sábado, 4 de junho de 2016

4 de Junho
Dia Internacional das Crianças Inocentes
Vítimas de Agressão


"A maldade humana é um abismo com forte poder de magnetismo, que arrasta a pessoa para o inferno dentro de si mesma. Um vácuo de sentimentos que toma conta de pensamentos mórbidos e que tem como objetivo atos insanos, repugnantes e doentios, desprovidos de qualquer sensibilidade." Luiza Gosuen


Dia 4 de junho não é data para se comemorar. Absolutamente, não.

É um dia, isto sim, para refletirmos sobre algo terrível: a violência contra as crianças.
(E não só... EE)

Dia Internacional das Crianças Vítimas Inocentes da Violência e Agressão foi criado pela ONU em 1982.

É preciso ficarmos atentos para o significado dessa agressão e nos questionarmos de que tipo de agressão, afinal, estamos falando. Com certeza, não seria só a agressão física, a mais comum e a mais dolorosa do ponto de vista biológico. Seria ela a mais absurda? Claro que não. Todos os tipos de agressão, sejam elas quais forem, trazem danos ao indivíduo, e, quando se trata de crianças, aí o problema se agrava.


Numa sociedade, existem diversos níveis de agressão: corporal, psicológica, social, económica, entre outros.
Engana-se quem imagina que só a rua pode oferecer experiências traumáticas para as crianças. Muitas vezes, as maiores ameaças ao bem-estar infantil estão dentro de casa, em forma de maus-tratos físicos ou negligência (outro tipo de agressão). Os episódios mais rotineiros são afogamento, espancamento, envenenamento, encarceramento, queimadura e abuso sexual.
A consequência da agressão contra as crianças é danosa, pois o cérebro infantil ainda está se programando. Uma criança que cresce num ambiente afetivo e protegido deve poder se dedicar a tarefas mentais mais sofisticadas, como pensar abstratamente. Se ela não sente medo, pode desenvolver uma postura mais solidária.
Assim como acontece com os animais, o ser humano se programa para se proteger da violência, de ambientes assustadores. Diante de uma agressão, uma de suas primeiras conclusões é a de se tornar frio, perdendo a propriedade típica dos bebés - de se colocar no lugar dos outros. Quando um bebé chora, outro que está perto chora junto com ele. Até aos dois anos, a criança costuma chorar quando vê outra sofrendo. Elas choram juntas. Depois dessa idade, ela chega perto do amiguinho e tenta consolá-lo.

Bibliografia:
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/junho/dia-internacional-das-criancas-vitimas-de-agressao.php
Posted by Rede ePORTUGUÊSe OMS
/ http://eportuguese.blogspot.pt/2014/06/dia-internacional-das-criancas.html


(clique nas imagens para ver melhor)

COMBATENDO  O  TRÁFICO  HUMANO  NA  TAILÂNDIA

       Antes de completar 14 anos de idade, a vida de Lin já estava em perigo. Ela era membro da tribo Akha e morava na província de Chiang Rai, na Tailândia, numa região conhecida como "o Triângulo Dourado da Tailândia". Essa região, assim chamada porque faz fronteira com os países de Mianmar e Laos, é conhecida pelo tráfico de drogas e de seres humanos. Embora vivendo numa comunidade tribal pacífica, Lin e outras garotas da tribo estão expostas a grandes riscos por viverem em situação de pobreza e preconceito, e sem um sistema educacional adequado.
       Certo dia, uma amiga de Lin convidou-a para trabalhar com ela num "restaurante de karaoke". Como sempre vivera protegida entre o seu povo, Lin não se deu conta de que os restaurantes e bares de karaoke em Chiang Rai são locais em que homens vão procurar garotas que, geralmente, acabam sendo vítimas de exploração sexual.
       "Minha amiga se vestia muito bem e tinha condições de comprar muitas coisas com o dinheiro que ganhava no 'restaurante'", lembra-se Lin. "Eu só queria ajudar minha família. Meus familiares realmente precisavam de dinheiro. Além disso, seria muito bom comprar algumas roupas bonitas e maquiagem," Lin ficou em dúvida se escolheria os benefícios do dinheiro ou permanecer em casa com a família. Mas, felizmente, sem que ela soubesse, seu futuro já estava planejado.
       O pai de Lin havia decidido levá-la a um centro assistencial para meninas da tribo. Ele sabia que, se não colocasse a filha nesse centro, onde lhe ensinariam uma profissão, ela poderia facilmente ser vítima do tráfico sexual. Tendo frequentado apenas a pré-escola, disseram-lhe que não estava habilitada para ir às escolas do governo. Agora, aos 14 anos de idade, ela só falava o dialeto de sua tribo (akha) e não compreendia o idioma oficial da Tailândia (tai). Com a ajuda de um programa educacional não tradicional, ela aprenderia o tai, continuaria o curso fundamental e aprenderia uma profissão. "Se eu não tivesse sido aceite naquele centro, minha vida teria sido muito diferente", disse Lin. "Realmente não sei o que teria acontecido comigo. Nem sei se ainda estaria viva!"

Colocando um Rosto no Tráfico Humano
       Imagine alguém que você ama ser vendido, abusado e abandonado para morrer muito jovem. É difícil imaginar tal horror. Mas, para aproximadamente 600 a 800 mil pessoas a cada ano, sendo 80% meninas e mulheres, esse horror é uma realidade.
O tráfico humano é um grande problema internacional. É uma das três principais fontes de renda do crime organizado, um negócio que movimenta nove bilhões de dólares ao redor do mundo. O tráfico humano existe há séculos e tem se proliferado nas últimas décadas, embora seja ignorado pela população em geral. É fácil fazer vista grossa e ignorar algo que pensamos não poder "consertar".
       Coloque um rosto nesse dilema. Mulheres e meninas que são vítimas de violência sexual estão entre as pessoas mais desamparadas do mundo, principalmente porque praticamente ninguém - além delas próprias - conhece o sofrimento em que vivem. A maior parte das mulheres que sobrevive ao tráfico não tem auxílio legal ou reparação. Elas são humilhadas, subjugadas e sofrem as consequências físicas e psicológicas da violência.
       Essas vítimas precisam de cuidado médico e aconselhamento, especialmente se foram infectadas pelo HIV e/ou AIDS. Mas, antes de perceber que realmente são vítimas e antes de obter esses serviços assistenciais e adquirir o respeito que merecem, essas mulheres precisam atravessar grandes obstáculos. É essencial que os direitos fundamentais sejam garantidos a essas e a todas as outras mulheres.

Saqueando a Pobreza
       A situação de pobreza tem forçado muitas garotas da Tailândia a entrar na próspera indústria sexual, frequentemente contra a própria vontade ou como o último recurso. O efeito sobre as famílias tem sido devastador. Muitas garotas viajam aos centros urbanos, para nunca mais serem vistas, ou voltam para casa apenas quando estão morrendo com AIDS. Um estudo produzido pelas Nações Unidas descreve o tráfico de meninas e mulheres na Ásia como "o maior comércio de escravos da história".
       (E isto nos nossos dias pela culpa de pessoas 'educadas' que vão de países ditos civilizados, e cristãos! Que vergonha! Incrível!!! EE)
       Os traficantes sexuais compram meninas e mulheres de até 10 anos, e as famílias pobres da Tailândia vendem as filhas como escravas sexuais por aproximadamente 450 dólares. O norte desse país tem um problema excepcional porque as famílias das áreas rurais são pobres e muitas meninas não têm acesso à escola. Em tribos como as de Lin, a situação é ainda pior, pois as meninas podem ser vendidas por irrisórios cem dólares.
       Esse fato assustador levanta perguntas: O que podemos fazer diante de uma estatística tão alarmante? Como podemos mudar esse quadro?


O que Fazer?
       Os evangelhos relatam que Jesus tinha compaixão das multidões (Mateus 9:36; 14:14; Marcos 6:34; Lucas 7:13); Ele Se importava profundamente com as pessoas. Então, como poderíamos nós, cristãos, ignorar o sofrimento dos outros? Alguns questionam se é possível fazer alguma diferença, individualmente ou como igreja, se às vezes o sofrimento dessas pessoas é tão intenso e, aparentemente, irremediável.

       Aqui está um excelente exemplo de intervenção positiva:
       Em 2005, a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) iniciou um programa chamado "Proteja as Meninas". Ele tem como objetivo não apenas oferecer abrigo para meninas em alto risco, mas também disponibilizar o acesso ao estudo a um número significativo de crianças e jovens, diminuindo assim sua vulnerabilidade para o tráfico sexual. O programa ainda aumenta a oportunidade de elas encontrarem emprego ao desenvolver suas habilidades para trabalhar em pequenas empresas, além de conscientizar a comunidade contra o tráfico humano.
       A sede do Proteja as Meninas está localizada na província de Chiang Rai, num prédio antes usado para escritórios. Ali é também o lar de cerca de trinta meninas. Elas estão lá por vários motivos: suas famílias são pobres; meninas não têm o mesmo valor que crianças do sexo masculino; sofreram ou correm risco de sofrer abuso sexual; foram abandonadas por pais, madrasta ou padrasto; ou a menina é órfã. A educação é o maior componente do programa Proteja as Meninas. Frequentemente, as meninas vulneráveis abandonam a escola porque a família não pode mantê-las ou precisa de seu trabalho para melhorar a renda familiar.

Colhendo os Resultados
       Neste ano, os objetivos do Proteja as Meninas foram alcançados de várias formas. Desde 2005, noventa meninas foram ajudadas com apoio educacional. Atualmente, 59 recebem bolsa de estudos. Quando as visitei nas escolas, em setembro passado, fiquei emocionada e contente ao ver seus planos. "Quero ser musicista", "Eu serei médica", "Eu vou ajudar a outras pessoas a ter sucesso na vida." Essas foram algumas das respostas dadas quando fiz a costumeira pergunta dos adultos: "O que você quer ser quando crescer?"
       O abrigo começou com sete meninas. Desde então, 49 já foram auxiliadas e, no momento, moram ali 29 garotas. Quase todas se tornaram exemplos de sucesso; apenas umas poucas desistiram e voltaram para casa, para um futuro incerto. As meninas vão à escola, participam da igreja com entusiasmo e estão engajadas num estilo de vida familiar que as estimula a desenvolver autoestima e confiança para enfrentar o futuro.
       As garotas que recebem assistência educacional são capacitadas a encontrar emprego fora da indústria sexual. Com o tempo, serão as vozes mais ativas na defesa de outras meninas em risco. Por meio desse programa, as comunidades estão se conscientizando do perigo da prostituição infantil. Mais importante ainda, as próprias meninas aprendem quais são seus direitos, quais as consequências de trabalhar no comércio sexual e onde podem procurar ajuda.


De Olho no Futuro
       O que o futuro reserva para o Proteja as Meninas e para as garotas do norte da Tailândia? Existem planos de expandir o projeto, aumentar o número de meninas na escola, e conscientizar as famílias e comunidades. Outro plano é construir uma residência permanente e mais adequada em uma área rural, onde as meninas possam desenvolver atividades para o autosustento. Os recursos são limitados, mas a visão determinada e o compromisso estão presentes nos idealizadores do programa e naqueles que colaboram com donativos para ajudar a realizar esses sonhos.
       Proteja as Meninas é apenas uma das inúmeras formas de melhorar a vida de pelo menos uma pessoa no mundo. Mas... isso é de nossa responsabilidade? Devemos fazer algo por essas pessoas? A resposta é "Sim!" Devemos ajudar de todas as formas possíveis. O próprio Jesus teve compaixão quando viu o sofrimento das pessoas em Seu tempo. Como podemos deixar de fazer o mesmo?

O Resto da História
       Lin é uma das muitas meninas que tiveram sucesso. Não apenas foi possível que ela terminasse o ensino fundamental, mas fez um curso profissionalizante e formou-se em contabilidade. Hoje, aos 22 anos, Lin trabalha como assistente no escritório do Proteja as Meninas, na Tailândia. "Estou muito feliz porque agora posso trabalhar para a Adra e ajudar as meninas da Tailândia a escapar da triste vida que muitas de minhas amigas tiveram" disse Lin. "O centro criado pela Adra é muito importante para essas garotas. Elas têm sorte de estar nesse lugar. Se não fosse pelo Proteja as Meninas, nem quero pensar onde elas estariam."

       O amor de Jesus nos motiva a lutar contra todo tipo de crueldade e a promover a dignidade de cada indivíduo. Realmente, é muito elevado o número de pessoas em situação de risco ou necessidade, mas se apenas uma pessoa - como Lin - for ajudada a escapar dos horrores do tráfico e a viver uma vida digna e feliz, já valeu a pena o esforço. Façamos tudo o que pudermos para proteger essas meninas.

Ulya Wagner é diretora dos Serviços Filantrópicos para Instituições, na sede da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Silver Spring, Maryland, EUA.
       Para mais informações, acesse www.adrathailand.org/keep-girls-safe.
       Hearly Mayr, diretor de conscientização pública da ADRA, e Julio Muüoz, chefe da agência de marketing e desenvolvimento da ADRA, também contribuíram para este artigo.
       Artigo da Revista Adventist World, Julho 2010.

PROJETO  QUEBRANDO  O  SILÊNCIO

Aprenda e Ensine outros com o Projeto Quebrando o Silêncio
da Igreja Adventista do Sétimo Dia

http://quebrandoosilencio.org/release/



"Quatro anos no inferno da prostituição infantil em Banguecoque. Crianças raptadas, espancadas e violadas em bordéis, a brutalidade dos proxenetas, o cinismo dos pedófilos, a violência, a pobreza e a morte são exemplos de cenas retratadas neste livro. Marie e Jean vão para Banguecoque numa missão de salvamento de crianças prostituídas diariamente. Ao longo do ano, na Europa e na América, há indivíduos que compram um bilhete de avião para Banguecoque com um único intuito: desfrutarem de corpos de rapazes ou raparigas, de 10 anos de idade ou até menos. Isto acontece todos os dias. Patchara, Lao e Sonta são crianças que os dois amigos conseguem salvar após muito sofrimento e peripécias, embora Sonta e Patchara já tenham morrido de SIDA e Lao esteja em tratamentos.

"Um livro que nos faz sentir os piores horrores alguma vez imaginados: choque, violência, medo, raiva, revolta, angústia. Damos por nós a imaginar os choros, os medos, os gritos, a fome e muito mais. Apesar de ser um livro terrivelmente aterrorizante, está muito bem escrito e ajuda-nos a ver que apesar de ser impossível acabar com este mal, podemos sempre ajudar a salvar uma pequena percentagem de crianças abusadas. ...

Joana Oliveira Nº13 10ºA, Publicado por Ler na Cidadela." - Clique nas imagens para conseguir ver e ler.

(Aos poucos também consegui ler este livro, muito bem escrito, mas extremamente chocante, tremendamente doloroso. Com pessoas que têm prazer em fazer mal aos seus irmãos, filhos do mesmo Deus... Como é possível! É insuportável sentir a dor dos inocentes, enganados, pobres, explorados, que têm de sofrer às mãos dos que são muito ricos em dinheiro, mas em caráter parece que muito 'pobres'...
Muitas paragens precisei para chorar, clamar a Deus para agir, acalmar a raiva... E também quanto desejei fazer algo para ajudar a acabar com este mal satânico que tanto faz chorar as pessoas sensíveis, quanto mais a Deus! Como desejo que Jesus venha muito breve, para pôr fim a esta escravidão humana, insuportável!
O livro relata coisas inimagináveis que só poderiam passar pela cabeça de seres realmente muito 'pequeninos'... Se não conhecesse a Bíblia, esta vida seria uma angústia, o inferno que já é para alguns... Mas, graças a Deus, que Ele na Sua Palavra nos diz que fará justiça e nos garante um FINAL FELIZ! EE)

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E agora, se ainda aguentar... pode ler "O estupro da menor e o mundo violentado" no Blog Criacionismo - links 1 R, postado a 27 de maio de 2016 onde, tal como o autor diz:

"A verdade é que todos somos vítimas de uma tragédia chamada pecado, que só vai terminar quando seu originador e seus aderentes forem destruídos para sempre. Até lá, infelizmente, muitas notícias terríveis irão nos deixar alarmados e nos lembrarão dolorosamente de que nosso lar não é aqui, onde mulheres e crianças são tratadas como objetos de prazer para ser desfrutadas por arremedos de humanidade no coração dos quais o amor já foi embora faz tempo.
Vem logo, Senhor Jesus!
Michelson Borges".

   

(Veja a solução, aqui neste mundo, em Leituras para a Vida, 04.06.2016)

domingo, 15 de maio de 2016

ENFRENTAR A DOR


"A Dor é Para a Humanidade uma Tirana Mais Terrível do que a Própria Morte."
Albert Schweitzer



(clique nas imagens para poder ler)

2 - PRECISAMOS DE EXPRIMIR O NOSSO SOFRIMENTO

"Deem Palavras à Dor."1 Shakespeare

       - Não tenho palavras para exprimir a dor que sinto...
       Assim começam muitas das mensagens de pêsames que recebemos ou enviamos. Perante a dor, quer se trate da perda inesperada de um bebé em gestação, ou de qualquer outra desgraça, ainda que previsível, parece que ficamos sem palavras. Não é fácil exprimir o que sentimos quando ficamos a saber que detetaram um cancro a um amigo. Ou quando um acidente estúpido deixa mutilado um jovem vizinho, ou um conhecido foi vítima de um atentado... Uma necessidade imperiosa impele-nos a manifestar os nossos sentimentos de pesar, nessa mistura tão difícil de formular, em que as nossas emoções se confundem com sentimentos de raiva ou impotência.
       Se não é fácil assumi-la, parece ainda mais difícil calar a dor. Dir-se-ia que temos uma necessidade básica de expressá-la, ainda que não saibamos fazê-lo. Desde que chega ao mundo, as primeiras manifestações do recém-nascido são gritos de protesto, de rutura, de medo, talvez. Aquele que sofre, não importa a sua idade ou situação cultural, tem de o dizer, queixando-se ou chorando a sua dor.
       Contar as suas aflições ou escrevê-las para se sentir ouvido, falar das suas doenças ou operações, faz parte de uma verdadeira terapia. Quem é que nunca notou as expressões de satisfação ou alívio que se espelham no rosto de senhoras idosas enquanto falam a outras das suas operações, dos seus partos ou das suas doenças?!
       No entanto, muitos de nós fomos educados de forma a rejeitar os melhores canais para dissipar a dor. Não nos souberam dizer atempadamente que as simples lágrimas são um inegável alívio. E assim são inúmeros os que passam pela vida sem sequer se atreverem a revelar as suas aflições a quem o deveriam ter feito. Pelo seu temperamento, pela educação recebida, acreditam que expor a outros os seus problemas é uma debilidade. Ou, por causa da natureza dos seus sofrimentos, têm vergonha de os revelar. Ignoram que partilhar com alguém de confiança aquilo que se sente pode ajudar a ver de maneira mais clara e a livrar-se da angústia. Sobretudo se se trata de um profissional, capaz de nos proporcionar soluções para a nossa situação.
       O simples facto de sermos escutados e de nos vermos espelhados nos relatos de sofrimentos alheios, como acontece nos grupos de apoio, ajuda a sentirmo-nos menos isolados e a compreendermos melhor a nossa situação. Ao tomarmos consciência de que outros partilham a mesma situação, e até sofreram e lutaram tanto ou mais do que nós, torna-se mais fácil relativizarmos a nossa dor e suportá-la. Na realidade, "as pessoas que não conseguem exprimir a sua aflição, correm o perigo de ser destruídas por ela (...). Sem a possibilidade de comunicar com outros não há mudança possível. Emudecer, fechar-se a qualquer relação, é a morte."2.

Atreve-te a Chorar
       Quando as emoções nos sufocam, por vezes não podemos conter as lágrimas. Ainda que a tradição nos lembre, em muitos lugares, que "os meninos não choram" (como cantava Miguel Bosé), todos os seres humanos, incluindo os rapazes, sentem, nalgum momento, a imperiosa necessidade de chorar.
       É verdade que, nalgumas sociedades, os cavalheiros que não conseguem reprimir as lágrimas em face da dor ainda são considerados fracos ou pouco homens. Mas as atitudes estão a mudar, e hoje vemos cada vez mais homens que se atrevem a chorar em público, coisa que seria impensável há tão-somente poucos anos. Aí estão, por exemplo, alguns tão valentes e másculos como os bombeiros voluntários no Haiti, ao resgatarem um menino dos escombros do terramoto (2010); o futebolista Iker Casillas, ao ganhar o Mundial da África do Sul nesse mesmo ano; o ator Javier Bardem, ao receber o Troféu de Prata em 1994; ou o tenista Roger Federer, ao perder o Open da Austrália em 2009. De dor, de pesar ou de alegria, todos necessitamos de chorar em alguma situação. Alguns aguentam-se, outros não o conseguem.
       Chorar é natural, e faz parte da linguagem corporal para exprimir as nossas emoções extremas. A nossa reação perante a necessidade que sentimos de chorar é cultural, e depende em grande medida da educação que recebemos.

A Linguagem da Dor
       A linguagem da dor é complexa e ambígua. Se, por um lado, nos impele a queixarmo-nos, dá-se o paradoxo de que, quando temos de explicar o sofrimento, poucos sabemos fazê-lo, inclusivamente os que mais padecem. A resposta à dor é, em grande medida, aprendida. Depende muito do contexto pessoal e da cultura. Assim, o grande tenista Rafael Nadal, depois de travar uma partida épica contra o não menos famoso Novak Djokovic, declarava ter "desfrutado enquanto sofria."3
       Durante milénios a linguagem da dor esteve ligada a noções religiosas e filosóficas. Mas, a partir do surgimento da medicina científica, a sociedade ocidental refere-se às suas moléstias em termos cada vez mais seculares. Perante a doença, a dor e a morte, um grupo cada vez maior dos nossos contemporâneos já não recorre à espiritualidade, mas dirige-se, exclusivamente, à Ciência e aos serviços públicos, em que depositam a confiança que lhes resta. Ao auxílio espiritual inegável da meditação ou da oração, preferem soluções técnicas imediatas. De maneira que a gestão dessas realidades tão pessoais está a passar da área existencial para a área assistencial, como se fossem, em primeiro lugar, responsabilidade da segurança social.
       Noutras épocas ou latitudes, todos tinham de conviver com velhos, doentes e moribundos. No nosso ambiente, o cuidado ao sofredor tornou-se tão social e técnico que a maioria dos nossos concidadãos quase não tem contacto com os derradeiros dias de vida até que sejam diretamente afetados por eles. Os hospitais e as agências funerárias mantêm os doentes e os mortos longe dos vivos e dos saudáveis. Uma das consequências mais imediatas é que, hoje, muito poucos dos nossos contemporâneos estão emocionalmente preparados para o encontro pessoal com o sofrimento, e possuem ainda menos a linguagem adequada para exprimir a sua dor ou para comunicar com os que sofrem. Não sabemos o que dizer em situações dolorosas, pela simples razão de que nunca nos confrontámos com elas, e, através da tradição familiar, não aprendemos o que fazer nesses casos.
       Nem sequer a terminologia médica consegue exprimir devidamente o nível experiencial da dor. Não sabemos como descrever o nosso próprio sofrimento, e, quando o tentamos, descobrimos que frequentemente não vamos além de uma comunicação superficial, porque desconhecemos a linguagem apropriada. Praticamente ninguém fala dessas coisas numa sociedade que mantém a ilusão de que tem direito a que qualquer sofrimento lhe seja evitado. Isto aumenta o sentimento de incompreensão por parte dos que sofrem, inclusivamente em relação às pessoas em quem confiam.
       Na ida ao médico, este usa uma terminologia científica que deixa o paciente insatisfeito, porque não a compreende, mas que protege o profissional das perguntas incómodas do doente e da sua família, se passarem para perguntas existenciais profundas, para as quais não costuma ter respostas.
       Isso faz com que a crescente confiança na Ciência seja acompanhada, ao mesmo tempo, de um temor crescente perante os efeitos da doença e perante o poder dos profissionais de saúde. De maneira que a dor não só nos encerra num sentimento de impotência, mas também nos deixa frequentemente sem palavras. E esse silêncio acrescenta à nossa aflição o peso da solidão.

O Direito a Ser Felizes
       A situação complica-se na nossa sociedade porque esta nos convenceu de que todos teríamos de ser felizes. Ainda que ninguém nos garanta o direito à felicidade, são muitas as instâncias que nos bombardeiam com a publicidade de que a satisfação está ao alcance de todos, imediatamente, e com um esforço mínimo. Mas uma coisa é ter direito a buscar a felicidade e outra é pretender consegui-la, sem qualquer dificuldade, como comprando um carro, uma casa, ou celebrando um contrato de uma apólice de seguros. A realidade nem sempre se molda aos nossos desejos. E fazer depender a nossa felicidade das coisas que temos ou das pessoas que nos rodeiam é uma triste quimera. Por muito que umas e outras possam contribuir para os nossos estados de ânimo, tratando-se de vivências subjetivas, as raízes da felicidade continuam ligadas às nossas atitudes, ao nosso interior.
       Isto explica que, embora conseguindo evitar muitas aflições, continuemos a sentir-nos infelizes. Não sofrer não significa ser felizes. Os nossos inevitáveis desencontros com a realidade envenenam a nossa existência, devastando as pequenas parcelas de felicidade passageiras e efémeras - que estão, no entanto, ao nosso alcance. Demasiadas vezes "os factos não são os responsáveis pelo nosso mal-estar, mas sim a interpretação e a atitude que tomamos perante eles".4
       Para evitar muita da infelicidade evitável "teríamos que aprender a aceitar as coisas tal como nos surgem, e os outros como eles são".5 Aceitar não quer dizer resignar-se à realidade, mas sim reconhecer a sua existência, e reagir de forma inteligente e positiva perante ela. Viver não é um assunto fácil. Por isso, em vez de temer que a nossa felicidade se acabe, convém temer que nunca comece. Alguém disse, com uma pitada de humor, que "olhar o lado bom da vida faz mal à vista". Assim, tendo em conta a grande porção de dor que já existe no mundo, a nossa melhor opção é olhar mais para os aspetos positivos, tentar ajudar e inclusivamente sorrir - sendo possível -, ainda que estejamos feridos. Porque cada minuto perdido em pensamentos negativos é um minuto de vida não recuperável.

Sofrimento Criador?
       Não quer dizer que a infelicidade seja boa em si mesma, mas que podemos fazer-lhe frente de formas mais positivas e inteligentes do que outras. Stefan Zweig foi sem dúvida muito categórico ao afirmar que devemos tudo à dor: "Toda a Ciência vem da dor. O sofrimento procura sempre a causa das coisas, enquanto o bem-estar incita à passividade e a não olhar para trás."6 Sem ir tão longe, é necessário reconhecer que pelo menos uma parte essencial da literatura universal surge da necessidade de exprimir o drama humano ou de o superar. O Diálogo de um desesperado com a sua alma (Egito, 2000 a.c.) já dizia: "Com quem posso desabafar hoje? A angústia afoga-me. Nem sequer o silêncio me quer escutar. Talvez o meu único confidente seja a morte..." (quantas consultas nos c. de saúde são apenas para desabafar... e eu compreendo! EE).
       Os mais belos poemas costumam ser os mais desesperados. A força da tragédia grega reside precisamente em ter dado expressão ao drama que se produz em cada ser humano que se confronta com o seu inevitável destino mortal (este é o maior drama... se não se conhece e lê a Bíblia!), perante o qual se rebela e do qual se sente simultaneamente vítima e culpado. Nos seus conflitos, ruturas e angústias, o amor e o sofrimento cruzam-se ao mesmo tempo como causa e efeito. Grande parte das obras literárias expressam a luta do homem contra a adversidade, e os seus interessantes esforços para verbalizar a sua dor, compreender o seu sentido ou superá-la de alguma maneira.
       A literatura bíblica, profundamente enraizada na nossa cultura, continua a proporcionar consolo na aflição, porque contém alguns dos mais vigorosos testemunhos perante a dor. Como disse Pascal, "Salomão e Job conheciam e exprimiram melhor do que ninguém a miséria humana: um na prosperidade (ver Eclesiastes) e outro na adversidade. Um experimentando a ilusão dos prazeres e outro suportando a realidade do sofrimento."7 O livro dos Salmos contém 150 orações, umas "de orientação" e outras, as mais numerosas, "de desorientação",8 quer dizer, de queixa, lamento e protesto sobre as veleidades da vida. Meditar ou orar com esses Salmos faz-nos bem, porque ajuda a verbalizar aquilo que nos dói, a partir da experiência de quem se sentiu escutado e recebeu consolo nas suas aflições.
       Na realidade, no mundo da Arte, são escassas as criações francamente alegres. A arte da comédia e o riso camuflam, com frequência, mímicas de dor. Por exemplo, diz-se de Quixote, muito acertadamente, que "ao acabar de rir, se deveria chorar". Afirmou-se que os grandes artistas são seres "amaldiçoados pelo sofrimento" e que alguém que não sofreu não tem nada para dizer.
       De facto, muitos artistas fizeram-se porta-vozes do sofrimento, atribuindo-lhe uma função catalisadora na sua criação artística. Algumas das mais sublimes obras de Arte foram inspiradas nele.
       A sensibilidade - qualidade fundamental do artista - ou o faz sofrer mais do que a outros ou capacita-o para exprimir a sua dor com maior emoção.
       Ainda que pareça exagerado, a verdade é que, percorrendo, ao acaso, a lista dos maiores artistas da História, começando pelos músicos, esta tese parece confirmar-se. Johann Sebastian Bach ficou órfão aos 10 anos. Mozart morreu de doença e na miséria aos 35 anos. Beethoven, neto de uma demente, filho de um alcoólico e de uma criada, escreveu, no entanto, a sublime Pastoral. Debussy, de gosto tão refinado, foi criado num bairro dos mais problemáticos, a golpes de chicote, com uma mãe que tinha, entre outras taras, uma mão bem pesada.
       Edgar Poe, que perdeu a sua mãe aos três anos, escreveu: "Nunca amei sem que a morte misture o seu sopro com o da beleza." R. M. Rilke, nas suas Cartas a um jovem poeta (escritas quando ele tinha apenas 27 anos, e o seu destinatário 20) escreve que "o artista criador é em si mesmo um mundo no qual deve encontrar tudo. Eu aprendo isto todos os dias, aprendo-o à custa de sofrimentos relativamente àqueles para com os quais não posso mais nada do que sentir gratidão (...). Quanto mais tristes, silenciosos e pacientes nos sentimos, mais profundamente penetra em nós tudo o que há de novo (...). Porque queres excluir da tua vida toda a perturbação, toda a dor ou melancolia, se não sabes em absoluto o que esses estados de ânimo acrescentam ao teu trabalho?" Mais tarde acrescentará que "cada um tem o direito à sua morte", afirmação que é quase profética para alguém que morreu prematuramente como resultado de uma ferida causada por um espinho de rosa...9
       Vincent Van Gogh, o pintor "maldito", de sensibilidade doentia, acabou por perder a razão, lutando desesperadamente contra a demência. Depois de pintar sem nenhum êxito nem reconhecimento, dia e noite, até um quadro por dia, conheceu a automutilação, o internamento definitivo e, finalmente, o suicídio, aos 37 anos, não tendo vendido nem sequer um lenço em toda a sua vida. Em 1888, dois anos antes da sua morte, escrevia desde Arles ao seu irmão Theo, que o sustentava, para que continuasse a pintar: "Sinto-me demasiado débil para lutar contra as circunstâncias. Necessitaria de ser mais sábio, mais rico e mais jovem para triunfar. Felizmente para mim, já não me importa o triunfo, e na pintura só procuro a força para sobreviver..."10
       Edvard Munch, o grande pintor norueguês da angústia, escreveu o seguinte: "Doença, Loucura e Morte são os anjos que velaram sobre o meu berço e que me acompanharam ao longo de toda a minha vida. Eu soube bem cedo que a minha vida não seria nada mais do que sofrimento e tormentos (...). O meu pai castigava-nos frequentemente com uma violência demente (...). Desde menino vivi, como as mais torturantes injustiças, a ausência da minha mãe, a minha falta de saúde e a ameaça constante dos castigos do inferno."11
       Nijinski, o grande génio da dança, para poder estudar e seguir em frente, viu-se forçado a sucumbir aos 16 anos às exigências sexuais de Diaghilev, diretor dos famosos ballets russos. A sua curta vida profissional, que terminou com a demência, foi ensombrada pelo medo e pela miséria. Antes de morrer, escreveu, no seu Diário: "Vivo, logo sofro. Mas raramente se viram lágrimas no meu rosto: a minha alma teve de as engolir todas."
       A angústia e a inquietação podem, com efeito, favorecer a criação, porque os artistas, sendo mais sensíveis do que o comum dos mortais, sublimam a dor que sentem nas suas obras. A Arte ajuda-os, como uma terapia, a superar circunstâncias particularmente adversas. Uma personalidade criativa encontra novos meios de expressão, até para a dor. Por outro lado, os artistas sofrem o conflito entre a realidade imperfeita em que vivem e a criação maravilhosa que desejariam produzir. Criando, constroem pontes entre esses dois mundos. Perante os horrores da dor, e no, seu admirável empenho em não se deixarem destruir por ela, não é de estranhar que os artistas sintam a imperiosa necessidade de criar beleza. Mas não há dúvida de que as obras-primas surgem mais do talento do génio do que das suas desventuras.

Referências:
1. "Deem palavras à dor. A desgraça não falada murmura desde o fundo do coração que já não aguenta mais, até que o parte" (Shakespeare, Macbeth).
2. Dorothee Sölle, Suffering, Filadélfia: Fortress Press, 1975, p. 76.
3. In J. J. Mateo, "Sangram-te os dedos e desfrutas do sofrimento", EI País Semanal, 30.01.12, p. 43.
4. Borja Vilaseca, "O que preciso de receber dos outros para ser feliz?", EI País Semanal, 10.01.10, p. 68.
S. Idem.
6. Stefan Zweig foi um escritor austríaco que viveu entre 1881 e 1942.
7. Pascal, Pensamentos, § xv.
8. W. Brueggerman, The message of the Psalms, Minneapolis: Augsburg Fortress, 1984, pp. 51 e 52.
9. Citado por Reine Caulet, "Je crée donc je souffre", dossier Douleur, pp. 35 e 36.
10. Antonio Rabinad, Cartas a Theo, Barcelona. Paidós Estética, 2004, p. 395.
11. Idem, p. 35.


ENFRENTAR A DOR

INTRODUÇÃO: UM INIMIGO OMNIPRESENTE

     Existem poucas experiências humanas que sejam tão universais como a dor. É praticamente impossível passar pela vida sem sofrer alguma falta de saúde, sem ter algum acidente, sem que uma amizade ou um amor nos falhem, e sem que algum dos nossos entes queridos morra.
     Basta-nos existir para que soframos e causemos sofrimento. Desde Adão até ao último recém-nascido, e desde Job e Jesus até ao soldado menos conhecido da guerra mais remota, todos levamos a sombra da dor colada à nossa. Por melhor que programe a sua vida, ninguém está ao abrigo do sofrimento. Todos estamos expostos a ele, de uma maneira ou de outra, desde os primeiros dentes de leite até aos últimos achaques da velhice. Doença, decrepitude, remorso, angústia existencial, mal de amor... Se alguém pretende nunca ter sofrido, é porque perdeu a memória.
     Sob inúmeras formas - aguda, violenta, surda, lacerante, tenaz - a dor deteriora o corpo e oprime o espírito. Abunda na vida do pobre e arruína a vida do rico. Faz chorar o menino, mutila o corpo do jovem, marca o rosto do adulto e encurva as costas do idoso. Desde o berço até à tumba, o sofrimento é o nosso implacável verdugo. Trabalho e prazer, dependência e liberdade, virtude e vício, amor e ódio, tudo nos pode fazer sofrer. A dor faz parte da condição humana.1 Poderíamos dizer que deixamos de ser crianças quando descobrimos que o beijo da nossa mãe não cura, de maneira alguma, a nossa ferida...
     Basta abrir um jornal, dar uma volta pelos corredores de um hospital ou visitar qualquer cemitério para comprovar que esta é a realidade da vida. O sofrimento assola-nos e assombra-nos.2 Enquanto redigia este livro, uma vintena de pessoas das minhas relações viram-se envolvidas em sofrimento intenso, e dez já faleceram. Uma delas era o meu pai...
     Perante esta realidade implacável, o nosso instinto vital revela-se e rebela-se de mil e uma maneiras. Qualquer ponta de dor põe em alerta os sensíveis mecanismos de defesa com que o nosso organismo está equipado. Como Ponce de León,3 buscamos a fonte da felicidade - da eterna juventude - em prazeres, medicamentos, terapias, tratamentos, e mil e uma outras práticas... mas não a encontramos em parte alguma. O risco - e a certeza - de sofrer e morrer prevalecem sobre os nossos ilusórios sonhos. Procuramos deixar de lado ou combater ambas as realidades, mas só nos resignamos a assumi-las quando não temos outro remédio.
     A questão do sofrimento é tão ampla e complexa que seria pretensioso querer abarcar todas as suas dimensões num trabalho como este. Aqui limitamo-nos a evocar alguns dos aspetos mais práticos das suas facetas psicológica, social, assistencial, filosófica e espiritual. Apesar de tantos milénios de tirania, o reino da dor não está minimamente explorado.

     Este livro tem o propósito, com toda a modéstia, de ajudar ao que não é especialista na matéria a enfrentar a sua própria dor com dignidade e realismo. Na primeira parte, de natureza informativa, apresenta uma tomada de consciência sobre a complexidade do assunto e das suas diversas implicações. Na segunda parte da obra, expõe-se uma série de reflexões teórico-práticas, visando compreender o porquê último do sofrimento e desvendar o seu sentido. A terceira parte, pensando no Leitor não profissional, utiliza recursos simples para encarar o sofrimento alheio com solidariedade, eficácia e tato. Em primeiro lugar, para procurar evitá-lo; e quando isso já não é viável, para contribuir para o seu alívio. Em última instância, trata-se de ajudar a combater e a lidar com a realidade da dor até onde seja possível.

     Reconheço que não sou um especialista na matéria. Não tenho dúvidas de que, pela sua experiência pessoal ou profissional, muitos dos meus Leitores a conhecem melhor do que eu. Atrevo-me a escrever tão só na qualidade de testemunha, quase como "sujeito passivo". Se a minha natureza otimista tende a afastar-se da dor, a minha formação filosófica e, sobretudo, a minha experiência pessoal e pastoral, sensibilizaram-me de forma irreversível perante este sombrio hóspede da vida.
     Custou-me muito mais escrever este livro do que todos os anteriores, e sem dúvida de que este nunca teria visto a luz do dia sem a colaboração de um extraordinário grupo de pessoas que me são especialmente queridas. Em primeiro lugar, os meus agradecimentos vão para os meus amigos médicos, José Manuel Prat, Miguel Garcia Antequera, Marcelle Lafond e Caleb Mercier, que tiveram a gentileza de rever estas páginas do ponto de vista profissional, e que me proporcionaram conselhos muito valiosos que vão para além das suas respetivas especialidades. A minha gratidão dirige-se igualmente ao meu apreciado colega Roberto Carbonell, capelão hospitalar, confrontado diariamente com o sofrimento e a morte, por me oferecer gentilmente os seus testemunhos pessoais; a Santiago Górmez, pelas suas reflexões inteligentes e sensíveis sobre um tema do seu particular interesse; a José Álvaro Martín, pelo seu contributo do ponto de vista do filósofo; a todos os meus jovens amigos que partilharam comigo as impagáveis contribuições dos seus talentos criativos; a todos os que contribuíram nesta edição em Português. E uma vez mais, a Marta Prats, pela sua valiosa assessoria literária e pelo seu apoio incondicional de sempre.


     Escrevo esta obra por solidariedade para com os que sofrem, mas, mais do que pelo sentido do dever, quase diria "em legítima defesa",4 motivado pela minha própria recusa e impotência diante da sua dor e da minha. Para aliviar a sua carga e responder a algumas das perguntas com as quais nos confrontamos todos durante a nossa vivência comum: Até onde é que é possível dominar a dor? O que é que podemos fazer para compreendê-la ou aprender a controlá-la? Como transcendê-la a fim de colocar este agente da morte ao serviço da vida?

     E, enfim, junto com León Gieco:

              "Só peço a Deus
              Que à dor não seja indiferente,
              Que a ressequida morte não me encontre
              Vazio e só, sem ter feito o suficiente."


O Autor

Referências:
1. "A vivência humana mais primária (...) é a dor (Reinaldo Bustos, "Antropologia del dolor", Diccionário latinoamericano de bioética (ed. J. C. Tealdi), Bogotá: Unesco/Universidad de Colombia, 2008, p. 60). "A realidade humana, está por natureza condenada ao sofrimento" (Jean-Paul Sartre, O Ser e o Nada). "Imaginemos uma quantidade de homens algemados e todos condenados à morte, todos os dias uns são degolados à vista dos outros, os que ficam veem na condenação dos seus semelhantes a sua e, olhando-se uns aos outros com dor e sem esperança, esperam a sua vez. É esta a imagem da condição dos homens" (Blaise Pascal, Pensamentos, § CXIX).
2. Ver Paul Heubach, The Problem of Human Suffering, Hagerstown (Maryland, USA): Review and Herald, 1991, p. 4.
3. Juan Ponce de León (1460-1521), foi o primeiro Governador de Porto Rico e o descobridor da Florida (hoje Sudeste dos Estados Unidos). Segundo a lenda, nas suas viagens procurava a fonte da eterna juventude.
4. Ver Roland Dunn, Quand le ciel est silencieux, Marne-la-Vallé (França): Farel 2003, p.23.

ESTIMADOS AMIGOS

Tenho muito prazer em vos dizer que podeis receber - gratuitamente - um exemplar deste livro (com 280 páginas!...) acima apresentado - "Enfrentar a Dor". Como médica reconheço a necessidade de um livro deste género para o público em geral. Para ajudar as pessoas a lidar com a inevitável DOR em alguns dos "aspetos mais práticos das suas facetas psicológica, social, assistencial, filosófica e espiritual." Muitas consultas médicas seriam evitáveis depois dele ser lido! E mais seguro se ficaria com os seus excelentes conhecimentos práticos.
Está dividido em 3 partes (Tomar Consciência, Reflexão, Apoio) e 15 Capítulos. Não perca este livro de modo nenhum! Conselho de profissional e com longa experiência...

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pois são todos magníficos! EE)

domingo, 1 de maio de 2016

DIA DA MÃE



Uma das mais belas homenagens é a que se presta às mães, no segundo domingo
de maio
(no 1º domingo em Portugal).
Mãe - quanta tinta já não foi usada para descrever esta palavra!

     Tudo começou com Anne Jarvis. No dia 9 de maio de 1906, essa moça perdera a mãe, a quem muito amava. Ao comemorar o primeiro aniversário da morte de sua genitora, Anne lhe prestou sentida homenagem. Entretanto, achou que todas as mães, vivas ou mortas, deveriam ser homenageadas. Assim, tomou a iniciativa de escrever uma carta ao governador de West Virginia, Estados Unidos, sugerindo que ele organizasse anualmente uma comemoração especial em homenagem às mães. O Sr. William Glasscock gostou da ideia. Deste modo, já em 1910, baixou um decreto, instituindo oficialmente o "Dia das Mães", naquele Estado. E como homenagem a Anne, que dera a sugestão, o governador determinou que as comemorações se realizassem no segundo domingo de maio, data mais próxima da morte da mãe de Anne.
     Em 1914, a comemoração se havia estendido pelo país todo, levando o então Presidente Woodrow Wilson a baixar um ato, oficializando o "Dia das Mães" em todo o território norte-americano. Em 1918, a comemoração chegou ao Brasil, sendo realizada pela primeira vez em Porto Alegre, numa iniciativa de moças e senhoras, sob o patrocínío da Associação Cristã de Moços da capital gaúcha. Somente em 1932, o Presidente Getúlio Vargas baixou o Decreto-lei n.º 21.366, de 5 de maio, determinando a comemoração oficial do "Dia das Mães" em todo o País.

     A iniciativa é, portanto, louvável. E a homenagem, justa e merecida, visto que o papel desempenhado pela mãe é importantíssimo no contexto da sociedade humana.

Há, porém, MÃES e mães

- MÃES são aquelas que se preocupam com a transmissão da herança religiosa a seus filhos.
- MÃES são aquelas que educam a criança no caminho do Senhor, buscando na Palavra eterna as diretrizes para uma vida plena e útil.
- MÃES são aquelas que, de manhã e à noite, alimentam os filhos com o pão do Céu. Para elas, "o reino de Deus e a Sua justiça" têm primazia.
- MÃES são aquelas que, diante dos problemas da vida, dobram os joelhos para buscar a solução do Céu.
- MÃES são aquelas que, desprezando muitas vezes as delícias de um passeio ou qualquer outro entretenimento, ficam junto dos filhos para lhes amparar os passos neste mundo mau.
- MÃES são aquelas que se preocupam em viver de maneira simples e modesta, procurando dar um exemplo digno de imitação. São aquelas que, rejeitando os artificialismos tão em voga em nossos dias, se contentam com as graças da vida cristã.
- Enfim, MÃES são aquelas que, à semelhança de Joquebede (Êxodo 6:20) e Eunice (2 Timóteo 1:5), preparam os filhos para esta e para a vida vindoura.

     mães (com letras minúsculas) são aquelas que se relacionam com os filhos tão-somente por elos meramente físicos e materiais, sem nenhuma conotação moral e espiritual.

O mundo está cheio de "mães artificiais", produto de uma sociedade de consumo, massificadora.
O mundo, lá fora, está cansado de mães sem afeto, sem carinho, sem o temor de Deus, sem nada.
Mães que preferem uma vida existencialista. Mães que preferem o sabor de frutos proibidos.

O arraial de Deus não deve dar lugar a esse tipo de mãe.

     E o que diríamos da mãe ausente? É triste ver como muitas mães se afastam do lar, fugindo aos deveres domésticos e às responsabilidades para com os filhos! Pobres crianças!
     Todos sabemos que, nos primeiros anos, a criança assimila muito daquilo que lhe vai nortear o caráter através da vida. É nos primeiros anos que se lança a semente de uma personalidade sadia e consequente.

No arraial de Deus não deve haver mães negligentes quanto ao altar da família.

     Quanta mãe moderninha já não aposentou o estudo da Lição Bíblica e a leitura da Palavra de Deus!
     Muitas delas estão preocupadas com novelas e contos fantasiosos. "Já é hora de ir para a cama, menino" dizem muitas mães, mais interessadas no enredo da novela do que no diálogo com os filhos.
     Hoje em dia, quanta mãe preocupada com o "chá das cinco"! Quanta mãe interessada em conversas frívolas!

No arraial de Deus não há lugar para mães moderninhas, "pra frente", na "crista da onda".
Não, não há lugar.

     A verdade é que muitos filhos estão perdendo o contato com as coisas eternas porque muita mãe por aí, relegou para plano secundário a sua nobre missão no mundo. Muitos filhos teriam destino diferente, se as mães moderninhas deixassem de preocupar-se apenas com as sobrancelhas, com o esmalte das unhas, com os cosméticos.
     A maior herança que a verdadeira Mãe em Israel deixa para seus filhos, é a religião prática. A transmissão da herança religiosa está sofrendo descontinuidade em muitos lares, por causa de mães moderninhas.
     Mas temos, felizmente, muitas mães em Israel, ainda! Deus saberá recompensá-las. A Igreja também saberá apreciar-lhes o trabalho dedicado.
     Louvemos ao Senhor neste mês, exaltando a elevada missão das verdadeiras mães em Israel.

E Nós, Filhos, Saibamos Honrar Essas Autênticas Colunas da Igreja: as MÃES.

Rubens Lessa, Pastor, Editor, Escritor, in Revista Adventista, Casa Publicadora Brasileira, maio de 1977. (Isto foi escrito nesse ano... Veja o mundo como está hoje... Mas Deus Não Mudou! EE)

 

 

 

O PODER DAS MÃES

Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele. Provérbios 22:6

A psicóloga norte-americana Laura Schlessinger, em seu programa de rádio, contou a história de uma mãe que encontrou uma revista pornográfica escondida enquanto fazia faxina no quarto do filho adolescente. Mais tarde, assentou-se com o rapaz e, para horror dele, começou a virar as páginas. Uma a uma, ela passou a apontar as gravuras. "Esta menina é irmã de alguém", disse ela ao moço. "E esta é filha de alguém. É assim que você me imagina em meu quarto? É isso que você gostaria que sua irmã estivesse fazendo?" Quando terminou, ela tinha mudado a perspectiva do rapaz. Então ordenou que ele jogasse aquilo fora e o admoestou a nunca mais trazer aquele lixo para casa.
O que ela fez? Aquela mãe havia humanizado as mulheres naquela revista. Ela tentara dar outra face àquelas garotas. Ela buscara fazer com que o filho atribuísse certa medida de valor, dignidade e respeito àquelas mulheres, vendo-as como as pessoas por quem ele tinha respeito. De facto, ela dera às mulheres da revista mais dignidade do que elas davam a si mesmas.

Anos mais tarde, diz Schlessinger, o rapaz foi ter com a sua mãe e começou a narrar como, numa viagem com amigos da universidade, havia visitado um prostíbulo. Ela o interrompeu e disse com expressão séria na face: "Há coisas que uma mãe não necessita de saber." Mas o filho insistiu que havia algo que ele precisava de lhe contar. Ele contou como fora a visita ao lugar. Cada rapaz tomou uma garota. No quarto, ele observou que aquele aposento era decorado como quarto de menina, como o de sua irmã. Ele viu a fotografia de sua família na penteadeira, as fotos dela, de seus irmãos e pais nas paredes. De sua memória, emergiram as poderosas palavras da mãe, anos antes. "Esta moça é filha de alguém... irmã de alguém." Ele não pôde ficar naquele lugar por nem mais um segundo.

Mais tarde, no carro, quando os outros rapazes falavam da aventura, esse moço apenas contou o que a mãe lhe ensinara anos antes. "Mãe", disse o rapaz, "eles ficaram paralisados e, por um longo tempo, não disseram nem uma palavra." Aquela mãe havia gravado com ferro em brasa a consciência do filho, demonstrando-lhe que cada pessoa tem infinito valor, porque foi criada à imagem de Deus. Para Ellen White, depois de Deus, a influência das Mães para o bem é a maior força conhecida.


(Meditações Matinais, C.P.B., 11.5.2014)



ESSE HOMEM ÉS TU!

"David encheu-se de furor contra aquele homem e disse a Natan: 'Juro-te pelo Senhor, Deus vivo, que quem fez tal coisa merece a morte! Deve pagar quatro vezes o valor da ovelhinha, porque agiu sem ter mostrado nenhuma compaixão.' Então Natan disse-lhe: 'Esse homem és tu!'" II Samuel 12: 5-7, TIC (Tradução Inter-Confessional).

O Salmo 19 foi uma das passagens das Escrituras que aprendi de cor nas Classes Progressivas
(que saudades... EE), quando tinha doze anos. Hoje, mais de sessenta anos depois, a verdade é que ainda sou capaz de o recitar com admiração: "Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos." Havia no entanto, uma frase neste Salmo 19 que não consegui entender até ser Pastor: "Quem pode entender os seus próprios erros? Expurga-me Tu dos que me são ocultos." Cometemos erros que desconhecemos? Podemos ser responsáveis pelos pecados ocultos que se produzem sem que tenhamos plena consciência deles? De que está o Salmista a falar?

Não temos a certeza da data exata em que foram escritos certos Salmos, mas o 19 pode bem ser datado no tempo, logo após a visita que o profeta Natan fez ao rei David com o objetivo de lhe denunciar o seu grave pecado no caso de Urias, o heteu, cuja esposa, Batseba, David tinha tomado, ordenando depois a morte do soldado no campo de batalha. O sábio profeta contou ao rei uma parábola: um rico, que tinha muitas ovelhas para obsequiar e acolher um visitante, tinha-se apoderado da única ovelhinha de um cidadão pobre, o qual tratava dela com muito carinho. Quando o rei ouviu semelhante injustiça e desprezo, reagiu com grande fúria e condenou o transgressor como alguém digno de morte.
Houve então um momento de silêncio, e o profeta, apontando com o dedo para o rei, acusou-o: "Esse homem és tu!"

Nem sempre nos damos conta do que estamos a fazer. O pecado gera uma espécie de obscurecimento da consciência. Os pecados ocultos resultam de tendências internas incontroladas; são os pecados do hábito, aqueles que, apesar de graves, são tratados pela nossa consciência condescendente com uma enorme permissividade; pecados que justificamos quando são nossos, porque temos um véu nos olhos que nos impede de os reconhecer, mas que julgamos com dureza extrema quando são faltas alheias.
David compreendeu o profeta e arrependeu-se amargamente daquele pecado, cuja crueldade e malignidade tinham ficado suavizadas diante de si mesmo, mas não diante do juízo de Deus.

Pede, jovem, a Deus que te ajude a ser consciente dos teus pecados ocultos e arrepende-te deles. Encontrarás perdão em Jesus. Então, terás poder para enfrentar os desafios com que te deparas na vida.

Pastor Carlos Puyol Buil in Mas há um Deus no Céu, 30.04.2016, P. SerVir.
(clique na imagem para a aumentar)

ANO BÍBLICO: Adultos: II Reis 24 e 25; Juvenis: I Reis 21.

http://museudodesbravador.blogspot.pt/

quinta-feira, 7 de abril de 2016



Bons Velhos Tempos?
        Será que os "bons velhos tempos" eram realmente bons? Geralmente, pensamos que o período entre a segunda metade do século XIX e o começo do século XX, na América, era de tranquilidade, charme, encanto e passeios despreocupados de charrete pelos campos verdejantes. Entretanto, tente comprar manteiga ou "margarina" no armazém da cidade. O historiador Otto Bettmann descreve assim: "Os produtos de laticínio eram para os produtores do período vitoriano, uma ótima oportunidade de improvisar; era necessária muita imaginação, não escrúpulos ... Nos anos 1800, esses produtos eram vendidos pela respeitável quantia de 30 centavos o quilo, mas geralmente estava rançoso, e era uma mistura de caseína com água, ou de cálcio, gesso, gordura de gelatina e puré de batatas ...
        "As alternativas eram manteiga 'adulterada' ... banha de porco junto com todas as partes concebíveis dos animais que o matadouro não conseguisse transformar em dinheiro, processadas pelos fabricantes de óleo, em galpões imundos. Adicionavam alvejantes à mistura para dar ao produto a aparência de manteiga de verdade. Um empregado da fábrica de margarina em 1889 ... (ficou) 'com as mãos tão machucadas ... que suas unhas e cabelos caíram e ele teve que ser confinado ao Bellevue Hospital por debilidade geral'."
1
        As antigas casas das fazendas eram rodeadas por jardins de rosas, circundados de sujeira e adubo mal cheiroso que atraíam centenas de carrapatos, portadores de doenças, mosquitos e moscas. Os poços de água potável eram, quase sempre, próximos dos celeiros, currais, chiqueiros ou galinheiros, sem nenhuma drenagem. "A gordura da cozinha, dejetos das latrinas e o líquido infiltrado dos animais" contaminavam a água, deixando o ar extremamente malcheiroso.2
        Se você contraísse uma doença pelo ambiente sórdido, os médicos do meio do século XIX poderiam dizer que a causa da doença fora "muita vitalidade" e fariam uma sangria com sanguessugas.3 Numa nota no diário de Angeline Adrews, lemos: "Carlos Beeman morreu esta manhã ... Havia alguns dias, ele estava com a garganta inflamada. Ontem, a garganta foi lancetada e ele pensou que teria uma boa noite de sono. Jantou substanciosamente. Por volta das onze horas, sua esposa lhe deu uma dose de morfina, prescrita pelo médico. Imediatamente ele dormiu e nunca mais acordou."4
        Os bons velhos tempos eram, na realidade, terríveis!

Ellen White e a Mensagem de Saúde
        No dia 5 de junho de 1863, Ellen White participava de um culto, com um pequeno grupo em Otsego, Michigan, quando recebeu uma visão sobre saúde, durante 45 minutos. Quando lhe pediram que a explicasse, ela apenas disse que não entenderiam tudo de uma vez. Essa visão veio num tempo em que o fumo era usado como tratamento de infecção do pulmão; mercúrio e arsénico eram considerados tónicos de limpeza, e a luz do sol, durante o dia, e o ar fresco da noite, causadores de doenças.
        O historiador adventista Mervyn Maxwell faz essa descrição no seu livro Tell It to the World (Conte ao Mundo): "A visão falava contra o uso da bebida alcoólica, temperos fortes e sobremesas gordurosas. O tabaco foi denunciado como um 'veneno do tipo mais enganoso e maligno', e o chá e o café, como tendo efeitos 'similares aos do tabaco', mas em menor escala.
        "Foi mostrado que é muito prejudicial comer muito, mesmo bons alimentos, comer entre as refeições ou pouco antes de ir para a cama ... A visão indicou solenemente o 'alimento animal' (carne) como a principal causa do declínio da raça humana. A carne suína, em particular, foi condenada ...
        "Trabalhar demais foi apresentado como um grande mal ... Ellen White foi instruída a tocar o alarme contra o uso de 'drogas' - arsénico, estricnina, subcloreto de mercúrio, etc."
5
        Entre os conselhos positivos, estava: manter a residência limpa por dentro e por fora; iluminada pelos raios de sol e inundada por ar puro; alimentar-se com abundância de frutas frescas, vegetais, grãos e castanhas. Fazer exercícios, especialmente ao ar livre; cultivar uma atitude mental de gratidão, confiança em Deus e otimismo, segundo ela, são as maiores salvaguardas da saúde."6 Nutrir hábitos regulares, bons hábitos em relação ao sono e domínio próprio para a saúde, tanto física quanto mental, porque "alimentar-se e dormir em horários irregulares suga as forças do cérebro".7

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        A ciência mostra que tais conselhos, baseados na Bíblia e escritos há tantos anos, são igualmente relevantes hoje. Recentemente, o estilo de vida adventista foi notícia numa edição especial da National Geographic, destacando "Os Segredos da Longevidade": "A Igreja Adventista, nascida durante o período de reformas de saúde do século XIX, que popularizou o vegetarianismo organizado, os biscoitos integrais e cereais para o desjejum (John Harvey Kellogg era adventista quando começou a fabricar flocos de trigo) - sempre pregou e praticou a mensagem de saúde."
        "Ela proíbe, expressamente, o cigarro, consumo de álcool e o consumo de alimentos biblicamente imundos, como o porco
(já tem o nome, não é?... EE). Também desencoraja o consumo de outras carnes, alimentos gordurosos, bebidas cafeinadas e condimentos 'estimulantes'. 'A dieta escolhida por nosso Criador foi: grãos, frutas, castanhas e vegetais', escreveu Ellen White ... Os adventistas também guardam o sábado, desfrutando de um tempo sagrado que ajuda a aliviar o stresse. Hoje, a maioria dos adventistas segue o estilo de vida prescrito - um testemunho, talvez, do poder da união da saúde com a religião."8

Estrelas Contam a História
        O Estudo Adventista sobre saúde é um estudo sobre os adventistas, iniciado em 1958 e que, até hoje, está em andamento. Das populações estudadas, os adventistas são os que mais vivem na Terra. Cinco comportamentos simples, promovidos pela igreja ao longo de 100 anos, aumentam a expectativa de vida em mais de dez anos: não fumar, dieta baseada em plantas, consumir castanhas várias vezes por semana, exercícios regulares e manter um peso corporal saudável.9
        Outros importantes hábitos de saúde, como descanso adequado, guardar o sábado, praticar a gratidão e controlar o stresse, também são proteções benéficas. Pesquisas revelam que o estilo de vida adventista reduz, significativamente, o risco de muitas doenças crónicas, promove a saúde mental e espiritual, aumenta a qualidade de vida e a longevidade.

Livros Para Crescimento
        O livro A Ciência do Bom Viver, de Ellen White, é um dos guias mais úteis para levar, às pessoas que sofrem, a mensagem de Cristo para a cura. Muitos de seus outros escritos estão repletos de conselhos sábios, práticos e inspirados sobre vida saudável: Temperança, Conselhos Sobre o Regime Alimentar, Conselhos sobre Saúde e Mente, Caráter e Personalidade. Esses livros destacam a visão de Deus para um viver saudável unida à pregação das doutrinas bíblicas, a conexão mente/corpo, orientações sobre dieta e estilo de vida, princípios gerais sobre saúde mental e física, e guia espiritual para aqueles que lutam contra problemas específicos.

Vida Mais Abundante
        Jesus foi enviado para um ministério de cura: "Enviou-Me a curar os quebrantados do coração. A pregar liberdade aos cativos, e restauração da vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos."10 Deus, porém, promove mais do que a remoção do quebrantamento e maus hábitos; Ele quer que desfrutemos um estilo de vida saudável que nos prepare para o Céu. Encontramos na Santa Bíblia e nos escritos inspirados de Ellen White, o manual básico, as promessas e a força para praticarmos tal estilo de vida.

Referências:
1- O. Bettman, The Good Old Days-They Were Terrible (New York: Random House, 1974), p. 116.
2- lbid.,p.51.
3- C. Mervyn Maxwell, Tell It to the World: The Story of Seventh-day Adventists (Mountain View, Cal.: Pacific Press, 1977), p. 206.
4- Ibid.
5- Ibid., p. 207.
6- Veja A Ciência do Bom Viver, p. 281.
7- The Youth's Instructor, 31 de maio, 1894, p. 198.
8- "The Secrets of Long Life", D. Buettner, National Geographic Magazine, novembro de 2005, p. 22, 25.
9- Adventist Health Study Report 2008, vol. 5, p. 5.
10- Lucas 4:18,19.

Vicki Griffin, MPA, MACN, é diretora do Departamento de Saúde da Associação dos Adventistas do Sétimo Dia de Michigan, em Lansing, Michigan, EUA.
Revista Adventist World, maio 2009. Pode ver mais sobre a autora em: http://www.nadhealthsummit.com/article/156/seminars/living-free-building-a-better-brain-body-and-habits-for-good/vickie-griffin-ms-hum-nutr-mpa-macn e nos Links 4LS - NAD Health Ministries.


"A Educação de Daniel, e Outros Jovens Hebreus, na Corte de Nabucodonosor"
"No ano terceiro do reinado de Joaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei de Babilónia, a Jerusalém, e a sitiou. E o Senhor entregou nas suas mãos a Joaquim, rei de Judá, e uma parte dos vasos da casa de Deus, e ele os levou para a terra de Sinar, para a casa do seu deus, e pôs os vasos na casa do tesouro do seu deus.
E disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, e da linhagem real e dos nobres, mancebos em quem não houvesse defeito algum, formosos de parecer, e instruídos em toda a sabedoria, sábios em ciência, e entendidos no conhecimento, e que tivessem habilidade para viverem no palácio do rei, a fim de que fossem ensinados nas letras e na língua dos caldeus.
E o rei lhes determinou a ração de cada dia, da porção do manjar do rei, e do vinho que ele bebia, e que assim fossem criados por três anos, para que, no fim deles, pudessem estar diante do rei. E entre eles se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias. E o chefe dos eunucos lhes pôs outros nomes, a saber: a Daniel pôs o de Belteshazar, e a Hananias o de Sadrach, e a Misael o de Mesach, e a Azarias, o de Abed-nego.
E Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto, pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar.
Ora deu Deus a Daniel graça e misericórdia diante do chefe dos eunucos. E disse o chefe dos eunucos a Daniel: Tenho medo do meu senhor, o rei, que determinou a vossa comida e a vossa bebida; por que veria ele os vossos rostos mais tristes do que os dos mancebos que são vossos iguais? Assim arriscareis a minha cabeça para com o rei.
Então disse Daniel ao despenseiro, a quem o chefe dos eunucos havia constituído sobre Daniel, Hananias, Misael e Azarias: Experimenta, peço-te, os teus servos, dez dias, fazendo que se nos deem legumes a comer, e água a beber. Então se veja diante de ti o nosso parecer e o parecer dos mancebos que comem a porção do manjar do rei, e, conforme vires, te hajas com os teus servos. E ele conveio nisto, e os experimentou dez dias.
E, ao fim dos dez dias, apareceram os seus semblantes melhores; eles estavam mais gordos do que todos os mancebos que comiam porção do manjar do rei. Desta sorte, o despenseiro tirou a porção do manjar deles, e o vinho que deviam beber, e lhes dava legumes.
Ora, a estes quatro mancebos Deus deu o conhecimento e a inteligência em todas as letras, e sabedoria; mas a Daniel deu entendimento em toda a visão e sonhos. E, ao fim dos dias, em que o rei tinha dito que os trouxessem, o chefe dos eunucos os trouxe diante de Nabucodonosor.
E o rei falou com eles; e entre todos eles não foram achados outros tais como Daniel, Hananias, Misael, e Azarias; por isso, permaneceram diante do rei. E em toda a matéria de sabedoria e de inteligência, sobre que o rei lhes fez perguntas, os achou 10 vezes mais doutos do que todos os magos ou astrólogos que havia em todo o reino. E Daniel esteve até ao primeiro ano do rei Ciro."
Bíblia Sagrada, Daniel 1:1-21.


Pergunta: Daniel Era Vegetariano?

Permita-me considerar o contexto do assunto citado em Daniel 1:3-21 e, no processo, responderei à pergunta especificamente.

A queda do reino de Judá e a expatriação de muitos israelitas para Babilónia expuseram-lhes a fé a novos desafios. Eles estavam numa terra de cultura distinta e de convicções religiosas radicalmente diferentes, dificultando assim a prática da sua fé religiosa.

1. Assimilação Cultural: O propósito dos reis babilónios era transferir lentamente a fidelidade que os jovens hebreus tinham para com Deus, para os deuses deles; de Jerusalém para Babilónia. Esse era o objetivo dos profissionais e psicólogos do seu programa educacional.
Primeiro, elevavam sua auto estima ao levá-los para o palácio real, onde passavam a fazer parte da elite intelectual, o que facilmente criava neles a predisposição para aceitar o país estrangeiro e ter gratidão ao rei por aceitá-los.
Segundo, deveriam ser instruídos nos idiomas e literatura de Babilónia. Provavelmente Daniel já falava várias línguas, porém teria que aprender pelo menos o aramaico e o caldeu acadiano para se comunicar com os outros e para ler a literatura sobre ciência (como matemática, astronomia); música e religião (incluindo mitologia, divindades, astrologia) e serem doutrinados na visão mundial de Babilónia.
Terceiro, a assimilação cultural foi iniciada com a troca da sua identidade, dando-lhes nomes de divindades babilónicas (Daniel 1:7). Seu comprometimento com o Senhor foi ameaçado. O interessante é que a escrita dos nomes babilónicos parecia corromper, intencionalmente, os nomes originais, evidenciando sua resistência à assimilação cultural e religiosa.

2. Provisão Alimentar: O rei determinou qual seria a dieta de Daniel e de seus amigos, o que deveria ser considerado um privilégio e parte dos benefícios de estudar na Universidade de Babilónia. As refeições eram fornecidas pelo rei. É sabido que os reis de Babilónia não apenas supriam seus oficiais com alimentação diária, mas também com acomodação. O contexto bíblico sugere que o alimento oferecido a Daniel e seus amigos era o alimento preparado para o próprio rei, o melhor que Babilónia tinha para oferecer. O principal interesse do rei era estar seguro de que eles estariam em excelentes condições físicas para obter o melhor aprendizado.
Se, porém, considerarmos essa decisão do ponto de vista cultural, concluímos que o rei tinha intenções mais profundas: o alimento determina a identidade; aquilo que comemos determina nossa cultura, inclusive nossas convicções religiosas. A ênfase na alimentação era parte da tentativa cultural e religiosa de assimilar os hebreus na religião e na cultura de Babilónia.

3. Rejeição da Mudança Cultural: Daniel resolveu não se contaminar com os manjares do rei nem com o vinho que ele bebia. "Decidiu não se tornar impuro com a comida e com o vinho do rei" (verso 8, NVI). "Decidiu" foi a tradução para "colocou em seu coração", em hebraico. Daniel colocou sua vontade e razão no que havia decidido, provavelmente baseado no facto de que os alimentos do rei eram oferecidos aos seus deuses antes de ser servidos à mesa de Daniel. Provavelmente, a maior parte deles não era preparada de acordo com as ordens bíblicas (Levítico 17:10) e incluía alimentos imundos. Essas razões em si já eram motivo para rejeitar a comida do rei.
Mas o facto de, nessa ocasião, Daniel ter escolhido uma dieta vegetariana sugere algo mais profundo. O rei resolveu que ele mesmo "escolheria" (yeman) a dieta deles. A forma verbal usada no Antigo Testamento é empregada especificamente para atividades de Deus (Salmo 16:5; 61:8; Jonas 2:1), sugerindo que o rei estava assumindo uma prerrogativa divina. Para Daniel, somente Deus poderia determinar o que ele deveria comer. E, naquela situação, ele voltou à dieta original que excluía a carne (Génesis 1:29; 3:18) e o ajudava a obedecer ao Senhor. Assim, o Senhor abençoou seu esforço de servi-Lo. Enquanto ficou responsável por sua própria dieta, ele seguiu a ordem levítica (Daniel 10:3).

A escolha de assimilar os perigos de uma cultura ainda é nossa. À semelhança de Daniel, devemos resistir a ela e permanecer firmes aos nossos valores, princípios e ensinos da Palavra de Deus.

Angel Manuel Rodríguez é diretor do Instituto de Pesquisas Bíblicas da Associação Geral.
Adventist World, Dezembro 2009


sexta-feira, 25 de março de 2016

A TRINDADE
É Assim Tão Importante?




Que diferença faz?, pensei eu. Porque é tão importante o conceito bíblico da Trindade?
Eu tinha estado a estudar a Bíblia com Miguel, um cavalheiro bem-intencionado que simpatizava com as posições das Testemunhas de Jeová. A esposa de Miguel, uma Testemunha de Jeová devota, tinha recentemente falecido. Ela tinha-lhe dito que Cristo e o Espírito Santo não eram Deus; que a "Trindade" não existia. Miguel tinha acreditado na palavra da sua esposa.
Eu esforcei-me por tentar convencê-lo do contrário, indicando-lhe confiantemente cada pedacinho das provas linguísticas, sintáticas, semânticas e gramaticais que podia encontrar na Bíblia a favor da existência da Trindade - mas sem qualquer efeito. Miguel simplesmente não estava interessado nas minúcias das provas bíblicas e exegéticas em favor da personalidade e divindade do Filho e do Espírito Santo. Era algo abstrato de mais para ele.
Seja como for, que diferença faz? Comecei a pensar. Então, subitamente, percebi: Eu estava completamente à margem da questão. O que eu tinha de fazer era mostrar a Miguel a razão por que o conceito de um Deus trino era assim tão importante, especialmente para ele!
Francamente, eu nem tinha pensado muito sobre a razão porque esse conceito era assim tão importante para mim! Mal sabia eu que estava prestes a obter uma nova e incrível perspetiva sobre a Divindade.

Porque É Assim Tão Importante

A Trindade não é um conceito filosófico isolado e sem consequências. Aquilo que acreditamos sobre a personalidade e a natureza do Pai, do Filho e do Espírito Santo tem um grande impacto sobre muitas outras doutrinas e crenças. Não é algo que se possa colocar de lado sem que afete vários aspetos cruciais da nossa experiência cristã, tais como:



A Salvação:
Se na cruz "a misericórdia e a verdade se encontraram, a justiça e a paz se beijaram" (Salmos 85:10), então Cristo tinha de ser plenamente divino, parte do Deus trino. Se não, então Deus estaria dependente de uma criatura para demonstrar o Seu amor e satisfazer a Sua justiça. Deus teria aplicado a Sua cólera sobre um terceiro, levantando a questão sobre a justiça de um tal ato. Em vez disso, no Cristo Deus/homem, Deus foi ao encontro das exigências da justiça através do Seu ato divino de auto-sacrifício. Pois "Deus estava em Cristo, reconciliando Consigo o mundo" (II Coríntios 5:19)!
E, claro está, apenas um Ser que possui naturalmente a imortalidade pode oferecer vida eterna àqueles que se apropriam do poder salvífico da Sua morte expiatória (João 11:25). Dêmos graças a Deus porque a nossa salvação não depende de um ser criado, mas do próprio eterno Deus trino!


Conhecimento Sobre Deus:
Muito do que sabemos sobre Deus procede do que Cristo veio revelar através dos Seus ensinos e do Seu exemplo (João 1:18; 14:9). No entanto, apenas Alguém que é Deus no pleno sentido do termo pode efetivamente mostrar-nos como Deus é. De outro modo, a revelação de Cristo acerca do Pai seria imperfeita e incompleta. Apenas Alguém que soubesse o que é ser divino poderia realmente mostrar à Humanidade a verdade sobre Deus. E apenas o divino Espírito Santo, que tem estado eternamente ligado ao projeto de amor sacrificial do Pai e do Filho, pode comunicar plenamente um tal amor aos seres humanos perdidos. Além do mais, o facto de que o Espírito Santo é uma pessoa plenamente divina, e não apenas uma "força" ou um "poder", é algo muito significativo. Não nos podemos relacionar com uma força do mesmo modo que nos relacionamos com uma pessoa. Um "poder" impessoal pode ser facilmente manipulado, mas uma pessoa não.
Apenas uma verdadeira Pessoa divina nos pode confortar, ensinar e guiar (João 14:16; 16:13).


A Reconciliação:
A reconciliação da Humanidade com Deus apenas podia ser realizada por alguém que era igual a Deus, possuindo os atributos divinos que Lhe permitissem interceder em favor do homem perante o Deus infinito e também representar Deus perante um mundo caído. Ele deveria também partilhar a nossa natureza humana, estabelecendo uma ligação com a família humana que devia representar, de modo a ser um mediador entre Deus e a Humanidade (Hebreus 4:14-16). Além do mais, apenas o Espírito omnipresente, que conhece plenamente o coração do nosso Sumo-Sacerdote intercessor, pode adequadamente confortar-nos e comunicar-nos as bênçãos da intercessão constante de Cristo em nosso favor.

A Santificação:
O pecado distorceu a Criação de Deus de tal modo que o único que a pode restaurar é o seu divino Criador original. Jesus, o Criador, torna-Se no grande médico da alma humana. Apenas Ele tem o poder para recriar a imagem de Deus em qualquer pecador que, livre e humildemente, vem até Ele para obter a restauração. No entanto, Cristo já não está presente para executar esta obra. O único Ser capaz de realizar esta transformação é o divino Espírito Santo, que também colaborou com o Filho na Criação.

A Unidade:
Jesus orou pelos Seus discípulos de todos os tempos, pedindo "para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti" (João 17:21). Se o Filho e o Pai não fossem completamente iguais em poder, em natureza e em atributos, que tipo de unidade poderia estar Cristo a pedir? Seria uma "unidade" desigual e subordinada. Mas, dado que Ele e o Pai (e também o Espírito) são mutuamente interdependentes no Seu amor, na Sua existência e na Sua obra, a mesma unidade é pedida em favor dos discípulos: que eles também possam ser um em igual interdependência e em serviço amoroso.

O Casamento e a Igualdade:
No princípio, Deus criou o Homem "à Sua imagem" como macho e fêmea (Génesis 1:27). O ideal expresso na Criação foi que o homem e a mulher formassem um todo em que fossem mutuamente complementares e interdependentes, seguindo o padrão de relacionamento no interior da Divindade (João 17:24). Se houvesse diferenças hierárquicas na natureza e nos atributos do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ser criado "à Sua imagem" não teria feito qualquer sentido quando aplicado à igualdade do homem e da mulher (Gálatas 3:28).

INEVITÁVEL
Para alguns, a Divindade é o maior dos paradoxos. De algum modo Eles estão separados, mas são inseparáveis; de algum modo Eles são três e, no entanto, são apenas um. Mas logo que tenhamos considerado as alternativas, a doutrina da Trindade é inevitável. Podemos não ser capazes de resolver completamente o mistério da Trindade nesta vida e, talvez, nem sequer na vida eterna. Mas uma coisa é certa: Não há outro Deus. Ele vem até nós na Sua triunidade, e este Deus é tudo aquilo de que precisamos!

Walter Steger é editor da Casa Editora Sudamericana, em Buenos Aires, Argentina, in Adventist World, Janeiro 2014.



Veja em: http://musicaeadoracao.com.br/37218/hinologia-adventista-em-defesa-da-trindade-uma-analise-da-pessoa-do-espirito-santo/