. Mas, quando os dias superlotados se tornam na norma mês após mês, a pressão e as exigências começam a cobrar os seus direitos.
Os nossos corpos são máquinas afinadas com precisão. Quando surge uma situação de pressão (digamos, ter de se fazer um discurso importante ou, de repente, ter de se desviar para evitar um obstáculo), o sistema nervoso autónomo lança um par de hormonas (adrenalina e cortisol) na corrente sanguínea que, imediatamente, acelera o ritmo do seu coração e da respiração, aumenta a tensão arterial e o metabolismo. O seu corpo está a responder perfeitamente, tal como foi programado - em alerta de emergência completo. As vias sanguíneas dos seus músculos grandes abrem-se, assim como as suas pupilas. A digestão abranda. O fígado liberta energia armazenada no seu sistema sanguíneo, e começa a suar, embora não esteja a fazer qualquer atividade física pesada. A isto chama-se a resposta luta-ou-foge. Normalmente, a crise passa depressa, as coisas voltam ao normal, tudo fica bem.
As pressões da vida que envolvem dinheiro, relacionamentos, atividades laborais, agendas, etc., colocam uma extraordinária exigência sobre nós, fazendo com que a existência se torne como uma grande emergência. As hormonas luta-ou-foge não têm descanso. Nem os sistemas do organismo programados para responderem. Eles esgotam-nos, levam a um sistema imunitário enfraquecido, provocam mau humor e irritabilidade, diminuindo a produtividade laboral, e podem causar outros problemas como comer em demasia, insónia, dores de cabeça e de estômago, ansiedade e depressão. Se o stresse continua, não é incomum haver ataques de pânico ou dores no peito. Tensão arterial elevada, seguida por doenças cardíacas e diabetes não estão, geralmente muito longe.
Para se ter um estilo de vida saudável, é imprescindível que se reduza o stress e as perigosas hormonas daí resultantes. Faça exercício físico vigoroso e desenvolva uma vida devocional saudável. Faça dois intervalos de cinco minutos durante o dia para respirar profundamente, sorrir abertamente e em que se imagine relaxado enquanto pensa e conta as suas bençãos específicas.
"Eu me alegrarei no Senhor." Salmo 104:34.
Senhor, eu coloco a minha confiança e a minha fé em Ti. Ensina-me o Teu caminho.



SUSPIRO
"E, levantando os olhos ao céu, suspirou, e disse: Efata; isto é, Abre-te."
Marcos 7:34.

Cada vez que leio a história de Ana, esposa de Elcana e mãe do profeta Samuel, o meu coração comove-se com esta santa mulher. O marido tinha outra mulher. Pare a história aqui! Consegue imaginar o stresse desse cenário? E, como se isso não bastasse, numa altura em que ter filhos era, talvez, a razão de viver de qualquer mulher judia, a sua rival tinha e ela não. Sim, ela estava a tentar - não queria mais nada a não ser ter um filho. Mas "o Senhor lhe tinha cerrado a madre" (I Samuel 1:6). Depois de um sarcasmo contínuo da parte da sua rival, que piorava muito durante as celebrações religiosas anuais, ela chorou amargamente e não quis comer. O seu marido, Elcana, ainda fez pior. Não deu valor aos seus sentimentos, e perguntou-lhe se ele não era melhor do que 10 filhos! Oh, não! Este homem precisava de umas aulas de sensibilidade. Mas, espere. Ainda há mais. Quando Ana estava no santuário, derramando o seu coração perante o Senhor em oração, suplicando por um filho, o velho sacerdote Eli, que se encontrava sentado num banco ali perto, acordou das deambulações do seu sonho acordado. Então, acusando-a falsamente de estar embriagada, ralhou-lhe, dizendo que deixasse o vinho. Pobre Ana!
Embora a Bíblia não o diga, estou certo de que ela tinha bastantes razões para suspirar entre o choro - e suspirar profundamente. Depois de soluçar e da angústia emocional, ela precisava dos benefícios de um bom suspiro. Os fisiólogos dizem que a respiração fica, no mínimo, caótica, especialmente durante as alturas de extrema dor ou de stresse emocional. O organismo obtém oxigénio quando pode. Mas, agora, da Universidade de Leuven, na Bélgica, chega-nos um estudo afirmando que um suspiro espontâneo faz maravilhas pelo corpo, pois volta a restabelecer o ritmo e a profundidade da respiração. Os investigadores deram, tanto a homens como mulheres, camisas de alta tecnologia que monitorizam o ritmo cardíaco, o nível do dióxido de carbono no sangue, e, mais importante ainda, a sua respiração. Os dados que a camisa mágica coligiu levaram os cientistas a concluir que suspirar tem um papel importante no restabelecimento do sistema respiratório.
O que me espanta na história de Ana é a sua fé. Quando Eli lhe disse "que o Deus de Israel te conceda o teu desejo", ela lavou a cara e comeu, e, para ela, tudo estava concretizado como o seu cântico confirma (I Samuel 2). Ela cantou "O meu coração exulta no Senhor ... porquanto me alegro na Tua salvação" (versículo 1).
Meu Senhor e Salvador, também Tu sentiste a profundidade das emoções humanas e sofreste injustamente. Que eu possa, tal como Ana, exultar depois das provas difíceis. Segura-me bem junto a Ti.

Professor Doutor David A. Steen (clique para ler melhor as duas 1ªs imagens).



O EXEMPLO DE JOB

Mesmo depois de perder os filhos, a mulher, as suas posses, e de ter ficado doente, Job nunca perdeu a sua confiança em Deus. É um exemplo, mesmo que não seja propriamente um ídolo. Com ele, dá para compreender que mesmo cheio de problemas, o Senhor está sempre a olhar por mim, até porque Ele sabe o que eu penso, quantos cabelos tenho na cabeça, quem eu sou, o que necessito, ou seja, o peso que posso carregar. Na verdade, foi isso que o Senhor fez com Job, pois quando o deixou ser tentado, Ele sabia que Job ia resistir, que ia ser forte!
Logicamente, Job pode ser modelo de vida para muita gente, bem como outros apóstolos em quem o Senhor depositou grande confiança, sobretudo aqueles que se firmaram como líderes. Como as coisas estão tão difíceis neste mundo de guerra e de fome, Job pode efectivamente ser um modelo, tal como foi para mim. Um modelo de humildade e, acima de tudo, de segurança. E eu quero ser assim, seguro e humilde. Quero também ser assumido, um assumido atleta de Cristo, que ama Jesus e que leva essa bandeira para todos os lados. Sem vergonhas. O nome de Jesus deve ser sempre mencionado.
Embora admire os jogadores de futebol, que são artistas da bola, isso não quer dizer que eu leve a vida consoante as vidas que eles levaram, apesar de me terem marcado quando ainda era aprendiz desta profissão. Mas, definitivamente, não são ídolos. O que as pessoas veem de fora é apenas a vida dos jogadores dentro do campo, e eu quero que me vejam para além disso, pois quero viver a vida como um todo.
O modelo de Job serve para todas as etapas da minha vida. Desde o momento em que conheci a história de Job e me consciencializei que teria de ser assim (já lá vão uns bons anos), tento ser humilde dentro do campo. Entro no rectângulo de jogo para enaltecer o patrão, que é o Sporting, e lutar pela glória do Senhor. Quando as coisas correm mal, clamo a Deus! Quero ter Deus, mesmo dentro do jogo... E sinto mesmo a Sua força, a Sua presença. No caso contrário, quando as coisas não correm bem, também O sinto. A humildade está aí. Até porque nunca devemos usar Deus como extintor. Se assim fosse, era mais fácil... Mas não é só quando vemos o fogo que podemos chamá-Lo... Por isso mesmo, essa frase não me sai da cabeça. É preciso perceber que Ele está sempre presente. Deus não é um refúgio.
Gostar de Job é algo que se reflecte não apenas na minha cabeça, mas na minha consciência. Não é por usar t-shirts dele ou outro tipo de objectos de adoração que se mostra alguma coisa. Quero que compreendam que o Marco Aurélio dentro do campo é o mesmo Marco Aurélio fora do campo.
Marco Aurélio, "central brasileiro do Sporting" quando jogador, na Rubrica (Eu e o meu Ídolo), Notícias Magazine.

RÁDIO TRANQUILIDADE
Receita para o Coração! Coração sempre Tranquilo!

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terça-feira, 12 de agosto de 2014

DiA  InTerNaCioNaL  da  JuVenTuDe


(clique na imagem para a aumentar)

A BeLeZa de JESUS

A Alegria Embeleza O Rosto, Mas A Tristeza Deixa A Pessoa Abatida.

Provérbios 15:13


Pense em alguém que você acha bonito ou bonita. Agora guarde o nome dessa pessoa na mente e leia a história de hoje.
Uma empresa de produtos de beleza fez uma promoção para divulgar seus produtos. O setor de propaganda desenvolveu uma campanha e pediu aos moradores de uma cidade grande que enviassem fotos das mulheres mais belas que eles conheciam, acompanhadas de uma breve carta explicativa.
Em poucas semanas, milhares de correspondências foram enviadas à empresa. Uma carta, em particular, chamou a atenção dos funcionários. Sem saber o que fazer, levaram o assunto à mesa do presidente da empresa. A carta foi escrita por um menino que fora criado num lar com problemas, num bairro de extrema pobreza. O texto dizia assim:
"Na minha rua mora uma mulher bonita. Eu vou à casa dela todos os dias. Ela me faz sentir o menino mais importante do mundo. Nós brincamos juntos, e ela ouve os meus problemas. Ela me entende e, quando vou embora, sempre diz bem alto que sente orgulho de mim."
O menino terminava a carta dizendo: "Esta fotografia mostra que ela é a mulher mais bonita do mundo. No futuro espero ter uma esposa tão bonita quanto ela."
Intrigado com a carta, o presidente pediu para ver a fotografia da mulher. Sua secretária entregou-lhe a foto de uma mulher sorridente, sem nenhum dente na boca, de idade avançada, sentada numa cadeira de rodas. O pouco cabelo grisalho estava preso em formato de coque e as rugas que marcavam seu rosto eram suavizadas pelo brilho que vinha de seus olhos.
"Esta foto mostra que nossos produtos não são necessários para uma mulher ser bela", disse o presidente. O concurso terminou naquele momento e uma homenagem foi feita àquela linda mulher.

Pode ser que as pessoas digam por aí que um rosto perfeito e bem maquiado seja a maior demonstração de beleza. Não é verdade. É lógico que devemos nos cuidar, mas não adianta quilos de maquiagem para tentar esconder uma vida amarga e infeliz.
A verdadeira beleza está numa vida que reflete o amor de Jesus. Porque, quando vivemos como Ele viveu e falamos o que Ele falou, as pessoas olham para nós e não veem mais o nosso rosto. Elas veem a face de Jesus.
E agora, quem é a pessoa mais bonita que você conhece?


http://www.cpb.com.br/htdocs/periodicos/les2014.html - 27.07.2014

ToDas As CoiSas São PoSsíVeis

Para O Homem É Impossível, Mas Para Deus Todas As Coisas São Possíveis.

Mateus 19:26


Médicos e enfermeiras corriam freneticamente para dentro e para fora da sala de cirurgia, tentando salvar a vida de minha mãe e a minha, por ocasião do meu nascimento. A agonia de perder a amada esposa ou a filha primogénita era incompreensível. – Quem o senhor quer que salvemos, sua esposa ou sua filha? – perguntaram ao meu pai. Com lábios trémulos e a confiança em Deus no coração, ele disse: – Por favor, tentem salvar as duas. – Sob orações fervorosas, eles tiraram meu minúsculo corpo com fórceps.
Era difícil, para as visitas, deixar de notar as marcas do profundo ferimento que o fórceps havia deixado ao redor da minha cabeça. Mesmo assim, todos garantiram aos meus pais que massagens diárias ajudariam a aliviar as impressões, o que, por fim, mostrou ser verdade.
– Sua filha terá dificuldade para compreender conceitos matemáticos – foi o que os médicos avisaram aos meus pais. Isso os levou a ser tipicamente superprotetores.
Como resultado, não frequentei regularmente a escola. Meu pai era o pastor da igreja e minha mãe, a diretora da escola, e todos os professores tinham a estrita recomendação de me permitir visitar qualquer sala de aula, em qualquer momento. Hoje, quando revejo fotografias antigas, geralmente sorrio constrangida, ao ver fotos minhas segurando troféus em eventos dos quais eu nem sequer havia participado. Embora ninguém achasse que aquilo era correto, ninguém dizia uma palavra.
Então, certo dia, meus pais perceberam que eu estava usando minha 'dificuldade de aprendizado' para tirar alguma vantagem. Perceberam que a 'inocente' garotinha que seria ruim em matemática era, na verdade, extremamente calculista, esperta e manipuladora. Então as coisas mudaram.
– Qual foi sua nota no exame de matemática e física? – perguntou meu pai.
– Ah, papá, todos foram mal. Nossa média foi de apenas 35%.
– Bem, algum dos alunos acertou acima de 90%?
Quando admiti que sim, ele disse: – OK. Então, até você consegue isso!

Hoje, tenho dois títulos de mestrado e um doutorado. As quatro singelas palavras: "você consegue fazer isso" têm sido o âmago do meu sucesso. Minha meta hoje é motivar as crianças a acreditarem em si mesmas; os pais, a não apresentarem desculpas pelos filhos; os professores, a serem aquela luz que guia a cada um. Que ninguém lhe diga: "Isso é impossível". "Para Deus tudo é possível."


Suhana Benny Pasad Chikatla

http://www.cpb.com.br/htdocs/periodicos/les2014.html - 26.07.2014

MILAGRE NA SELVA – 2

Procurarei as ovelhas perdidas, trarei de volta as que se desviaram.
Ezequiel 34:16
Ele estava perdido na selva amazónica peruana. Ali, com lama por todo o lado, molhado, faminto e desesperado, ele pensou: "Onde está Jesus? Conheço tudo o que está escrito na Bíblia, mas sinto que Ele está longe de mim."
Naquela hora, a teoria não ajudava em nada. Ele precisava mesmo era da pessoa de Jesus. Ele sabia que para sair daquela situação precisava de um milagre e foi isso o que pediu. A chuva diminuiu e ele começou a gritar.
Gritou com todas as suas forças e, de repente, teve a impressão de ouvir uma voz distante. Sim, alguém estava respondendo. Novamente ele gritou e a voz da outra pessoa foi se aproximando cada vez mais. Agora ele já podia ouvir passos e, finalmente, viu o rosto de um índio.
Aquele homem forte estendeu-lhe a mão e o puxou com firmeza. Já fora do buraco, o pastor começou a fazer perguntas para aquele índio:
– Quem é você? Como é o seu nome? De onde você veio?
O índio não falou nada, apenas o segurou pelo braço e o guiou até um ponto em que havia luz. Chegaram a uma choupana. Lá de dentro, saiu o senhor João:
– Pastor, o senhor veio a esta hora?
O pastor entrou na casa e, exausto, apenas tirou a roupa encharcada e caiu ao lado de uma pequena lareira, onde adormeceu.
Ao acordar, no dia seguinte, havia comida e bebida. Intrigado, o senhor João perguntou:
– Como foi que achou a trilha?
– Foi o índio – respondeu o pastor.
– Que índio?
– Aquele que estava comigo ontem, quando cheguei.
– Não tinha nenhum índio com o senhor!

O pastor não disse nada, apenas levantou-se, foi até uma pequena cachoeira para se lavar e ali, ajoelhado, orou: "Senhor Jesus, agora sei que não és uma doutrina, és uma Pessoa maravilhosa. Hoje encontrei o que estava faltando em minha vida. Quero amar-Te, Senhor, e segurar a Tua mão de Amigo para sempre".

Este homem é o pastor Alejandro Bullón, um grande pregador adventista mundialmente conhecido. Deus coloca pessoas (ou anjos) em nossa vida para nos ajudar a nos aproximarmos dEle.

http://www.cpb.com.br/htdocs/periodicos/les2014.html - 07.08.2014

Pode conhecer este extraordinário homem de Deus nos Links 1R

domingo, 20 de julho de 2014

Dia Internacional da Amizade


A PEQUENA GALINHA SÁBIA


O eloquente político, filósofo e escritor romano do 1º século a. C., Marco Túlio Cícero, já tinha percebido que "viver sem amigos não é viver". De facto, o tema da amizade é, porventura, um dos mais abordados na literatura de todos os povos. Até na internet se trocam receitas de amizade, como esta:
Ingredientes:

1 presente de vez em quando
2 colheres de paciência
3 chávenas de bondade
4 telefonemas semanais
5 brincadeiras por semana
6 colheres de perdão.
Misturar todos os ingredientes com muito cuidado,
depois acrescentar 2 chávenas bem cheias de abraços e
espalhar muitas gargalhadas.
Adoçar à vontade com sorrisos e
colocar no forno da amizade deixando dourar o tempo todo.

O Dia Internacional da Amizade ou Dia do Amigo, que hoje se comemora, foi criado pelo dentista, professor e músico argentino Enrique Ernesto Febbraro. O dia que ele escolheu para a data foi o da chegada do homem à Lua, 20 de Julho de 1969. Com esta iniciativa, ele queria comemorar a importante conquista científica. É provável também que ele, com esta efeméride, pretendesse dizer que é possível fazer amigos em qualquer lugar, até noutros planetas do universo. Talvez por isso, na Argentina, foi criado até um Decreto (nº 235/79) para oficializar a amizade. O lema da campanha de Enrique Febbraro para valorizar a amizade era: "Meu amigo é meu mestre, meu discípulo e meu companheiro." Depois de muitos esforços, os países membros da Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceram a data em 1985.

Na actualidade, mais de 100 países abraçaram a ideia e comemoram o Dia Internacional da Amizade, a 20 de Julho. Essa louvável campanha mundial fez com que Febbraro fosse indicado para o Prémio Nobel da Paz.

Ter um amigo é maravilhoso. Ser amigo de alguém, diz-se que é ainda melhor. Amigo é alguém com quem nos sentimos bem. Afirma o filósofo e escritor americano, Elbert Hubbard: "O verdadeiro amigo é aquele que sabe tudo acerca de nós, e, mesmo assim, continua a ser nosso amigo." Porque, afinal, "a amizade é sempre uma doce responsabilidade, nunca uma oportunidade", disse o filósofo e escritor libanês, Khalil Gibran. Na experiência do teólogo francês, Jean Daniélou: "Os verdadeiros amigos, são aqueles que nos ajudam a ser e a viver na verdade." Para que uma amizade se consolide e desenvolva é necessária a confiança mútua. Segundo um provérbio chinês, "onde não houver confiança, não pode existir amizade."


Já mil anos antes de Cristo, o sábio Salomão escreveu (Provérbios 17:17): "Um verdadeiro amigo é sempre leal, e é nos momentos difíceis que se conhecem os amigos fiéis." Por isso (Provérbios 18:24): "Quem tem muitos amigos pode congratular-se. Mas há um Amigo que é mais chegado do que um irmão" - Jesus - que "não Se envergonha em nos chamar Seus irmãos" (Hebreus 2:11), porque, "o verdadeiro amor conhece-se por aquilo que Cristo fez, morrendo por nós" (I João 3:16).

AMIZADE
A amizade aproxima as pessoas. Quando existe reciprocidade de afecto, então há amizade partilhada.
Porque, afinal, a amizade demonstra-se onde existe o desejo de tudo partilhar:
preocupações, planos, sofrimentos, alegrias, projectos, sonhos, receios, dúvidas, ideias e até trabalho. É na partilha que a amizade se desenvolve e consolida. Em especial, nos momentos menos bons da vida, sabe bem ter, pelo menos, um amigo autêntico.

O povo russo descobriu isso também quando diz num provérbio: "Um amigo fiel é o melhor remédio que se encontra na vida. Não amamos as pessoas porque elas são bonitas, mas porque nos parecem bonitas, porque as amamos." Dito de uma forma poética, "a vida sem amigos é um céu sem andorinhas." Sem dúvida, uma poética figura de linguagem para uma realidade tão comum e actual. Uma bela alegoria para um quadro tão real e necessário no quotidiano.
Se não tem amigos, tente fazer amigos e encontrá-los. A única maneira de conquistar amigos - é ser amigo. Se os tem, marque encontro com eles. Procure saber onde estão e qual a situação em que se encontram. Partilhe experiências de vida significativas. Não se distraia a ponto de perder amizades. É que a vida stressante do mundo moderno pode roubar-nos o melhor do nosso tempo. Planeie ver os seus amigos com mais frequência e recrie bons momentos com eles. Sobretudo, não seja vítima da solidão. Não se isole em casa.

Não se feche no mundo da internet e do computador. É certo que o computador é uma ferramenta tão poderosa como sedutora. Porém, o computador concentra-se sem piedade em coisas que podem ser representadas por números, para alcançar coisas, e não para contemplar coisas. No dizer do especialista em geopolítica George Friedman, o computador "limita drasticamente o que queremos dizer e o que entendemos por raciocínio (...) Nem de perto se assemelha à linguagem natural. Na verdade, é a antítese da linguagem natural."

Ora, um bom amigo vale mais do que um computador ou uma grande fortuna. Uma amizade sincera e profunda inclui transmissão e partilha de sentimentos e emoções, em linguagem natural. E isto o computador não tem nem pode produzir. Invista nos amigos, porque já dizia o grande orador latino Marco Túlio Cícero: "Viver sem amigos não é viver."


Ezequiel Quintino, Jornalista e Teólogo in "Pensar Faz Bem, da palavra falada à palavra escrita, textos do programa da Rádio Clube de Sintra", Rádio RCS, FM 91.2, Links 1R.

EU TE ERGUEREI


"Uma boa palavra multiplica os amigos, a linguagem afável atrai respostas amáveis."

"Dá-te bem com muitos, mas escolhe para conselheiro um entre mil."

"Se queres ter um amigo, põe-no primeiro à prova, não confies nele tão depressa."

"Um amigo fiel é um refúgio seguro, quem o encontrou descobriu um tesouro."

"Nada se pode comparar a um amigo fiel, e nada se iguala ao seu valor."

"Um amigo fiel é um remédio de vida; aquele que teme ao Senhor achará tal amigo."

sábado, 21 de junho de 2014

TEMPO...
É Quase Meia-Noite!



Quem sou eu para o definir e explicar? Ouço a sua pulsação no tic-tac do relógio e fico absorta a meditar nos seus mistérios e implicações, na extensão dos seus domínios, no fatalismo da sua relação com a vida... Inflexível, inexorável, impiedoso - quem pode competir com ele? Ai de mim se não acerto o meu passo pelo seu nos trabalhos e compromissos que me desafiam! Ai do artista que se não deixasse reger pela sua batuta ou que ignorasse as suas marcações nos compassos que se propusesse interpretar!...
O que é tempo? Em vão eu me consumiria tentando transpor a barreira imposta pela queda dos maiores cérebros da História - Adão e Eva. Os mistérios com que me debato estiveram patentes ao seu estudo até ao momento em que o mau uso da divina faculdade do livre arbítrio encontrou espaço para a primeira fatalidade do tempo... Agora, aqui estou eu, sob o fascínio da superfície iluminada do meu globo terrestre, pensando em meridianos e fusos horários, relacionando o tempo com os movimentos da Terra e com o Sol, com factos, espaço e velocidade, evocando o relato bíblico da criação da primeira semana do mundo, limitada pelo marco divino - o Sábado - e o milagre! da sua preservação até aos nossos dias...
Mas tempo é mais, muito mais do que isto!...
Santo Agostinho, certa vez, lançou a pergunta e confessou: "Se ninguém me pergunta, eu sei; se desejo explicá-lo a alguém que pergunte, eu não sei."1 A explicação continuou dramática ao longo dos séculos após a confissão do conhecido teólogo de Hipona, e não ficou mais fácil depois que o genial autor da E=MC² alargou o horizonte científico com as revolucionárias teorias da relatividade. "O tempo não é mais explicado como uma variável uniforme - uma linha extensa de tempo na qual os eventos podem ser localizados - mas o tempo é agora visto como sendo ele mesmo determinado pelos eventos."2


Em breve, quando se escoarem as últimas areias da ampulheta e, vencida a lei da gravidade - o pecado -, alçarmos voo com Jesus através do túnel deslumbrante do Orion, rumo ao Edén restaurado; quando as densas trevas do tempo forem dissipadas pela "luz inacessível"3 da eternidade, então não haverá mais definições obscuras, e intrincadas teorias sobre a Criação, concebidas à margem do Livro do Criador!... "As coisas difíceis de se compreender terão ali explicação."4 Ser-nos-á revelado o "decurso do grande conflito que teve a sua origem antes que começasse o tempo e terminará apenas quando este cessar."5 "Todos os tesouros do Universo estarão abertos ao estudo dos filhos de Deus."6 Todavia, se é certo que aqui ainda não sabemos tudo sobre nada, ali, nunca saberemos tudo sobre tudo, pois "surgirão novas culminâncias a galgar, novas maravilhas a admirar, novas verdades a compreender, novos assuntos a apelarem para as forças do corpo, espírito e alma."7 Teremos a eternidade para o estudo do infinito. Não faltará tempo para o espaço nem espaço para o tempo...

Até lá, continue a picareta do arqueólogo a dilacerar as entranhas da terra e pondo ao sol as pegadas do tempo! Continuemos a recordar com admiração e respeito Albert Einstein - o mágico do tempo, o brilhante cientista que alguns anos antes de descer ao pó - a matéria que tanto o apaixonara! - finalmente reconheceu no universo a presença de "um poder racional superior!"8 Não nos desencantemos do estudo do tempo à luz da física e da astronomia, mas demos prioridade e particular atenção ao que o tempo representa na vida de cada um.

Enquanto permanecermos neste vale de lágrimas, viveremos no tempo e seremos afectados pela sua passagem, quer estejamos na típica aldeia do Piódão, quer na vertiginosa cidade de Nova Iorque. Nem cosméticos, nem cirurgias plásticas ou quaisquer artifícios, poderão confundir o tempo, pois ele não deixa as suas marcas apenas no nosso rosto, na cabeça, quiçá na coluna, mas dentro, bem dentro de nós, para além das artérias, do coração e até da mente - no próprio espírito!
Não tentemos, portanto, driblar o tempo. Não conseguiremos violar impunemente as suas leis. O êxito e o fracasso, a prosperidade e a miséria, a cultura e a ignorância, a saúde e a doença, acima de tudo o nosso destino eterno, dependem mais do que talvez imaginemos do grau de percepção destas realidades. Não teremos saúde se tresnoitarmos, porquanto fomos biologicamente programados para dormir quando escurece e despertar quando amanhece. Não lograremos êxito, qualquer que seja o empreendimento, esbanjando tempo, pois o tempo é um capital de reposição impraticável.
Albert Schweitzer, famoso médico missionário e um dos homens mais notáveis do século XX, disse tristemente, já quase no limite de uma vida de sacrifício e abnegação: "Algumas vezes eu desejo poder ficar parado numa esquina da rua, com o chapéu na mão, a fim de que os transeuntes possam lançar a mim suas horas supérfluas."9


Que faremos, então, para remir a soma de minutos e horas dissipados em conversas frívolas e diversões objectáveis, não considerando os já sobejamente destacados malefícios do uso indiscriminado e intemperante da TV? Que faremos, enfim, para remir as preciosas fracções de tempo sacrificadas no altar da ociosidade, do egoísmo, da vaidade e do prazer? Que faremos, enfim, para remir os meses, quiçá os anos consumidos fora da igreja, no caminho descendente do pecado? Eis o que o Senhor nos diz através de Ellen G. White: "A única maneira de podermos remir o nosso tempo consiste em utilizar o melhor possível o que nos resta, tornando-nos coobreiros de Deus no Seu grande plano da redenção da humanidade."10

Imaginemos o paradoxo de um cristão deprimido, vergado ao peso de amargas recordações, olhos fixos nas pegadas deixadas no terreno do inimigo, mortificando-se, abominando-se - o coração apertado pelo anseio desesperado de remir o tempo!... Ao seu lado há mãos estendidas e olhos suplicantes! Chegam-lhe aos ouvidos gemidos de quem está prestes a sucumbir por não aguentar mais o peso da cruz das suas deficiências ou dos reveses da vida! Almas solitárias, sem Deus e sem esperança, vagueiam entre a multidão que se atropela nas calçadas, e há aleijados do corpo e do espírito dormindo ao relento sob as sacadas dos prédios!...
Se algum dia encontrarmos um companheiro de jornada nessa paradoxal situação, não o apedrejemos com um olhar farisaico; estendamos-lhe a mão e lembremos-lhe com amor fraternal: "A única maneira de podermos remir o nosso tempo consiste em utilizar o melhor possível o que nos resta..."
Envergonhado das suas queixas, ele se levantará decidido a retomar o trabalho em favor dos que perecem - aliás, a melhor terapia para o desânimo e a depressão!


Que diremos mais do valor do tempo? Quanto vale um minuto, uma hora, um dia?... No sofisticado mundo dos negócios, um minuto pode valer milhares, talvez milhões de escudos, mas não é a natureza monetária do valor do tempo que nos preocupa...
Numa sala de cirurgia ou num sector de urgências de qualquer instituição hospitalar, alguns segundos podem significar a recuperação de uma vida ameaçada por uma "paragem cardíaca".
Três ou quatro minutos de afogamento numa piscina chegaram para inutilizar o cérebro de uma encantadora criança de quatro anos de idade, reduzindo-a à mais deplorável condição de vida vegetativa.
Em cada minuto que passa, vinte e quatro seres humanos, dos quais dezoito são bebés, morrem de fome algures no mundo.11


Venha comigo ao "ontem" do tempo e avaliemos a carga de "consequências eternas"12 que pesa sobre cada momento:

A - Para Moisés, o irrepreensível condutor de Israel, o desgosto de não poder entrar na terra prometida foi o resultado daquele momento infeliz em que ergueu a vara e feriu a rocha com irritação.

B - Um brado de triunfo do exército israelita foi o saldo de um curto segmento de tempo, quando a pedra certeira de David derrubou o jactancioso gigante filisteu.

C - Quando o pusilânime Pilatos ressuscitar para rever o "terrível espectáculo"13 da condenação e morte de Jesus, ficará horrorizado ao constatar a dimensão daqueles breves segundos em que lavou as mãos ao declarar-se inocente do Seu sangue.

D - Mas é do Calvário que vem o exemplo mais emocionante: "Senhor, lembra-Te de mim quando entrares no Teu Reino." "Em verdade te digo hoje, estarás comigo no Paraíso."14 Num curto lapso de tempo, um pecador, arrependido e justificado, recebe a garantia de viver para além do tempo!


Se pudéssemos prolongar um pouco mais esta viagem através do túnel do tempo, deter-nos-íamos junto aos escombros da velha e romântica Lisboa de 1755, parcialmente destruída por um violentíssimo tremor de terra de natureza profética, em cerca de seis minutos;15 visitaríamos as ruínas de Pompeia, de S. Pedro de Martinica, de Messina... cada uma das quais com um saldo de milhares de vidas sacrificadas em poucos segundos.

Não sei o dia nem a hora em que deixaremos de ouvir a pulsação do tempo no tic-tac do relógio, mas sei que as sombras da noite cobrem a terra e que se aproxima a Hora, tenebrosa para os ímpios, de livramento para os santos.


É quase meia-noite! Após seis mil anos de pecado, sangue, suor e lágrimas, o velho e cansado mundo arrasta-se penosamente para o fim do "tempo do fim".

Brevemente o brado da Cruz: "Está consumado!"16 repercutirá no santuário celestial com uma nova dimensão: "Está feito!"17 Jesus proferirá, então, o solene aviso:
"Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda."18
"Agora, enquanto o nosso grande Sumo Sacerdote está a fazer expiação por nós, devemos procurar tornar-nos perfeitos em Cristo..."19

       AGORA é o tempo de nos prepararmos para a Crise que se aproxima!
       AGORA é o tempo de confessarmos e abandonarmos todo o Pecado!
       AGORA é o tempo de partilharmos a Fé com renovado fervor!
       AGORA é o tempo de investirmos liberalmente na finalização da Obra de Deus!


"Então aquela voz, mais harmoniosa do que qualquer música que tenha soado já aos ouvidos mortais, é ouvida a dizer: 'Vosso conflito está terminado'. 'Vinde benditos de Meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.'"20

No "amanhã" do tempo, ainda teremos tempo para contemplar as cicatrizes do pecado no corpo de Jesus! As feridas, curou-as o tempo, mas as marcas... nem o tempo, nem a eternidade as apagarão!...


Linda prosa poética com profundas verdades... de Deolinda Correia Leite Borgström, Professora de Música, in Revista Adventista, Novembro de 1990.


Bibliografia:
1 - Niels - Erik A. Andreasen, Tempo Para Viver, p. 2; 2 - Ibid; 3 - 1 Timóteo 6:16; 4 - Ellen G. White, Vida e Ensinos, p. 234; 5 - Ellen G. White, Educação, p. 304; 6 - Ibid, p. 307; 7 - Ibid; 8 - Floyd Rittenhouse, Os Caminhos de Deus, p. 13; 9 - Ibid, p. 85; 10 - Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 342; 11 - William Johnsson, Revista Adventista (Portugal), Fev. de 1990, p. 3; 12 - Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 343; 13 - Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 664; 14 - S. Lucas 23:42 e 43; 15 - Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 303; 16 - João 19:30; 17 - Ellen G. White, História da Redenção, p. 402; 18 - Apocalipse 22:11; 19 - Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 621; 20 - Ibid, p. 644.


domingo, 1 de junho de 2014



Quem imaginaria que em Lisboa havia uma coisa dessas? Um hospital para bonecas, no coração da cidade, Praça da Figueira, 7. Foi fundado vai para 170 anos, esteve quase a fechar. Todavia, há dez anos atrás, Júlia Valentim e Manuela Cutileiro, suas proprietárias actuais, impediram que isso acontecesse, para satisfação de crianças e adultos.
Um projecto a pensar na criança que persiste em viver dentro de cada um de nós. A prova de que os afectos são essenciais à vida. Mantê-los já é sinónimo de saúde.

São dos mais diversos feitios, materiais e origens. Chegam normalmente em estado lastimoso. É uma perna ou um braço arrancado. É uma cabeça partida. É um rosto esfacelado. É um ventre dilacerado. É uma careca luzente a pedir cabeleira nova. "Às vezes entra-nos aqui cada coisa que nem sabemos por onde pegar-lhe", conta-nos Mª Júlia Valentim, sócia do singular estabelecimento "hospitalar" e nossa anfitriã.
Vêm pela mão de uma mãe ou de uma avó e mais raramente pela mão de uma criança.
Excepcionalmente, são trazidas também por homens, como foi o caso daquele advogado que ali "internou" o "menino" de porcelana e cara rosada, que desde miúdo o acompanha e de que não se quer separar, pois funciona para ele como talismã.
Há quase sempre uma razão afectiva por detrás da decisão de mandar "tratar" ou "operar" as simpáticas figuras. A primeira boneca de cada criança é quase sempre a que é trazida ao "hospital". Júlia Valentim explica-nos que as mães das jovens que vão casar tomam a iniciativa de mandar reparar as primeiras bonecas ou ursos de peluche das suas filhas para que os levem, refeitos, para as novas casas. Mas situações há em que ao afecto se vem juntar também interesses materiais. Há bonecos que, de tão antigos, são verdadeiras raridades, valendo por isso bom dinheiro.

Os "doentes" são atendidos na recepção que funciona no rés-do-chão, recebem um número de inscrição e esperam que chegue a "ambulância" (uma alcofa com uma cruz vermelha que sobe e desce por meio dum sistema de roldanas) e os iça até ao 4º andar, onde ficarão "internados" na "enfermaria" (chefiada pela D. Maria Antónia), à espera de entrarem nas salas de "cirurgia plástica" (onde a operadora-chefe é a Catarina, uma jovem estusiasmadíssima, rodeada de tesouras, bisturis, agulhas e perfuradores eléctricos), de "transplantes" e, quando o caso é irremediável, na "morgue". Tudo devidamente identificado por tabuletas nas portas.
Existe também a inevitável "farmácia", onde se guarda toda a espécie de mezinhas que servem para devolver as cores e o aspecto que se convencionou serem sintoma ou sinónimo de saúde.
Os olhos das crianças esbugalham-se e ficam muitas vezes marejados de lágrimas ao verem a "ambulância" partir com os objectos dos seus afectos, em direcção ao alto. A separação é dolorosa, e muitas delas chegam a telefonar para saberem se a "cama" onde dormem é boa e se a recuperação corre bem e rápida.

E quando vêm em grupos, com os colegas da escola, é o bom e o bonito. Acotovelam-se para chegarem mais à frente, ardendo em curiosidade e querendo tocar em tudo o que veem. Perguntas são mais que muitas e os comentários sempre surpreendentes.
Júlia Valentim sorri, quando nos confessa que este é um dos aspectos mais compensadores no "negócio": "Há também um fim pedagógico nisto. Os miúdos aprendem que não se deve estragar as coisas de que se gosta e que é importante guardar, preservar os objectos a que nos liga uma certa afectividade, que há laços entre pais e filhos que devem ser mantidos pela vida fora."

Entusiasmo igual ao dos miúdos só o que é revelado por fotógrafos e operadores de câmara que têm a sorte de descobrir aquela mina de imagens e situações. "Há sempre mais um pormenor que querem captar", diz-nos a nossa guia, ansiosa para nos conduzir até à secção dos "recuperados" ou "doentes com alta". E não resiste, ela também, a posar para a fotografia, segurando na mão, primeiro, uma boneca de porcelana perfeitamente recuperada e, logo depois, com um ursinho de peluche restaurado.
"Recuperamos todo o tipo de brinquedo. Mas também fazemos trabalhos de restauro em imagens sacras, em porcelanas, louças 'Companhia das Índias', etc. Fizemos restauro também para o Museu da Marinha, para o Hotel do Buçaco, entre outras instituições". Segundo Júlia Valentim, clientes é coisa que não falta ao Hospital das Bonecas. Há clientes de todo o país e até do estrangeiro.


Texto de uma Revista Médica OXIGÉNIO



SÍNDROME  DO  BEBÉ  SACUDIDO/ABANADO


       Se os bebés falassem era este o apelo que fariam aos pais sempre que, frustrados com o choro incessante, se sentem tentados a abaná-los, numa tentativa desesperada para os acalmar. Mas este é um gesto com consequências graves: lesões cerebrais e até a morte podem ser o desfecho.
       Os bebés choram. E choram muito. Porque têm fome, sede, frio, calor, porque têm a fralda molhada ou suja, porque há muito barulho à sua volta, porque têm cólicas, porque estão desconfortáveis, porque querem mimo... Porque sim!
       Chorar é a linguagem dos bebés, uma linguagem muito própria que exige dos pais um constante trabalho de descodificacão, tentar perceber as quase imperceptíveis alterações na tonalidade e intensidade do choro. De tal forma que às vezes só os pais - outras nem os pais - as distinguem. Ainda privados do dom da palavra, é assim que os bébes se integram no mundo e integram o mundo em si próprios. Primeiro choram, mais tarde sorriem, depois lá virão os primeiros sons articulados e finalmente as palavras. Códigos que os adultos tentam assimilar, nem sempre com sucesso. Pais e filhos crescem ao mesmo tempo, afinal... Mas o que fazer quando eles não estão doentes, não têm fome, nem sede, nem frio nem calor e a fralda está limpa e seca e, ainda assim, insistem em chorar como se o mundo fosse acabar? O que fazer quando eles choram inconsoláveis, resistindo a todos os mimos e truques que os pais conhecem e inventam para os acalmar? O que fazer quando embalar o berço ou passeá-los ao colo é o mesmo que nada fazer? À medida que todas as tentativas fracassam, vai aumentando o stress dos adultos, à beira de um ataque de nervos, sem que a bonança pareça tomar o lugar da tempestade. Às vezes é o descontrolo, a irracionalidade dos comportamentos perante a irracionalidade do choro. E os adultos agarram na criança e abanam-na, como se quisessem exorcizar o choro. Agitam-na no ar, vezes sem conta, em movimentos imparáveis de vai e vem, até que ela de facto se cala.

LESÕES PARA A VIDA  OU  A VIDA EM RISCO

       Porém, danos severos podem ter sido entretanto causados no pequeno corpo. Danos que não se notam e para os quais os pais ainda estão pouco alertados. Porém, em países como os Estados Unidos há muito que se investiga este fenómeno, a que médicos deram o nome de shaken baby syndrome - numa tradução literal para o português "síndrome do bebé sacudido/abanado".
       Que danos são afinal esses? Quando um bebé é agitado vigorosamente, a cabeça move-se para a frente e para trás, num sem número de movimentos repentinos que aumentam a pressão sobre o cérebro e podem causar hemorragias.
       Basta lembrar que a cabeça de um bebé é desproporcionalmente grande em comparação com o resto do corpo, assemelhando-se a um pêndulo quando agitado de um lado para o outro. O grau de dano cerebral depende da quantidade e duração dos abanões, se bem que ainda não esteja definido um limite a partir do qual existe perigo para a criança. Mas casos há em que bastam cinco segundos para produzir estas lesões.
       O que se sabe é que os sinais e sintomas desta síndrome compõem um vasto espectro de alterações neurológicas, que vão desde vómitos, letargia, tremores e irritabilidade a situações mais graves como ferimentos, coma e mesmo a morte. Na origem destas alterações neurológicas está a destruição de células cerebrais em consequência do trauma, falta de oxigénio e inchaço do cérebro.
       Na maioria dos casos ocorrem também hemorragias na retina ou num dos olhos. Em casos mais violentos, são igualmente frequentes fracturas nos ossos dos membros superiores e inferiores e nas costelas. Porém, na maioria das vezes não há sinais exteriores de trauma, na cabeça ou no corpo, o que torna mais difícil o diagnóstico. Mas o trauma existe e, segundo os estudos já desenvolvidos, em 20% dos casos conduz à morte do bebé. Nos que sobrevivem é possível encontrar sequelas como desordens na aprendizagem e alterações comportamentais, atraso no desenvolvimento mental, paralisia e cegueira. Para quem provavelmente nunca ouviu falar nesta síndrome, o quadro é de facto assustador. E suscita dúvidas: o que acontece àquelas brincadeiras de que as crianças tanto gostam em que os pais as atiram ao ar e dão reviravoltas? Não têm de acabar! Se as brincadeiras forem adequadas à idade muito dificilmente causarão danos físicos. É claro que atirar um bebé ao ar contém os seus riscos, mas o maior de todos é se ele cair ao chão. Aliás, há uma substancial diferença na força usada quando se abana violentamente um bebé e naquela que está presente quando ele simplesmente tropeça e cai: é que no primeiro caso é dez vezes superior.

UMA FORMA DE MAUS TRATOS

       Esta é uma síndrome que anda muito associada aos episódios de maus-tratos infantis. Pelos hospitais portugueses passam casos de bebés que acabaram por morrer em consequência de violência sobre eles exercida pelo adulto que devia tomar conta mas não soube controlar os impulsos, agitando-o até conseguir que se cale. É claro que, em circunstâncias normais, quando um pai tenta a todo o custo acalmar o choro desesperante de um bebé não pretende magoá-lo. Mas é isso que acontece se decidir sacudir o pequeno corpo até o choro cessar. A verdade é que o bebé deixa de chorar e nada no seu comportamento imediato indicia que possa ter sido magoado. Mas, ironicamente, a presença de uma lesão pode fazer precisamente com que o choro acabe. E quando um bebé deixa de chorar, o comportamento do adulto, inicialmente ditado pelo stress, pode passar a ser a regra, usado de cada vez que o pequeno ser resolva manifestar-se ruidosamente. É um perigoso ciclo vicioso para o qual pais e educadores devem estar alerta. Por isso, da próxima vez que o seu bebé decidir chorar com toda a força dos seus pequeninos pulmões, comece por contar até 20, até 50 ou até 100, se necessário for...

LEMBRE-SE QUE...

Da próxima vez que o seu bebé chorar desalmadamente não desespere.
* Um bebé normal pode passar 2 a 3 horas por dia a chorar.
* Há mil e uma maneiras de acalmar um bebé.
* O choro funciona como um isco: aumenta o stress dos pais, atrai a sua fúria e leva a comportamentos descontrolados.
* Abanar um bebé pode ser perigoso, podendo causar-lhe danos severos ou mesmo a morte.
* A força de um pai à beira de um ataque de nervos aumenta significativamente.
* Não pegue no bebé quando estiver a ter uma discussão.
* Não brinque com o bebé abanando-o.
* Um bebé que chora não faz de si um mau pai ou uma má mãe: deixe-o chorar, desde que o vá vigiando.

SE UM BEBÉ CHORA...

Quando um bebé chora está a comunicar as suas necessidades e desejos, a fazer queixas e a reclamar cuidados. Por isso, quando o seu bebé chorar verifique:
* Se está na hora de comer ou se tem sede.
* Se tem frio ou calor.
* Se a roupa está demasiado apertada.
* Se a fralda está molhada ou suja.
* Se tem cólicas ou qualquer outro sintoma físico.

Se a resposta a estas hipóteses for negativa e ele continuar a chorar, tem duas hipóteses: ou espera que ele se acalme por si ou tenta acalmá-lo (o que acontece quase sempre, pois não há pai ou mãe que resista ao choro do seu bebé...).

Se optar por apaziguar o choro pode tentar algumas estratégias:


* Fale com ele, cante-lhe uma canção de embalar, faça-o ouvir música suave.
* Relaxe-o com massagens suaves - o toque é um verdadeiro calmante.
* Embale-o ao colo ou sobre os joelhos.
* Ofereça-lhe a chucha.
* Distraia-o com um brinquedo colorido ou que emita sons.
* Coloque-o no carrinho e dê um pequeno passeio na rua.
* Peça ajuda, se puder, de modo a evitar entrar em stress.
* Deixe-o chorar se nada resultar.
* Aconselhe-se com o pediatra se o choro se mantiver e a sua preocupação também.

Faça tudo o que estiver ao seu alcance, mas nunca por nunca sacuda o seu bebé!


Texto de uma revista da ANF - Associação Nacional das Farmácias; autor desconhecido.