sexta-feira, 8 de março de 2013

DIA MUNDIAL DA MULHER



Foram vários os comentários que ouvi ou li relacionados com o Dia Mundial da Mulher. Nalguns deles, os respetivos autores foram rebuscar as lembranças de mulheres que, devido aos seus feitos, afirmavam eles, teriam ascendido à condição de heroínas. Foram as lutas sociais, foram as revoluções, foram as guerras, e os exemplos sucediam-se num alarde de 'cultura e saber' intencionalmente com o objetivo de vincar a diferença entre o leitor, um comum dos mortais, com as limitações culturais inerentes a um povo com muita impreparação e muito mais ausência de sede de conhecimentos, e o escrevinhador, ele sim, um ser eleito por se assumir apoiado no pedestal da mais 'impressionante' cultura.
Mas será necessário procurar heroínas na História?
Parece-nos ser esta uma atitude desnecessária, inconsequente e totalmente de-sintonizada da realidade.
Não será a mulher, pelo facto de ser Mulher, já uma heroína?
Não é ela uma heroína, ao partilhar connosco a sua vida com todas as incertezas e dificuldades, mantendo a esperança que alumia os dias mais cinzentos?
Que dizer daquela que avança para a maternidade com o encanto do seu amor e a humildade da consciência das suas limitações, vendo no seu filho recém-nascido, não o bebé dos seus encantos, mas o Homem que vai criar?
Como classificá-la em face das noites mal dormidas, dos incómodos sempre suportados e da sua resistência a cada passo renovada, desde que ouve a palavra mágica 'mamã'?
Será razoável considerá-la doutra forma, quando discreta mas eficazmente nos transmite o encanto da sua beleza, a maturidade do seu conselho, a ternura do seu afeto recebendo em troca uma mão cheia de nada?
Pode haver palavra que melhor a caracterize, quando alegremente faz o milagre de multiplicar os tostões que cada vez são mais insuficientes para proverem o sustento da família, assumindo um 'ar natural' como se nada de extraordinário tivesse realizado?
E quando, dia após dia, inicia uma mesma rotina, o cuidado do lar, tão mal considerado por aqueles que mais diretamente beneficiam da sua ação?
E ao aceitar a escravidão moderna, devidamente institucionalizada de ser uma profissional competente, mas descriminada, uma esposa cansada e incompreendida mas espalhando felicidade, uma dona-de-casa de responsabilidade inteira a tempo reduzido?
E esta é apenas a mulher banal, aquela que conhecemos do dia-a-dia, aquela que entrando na nossa vida recebe, em troca, indiferença, exercício execrável da nossa 'autoridade', exigências sobre exigências; e quantas vezes uma atitude de falsa condescendência traduzida pela expressão 'coisas de mulheres'.
Sem ela a nossa existência seria um deserto. Um deserto sem as flores do seu sorriso, tantas vezes orvalhadas pelas suas lágrimas. Um deserto sem a ternura que humaniza o nosso modus vivendi. Um deserto sem a expectativa que sabe manter viva quando todas as evidências apontam para a desilusão e tristeza. Um deserto sem a capacidade de sofrer com quem sofre, de perdoar a quem caiu, em suma um deserto sem o seu amor.
Heroínas, não existem apenas na História. Estão ao nosso lado, afagaram a nossa cabeça no passado, moram nas nossas casas sejam elas grandes ou pequenas, ricas ou pobres; cruzam os nossos caminhos, muitas vezes sem outra possibilidade que não seja, heroicamente, estenderem a mão à caridade.
Louvemos a Deus e agradeçamos-Lhe as mulheres que colocou nas nossas vidas, as que nos deram o ser, aquelas que cresceram connosco como nossas irmãs, aquelas que vivem as nossas existências como esposas, e aquelas que nos admiram como filhas. Não esqueçamos que a mulher é a corporização das soluções que Deus viu serem necessárias para o homem, ao dizer: "Não é bom que o homem esteja só".
Que sintamos todos o mesmo júbilo que possuiu Adão, afirmando com ele, quando nos dirigimos àquelas que são as nossas companheiras, as nossas heroínas: "Esta sim, é osso dos meus ossos, carne da minha carne". Que tenhamos a inteligência de compreender que a mulher é a versão revista e corrigida, por Deus, do homem, por Ele tornada imprescindível a cada um de nós.

Daniel Esteves, Médico na Grande Lisboa com Mestrado em Aconselhamento Familiar feito em Southern Adventist University - EUA (Links 3I e Leituras para a Vida, 14.11.12), Revista Adventista, Março de 1996.


Isto é música para o coração de qualquer mulher!... E o autor é o meu marido - o 3º da foto, ao centro a contar da direita, numa Queima das Fitas em Coimbra, 10.05.1966, nosso 2º dia de namoro... Que privilegiada!
Pois, em nome de todas as Mulheres,
MUITO OBRIGADA! E. E.



GRANDES MULHERES!  GRANDES HEROÍNAS!!

"... nomes ... escritos no livro da vida do Cordeiro, que foi morto desde a fundação do mundo." Apocalipse 13:8.

       A imagem não deixa de me causar espanto. O Cordeiro, tão inocente e confiante, morre precisamente por aqueles que O matavam. Ele dá a Sua vida precisamente por aqueles que estão a tirar a Sua. "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem" Lucas 23:34. Um episódio ilustrativo, aconteceu recentemente.
       Durante a noite de 22 de dezembro de 2003, um intruso assaltou a casa de Ruimar De Paiva, Pastor na ilha-nação de Palau. O assaltante só tinha a intenção de roubar, mas, quando os membros da família se levantaram, o homem atacou-os até que os matou a todos com exceção de Melissa, de 10 anos. Depois de ter violado a Melissa durante 20 horas, ele libertou-a, e ela contou a história à polícia. As autoridades capturaram-no rapidamente e puseram-no na prisão. Os seus atos deixaram toda a nação de tal modo estupefacta que o Presidente da República ordenou que a bandeira fosse posta a meia haste em todo o país. Foi feito um funeral de estado, a que compareceu o Governador da cidade onde o crime aconteceu.
       No funeral de Ruimar DePaiva, a sua mãe pegou no microfone sem avisar. Ela já tinha visitado a prisão onde Justin Hirosi, o assassino, estava preso. Orando com o homem que matara o seu filho, nora e neto, ela assegurou-lhe o seu perdão. Depois, ao saber que a mãe de Justin estava no funeral, pediu à Sra. Hirosi que se juntasse a ela ao microfone. Depois de abraçar a Sra. Hirosi como se fosse uma amiga de longa data, ela anunciou à multidão que "ambas eram mães a chorar pela perda dos seus filhos".
       Depois, implorou à comunidade que retirasse todo o sentimento de culpa que pudessem ter colocado sobre a mãe e a família de Justin. Declarou que os pais educam os seus filhos e tentam ensinar-lhes a diferença entre o mal e o bem, mas, no fim, eles têm a sua própria maneira de pensar.
       O funeral chegou ao nível de choque quando o chefe supremo anunciou que a família de Justin, embora de poucas posses, tinha vendido muitas das suas coisas e agora queriam entregar 10 000 dólares em dinheiro à sobrevivente Melissa para os seus estudos universitários. Mas o momento mais importante ainda estava para vir.
       Quando lhe perguntaram onde queria viver, Melissa disse: "Eu gostava de permanecer em Palau."
       A sua avó explicou-lhe que isso não seria possível.
       "Tudo bem", replicou a menina. "Mas voltarei um dia. Vou voltar como missionária!" *

Senhor, ajuda-me a apreender o significado do Teu perdão para que possa perdoar aos outros da mesma maneira que me perdoas a mim.

* Baseado em Cheryl Doss, "I'll be Back Someday", Lake Union Herald, fevereiro, 2004, p. 14.
Jon Paulien in Apocalipse, O Evangelho de Patmos, 15.08.13, Publicadora SerVir.



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013


Amor
            Eu iniciei há umas semanas, juntamente com a excelentíssima esposa, um blogue familiar chamado Pais de Quatro, e um dos primeiros posts que escrevi foi a propósito de um filme chamado ‘Amor’, sobre um casal de velhos em que um deles está a morrer. Em rigor, o post não era sobre o filme, mas sobre a resposta do realizador Michael Haneke a um jornalista que, numa entrevista, fez a seguinte observação: "Você sugere que o amor é mais sobre as nossas ações do que sobre os nossos sentimentos, que o verdadeiro amor é, na verdade, intensamente prático?"

            Haneke respondeu como se tal coisa fosse a mais evidente do mundo: "Sim, claro. Aquilo que fazemos por outra pessoa é mais importante do que aquilo que sentimos por ela." Eu achei que aquela era uma resposta muito sábia e muito bela, e escrevi que ela deveria ser proferida em todos os casamentos, e estar pendurada nas paredes de todos os lares. E acrescentava que, ao contrário de "todas as teses do romantismo sentimentaloide e assolapado", me parecia ser "a perfeita definição de amor".

            Um amigo meu leu o post e disse-me que aquilo que eu tinha escrito era horrível, na medida em que parecia que o que eu queria para a minha vida não era uma mulher, mas uma enfermeira. De certa forma, ele assumiu-se como o defensor do tal romantismo assolapado e da intensidade apaixonada de todas as relações, na esteira do mais batido verso de Vinicius de Moraes: "Que [o amor] não seja imortal, posto que é chama/ Mas que seja infinito enquanto dure." Um bonito verso, mas tão certo do seu relativismo amoroso quanto alguns conservadores estão certos do absolutismo do matrimónio.

            Claro está que cada um fala a partir da sua biografia: Vinicius colecionou paixões e casamentos e eu sou um monogâmico praticante. Mas incomoda-me a forma como este olhar sobre as relações insiste em se tornar monopolista, como se se tivesse tornado do domínio da evidência que tudo acaba e que amar uma pessoa durante toda a vida é uma genuína impossibilidade. Estes são os que não percebem Haneke: que amar é sair de mim em direção ao outro, e que se eu nunca sobrepuser as suas necessidades aos meus sentimentos essa pessoa será sempre menos importante para mim do que eu próprio. Porque o romantismo assolapado e sentimentaloide é, demasiadas vezes, apenas um egoísmo disfarçado, que nada tem a ver com o verdadeiro amor.


João Miguel Tavares, jornalista (jmtavares@cmjornal.pt)
Ilustração de José Carlos Fernandes


Ainda o Amor
            Posso voltar a falar de amor? Na semana passada dei-me conta de que escrevo textos atrás de textos sobre a família e a loucura que é criar quatro filhos, e me esqueço quase sempre de falar daquilo que está na base de tudo isso, e sem a qual nada disto seria possível: o amor de duas pessoas. Quem conhece esta página sabe que ela é uma coleção impressionante de desabafos e frustrações, de queixas atrás de queixas. Mas queixarmo-nos é soltar o vapor que nos consome sem sairmos do mesmo sítio. Quer dizer: protestamos, gritamos, choramos – mas permanecemos. E essa permanência só é possível se acharmos que é aqui, no meio da loucura, dos gritos e até do sofrimento, que somos mais felizes. A vida, a rotina mais cansativa, o quotidiano mais furioso, até nos pode empurrar de escarpas e penhascos, mas nós não nos afastamos, porque sabemos onde queremos cair de costas. À certeza desse lugar eu chamo Amor.

            Só que o amor anda espantosamente acossado nos dias que correm. É algo que tem vindo a cair a pique na bolsa de valores, perdendo terreno para a paixão, esse poderosíssimo combustível que alimentou a mais bela literatura, e onde arderam Anna Karénina, Emma Bovary ou Carlos da Maia. A distinção entre amor e paixão é velha como o mundo, e já os gregos associavam o primeiro à permanência (como no caso idealizado do amor platónico) e o segundo à intensidade. Só que as coisas complicam-se quando toda a gente passa a aspirar a uma intensidade permanente. E menos do que isso é pouco. Pior: menos do que isso é falso, como se o amor, para ser genuíno, tivesse de ser uma perpétua paixão.

            Ora, esta ideia de que a paixão é o pico e o amor fica uns metros abaixo conduz a uma outra: a de que aquilo a que se chama uma relação feliz exige um acomodamento por parte do casal, que se tenta convencer de que aquilo continua a ser bom, embora já não consiga chegar ao cume. Esta é uma ideia completamente dominante à minha volta, como se o destino inevitável de todas as relações fosse a dissolução ou o conformismo. Não é verdade. O amor até pode ser o sítio em que os filmes acabam, mas a vida continua. E há gente que se continua a amar, e a ser feliz, até ao fim dos seus dias. Deixar de acreditar na sinceridade deste amor não é apenas triste. É perder a oportunidade para fazer a única pergunta que realmente importa: como é que se consegue chegar lá?


João Miguel Tavares, jornalista (jmtavares@cmjornal.pt)
Ilustração de José Carlos Fernandes


Rumo ao Porto Seguro



(Leia mais em Leituras para a Vida, 14.02.2013, Links 1R)

domingo, 27 de janeiro de 2013




«OS MÉDICOS MALDITOS - Christian Bernadac. Valeria a pena reunirem-se, com tanta fadiga, estes dados incontroversos acerca das 'experiências médicas' realizadas pelo Nazismo em prisioneiros políticos ou de guerra? Que interesse actual representará todo este estendal da crueza a frio, praticada a pretextos 'científicos' e que, todavia, não adiantaram um passo à ciência? Seria apenas para organizar mais um dossier especial do terror concentracionário que Christian Bernadac se entregou à arrepiante missão de procurar, interrogar, uma centena do 'cobaias humanas' excepcionalmente sobreviventes, e umas trezentas outras testemunhas presenciais; de examinar cerca de um cento de livros, artigos, relatórios oficiais ou oficiosos - para seleccionar este material rigorosamente apurado e o divulgar de um modo vivo e inesquecível ao leitor comum? A resposta é impressionante. É o prefácio deste livro, em que todos deveríamos meditar, tendo em vista o requisitório subsequente. A HUMANIDADE ESQUECE DEPRESSA, e por toda a parte voltam a ouvir-se perguntas sobre os 'limites', ou 'condições', em que a experiência sobre o organismo humano seria defensável, além de útil. Alvitra-se mesmo a possibilidade de 'voluntários', pensando naturalmente em presos de delito comum, talvez, sobretudo em condenados à pena capital - como se tal 'voluntariedade' fosse autêntica. A mais simples 'facilidade' de deontologia médica, a menor sombra de desvalorização de uma vida humana, por motivos rácicos, sociais, fisiológicos, ideológicos ou de conveniência 'técnica', desencadeia uma lógica por onde, passo a passo, se chega insensivelmente a 'isto', que Bernadac nos mostra ou relembra. Nunca o esqueçamos. NUNCA O DEIXEMOS ESQUECER.»

DIA INTERNACIONAL EM MEMÓRIA DAS VÍTIMAS DO HOLOCAUSTO

Em 27 de Janeiro de 1945, o exército soviético libertou o maior campo de extermínio nazi, Auschwitz-Birkenau, na Polónia. As Nações Unidas adoptaram esta data para manter viva a memória das vítimas do Holocausto. A ideologia do Partido Nacional Socialista Alemão dirigiu toda a política alemã entre 1933 e 1945. Hitler defendia que a construção da Nova Alemanha deveria basear-se exclusivamente na raça ariana. Isto exigia afastar das funções públicas os "não arianos", proibir os casamentos mistos e esterilizar as raças inferiores e os doentes mentais.

Em 10 de Janeiro de 1933, Hitler assumiu o cargo de Chanceler, e, a 23 de Março, recebeu plenos poderes. Então, o Partido Nacional Socialista, de orientação totalitária, passou a combater todos os membros "não arianos" da sociedade, especialmente os judeus que, de forma sistemática, foram eliminados por meio de assassínios em massa. O estabelecimento e a manutenção deste sistema foram possíveis graças à penetração do aparelho estatal na vida intelectual, social e económica do país, por meio das SS - funcionários do partido, e da Gestapo - Polícia Secreta do Estado.

Aliado à política ditatorial, baseada no racismo e anti-semitismo da superioridade ariana, esteve a teoria expansionista do "espaço vital". As sucessivas anexações da Áustria, Boémia, Morávia e a invasão da Polónia, provocaram a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Desta brutalidade da loucura humana, resultaram um total de 72 milhões de mortes, ou seja, 26 milhões de soldados e 46 milhões de civis. Nos "campos de concentração" nazis, morreram 12 milhões de pessoas, sendo 6 milhões judeus, e também membros de outras minorias que sofreram actos atrozes de discriminação, privações, crueldade, crimes, assassinatos - um genocídio que lesa a humanidade.

Num ensaio filosófico sobre o aviltamento que a morte tem sofrido nos nossos tempos, o italiano Giorgio Agamben escreve: "Em Auschwitz, não se morre, produz-se cadáveres. Cadáveres sem morte, não-homens cujo falecimento é rebaixado ao nível de produção em série. E esta degradação da morte constituiria concretamente... o escândalo específico de Auschwitz, o nome próprio do seu horror."

Esta manifestação furiosa de racismo, ódio, fanatismo e desumanidade é uma vergonha dramática para a humanidade, que não soube evitar o Holocausto. Por isso, os horrores da Segunda Guerra Mundial deram lugar aos fundamentos da Carta dos Direitos Humanos, em 1948, artºs. 1 e 2: "Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns com os outros em espírito de fraternidade. (...) Todos os seres humanos têm todos os direitos e liberdades proclamados nesta Declaração, sem distinção alguma de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de posição económica, nascimento ou de qualquer outra condição."

É urgente, pois, inventar, construir, criar um mundo onde possamos conviver em paz, reconhecendo a dignidade e igualdade de direitos de todos os membros da família humana. Comprometamo-nos, pois, a trabalhar em conjunto para formar a esperança de hoje no mundo melhor de amanhã. Isto é possível, se cada um quiser ser irmão do seu irmão, enquanto não vem o Pai, e Autor da vida, resolver o que deixamos insolúvel.

Ezequiel Quintino, Teólogo e Jornalista, in Pensar Faz Bem


"E VIREI-ME PARA VER QUEM FALAVA COMIGO. E, VIRANDO-ME, VI SETE CASTIÇAIS DE OURO. Apocalipse 1:12

       Na Páscoa de 1969, tive o privilégio de visitar Roma. Depois de termos ouvido a mensagem do Papa sobre a Páscoa, na praça de S. Pedro, fui, com três amigos, ver as ruínas do Coliseu Romano. Foi um prazer andar pela terra onde Pedro e Paulo devem ter andado, olhar para as ruínas dos edifícios que um dia já foram grandiosos, feitos com as mesmas pedras que os apóstolos terão visto e tocado.
       A maior parte dos turistas que visitam o Coliseu começam pelo lado oposto da Prisão Mamertina (onde Paulo pode ter estado preso). Depois, passa-se pelo templo das Virgens Vestais, sobe-se e desce-se pelo Monte Palatino, e passa-se pela Basílica de Constantino para a outra ponta do Coliseu. Aí passámos pelo Arco de Tito, o general romano que conquistou a cidade de Jerusalém no ano 70 d. C.. Imagine o nosso entusiasmo quando vimos uma ilustração, em alto relevo, de soldados a marchar à volta de Roma, com o candelabro de sete braços que tinha sido tirado do Templo de Jerusalém! Sentimo-nos realmente próximos do mundo da Bíblia.

       Em todo o antigo mundo romano, o menorah de sete braços (candelabro) era o símbolo mais comum do judaísmo,1 tal como o peixe e a cruz se tornaram, mais tarde, nos emblemas da fé cristã. De uma maneira surpreendente, o livro de Apocalipse adota esta imagem do Judaísmo para representar as igrejas da Ásia Menor. Desta forma, João compreendeu claramente que a verdadeira fé cristã era herdeira da herança de Israel, mesmo que, por vezes, a sinagoga excluísse os cristãos (Apocalipse 2:9; 3:9). Foram os que expulsaram que perderam a ligação com a sua herança judaica; não os expulsos, os seguidores fiéis de Yeshua, o Messias.

       Então os Nazis estavam certos? A Igreja cristã substituiu Israel? Foi o Holocausto um julgamento de Deus em vez de maldade humana? É difícil imaginar os cristãos do primeiro século a tomarem uma posição dessas. Eles proclamavam um Messias judeu, que cumpriu as antigas promessas feitas a Israel. Eles converteram pagãos ao verdadeiro Deus de Israel. Embora não exigissem que os gentios fossem circuncidados, os judeus cristãos, tal como Paulo, receberam-nos como novos participantes da sua fé judaica em Jesus. Os crentes gentios eram filhos espirituais de Abraão (Gálatas 3:28), circuncidados interiormente (Romanos 2:28 e 29) e enxertados na árvore de Israel, enquanto os ramos descrentes eram quebrados (Romanos 11:27). 2 No livro de Apocalipse, a imagem do candelabro acentua as raízes judaicas da fé cristã e a íntima ligação dessa fé e da antiga herança de Israel.

       Senhor, ajuda-me a aprender mais sobre as minhas raízes judaicas e a apreciá-las da mesma maneira que Paulo e João.


1 -
Ver Craig S. Keener, Revelation, The NIV Application Commentary (Grand Rapids: Zondervan, 2000), p. 85, notas 22 e 23.
2 -
Ibidem, p. 89.

Jon Paulien (foi Professor de Interpretação do Novo Testamento na Universidade Adventista de Andrews; a partir de 2007 é o Diretor da Faculdade de Teologia da Universidade de Loma Linda; autor de 11 livros e mais de 100 artigos científicos, é um especialista reconhecido nos escritos bíblicos de João) in Meditações Matinais 2013, 19.01, Apocalipse - O Evangelho de Patmos, Publicadora Servir - ver links 4LS e 3I.
(Livro Espetacular! Pode adquiri-lo facilmente... é só querer.)


EDITORIAL

Após o primeiro homicídio neste planeta, veio a pergunta de Deus: "Onde está o teu irmão?" A pergunta não era um convite a um diálogo filosófico sobre os mistérios da vida; nem era um pronunciamento cósmico sobre a vida após a morte. O Seu propósito era ao mesmo tempo imediato e duradouro.
As circunstâncias levaram Caim a comparecer diante da justiça e graça divinas: de um lado, para ser acusado pelo assassinato do seu irmão, para enfrentar o pecado como traição da fraternidade, e para ser condenado como pecador diante do tribunal da justiça divina; de outro, para encarar a possibilidade de ser reintegrado em virtude do mistério da graça e amor redentor do Criador.

O intento duradouro da pergunta ainda preocupa a História. A pergunta fez saber para sempre, a gerações ainda não nascidas, que pessoa alguma é uma ilha, e que a vida para ser significativa precisa de ser vivida dentro do contexto de Deus e do ser humano. O pobre Caim errou o alvo, e nisto consistiu o seu pecado. E Caim, aterrorizado pela pergunta, deixou uma herança de medo e uma consciência perturbada, sem que jamais faltassem herdeiros.

Ao confrontar a pergunta: "Onde está o teu irmão ou irmã?", teremos respondido a uma das grandes perguntas da vida. A pergunta não é social, económica, política, filosófica, ou mesmo moral. É primariamente religiosa. Pelo facto de Caim ter-se afastado de Deus, por não ter desejado relacionar-se com Ele do modo como lhe fora dito, e porque queria ser senhor do seu destino, ele não podia se relacionar com o seu irmão Abel. Preferiu o homicídio ao relacionamento; preferiu solidão em vez de comunidade; negou a Deus a fim de ser deus.

Aí jaz a raiz da sua desumanidade para com o outro, escreveu Ellen White, há muito tempo (O Desejado de Todas as Nações, pág. 21). Mais recentemente, Reinhold Niebuhr, um dos grandes teólogos que a América produziu, fez uma contribuição notável ao pensamento cristão em reconhecer o pecado - seja o mais complexo ou o mais simples - pelo que ele é essencialmente: egocentrismo, que, de um lado, surgiria para se proclamar deus, e, de outro, não hesitaria em remover o que quer que o impedisse. Assim foi com Lúcifer. Assim foi com os tiranos da História. Assim poderia ser comigo.

Talvez seja por isso que Lutero definiu o cristão como um 'cruciano' - alguém que ouviu o chamado do Mestre e que crucificou o eu. O abandono total do eu - seja no lar, na escola, no trabalho, no culto - é o alfa do chamado do evangelho, não de um modo místico, mas de um modo relacional. Este chamado implica que reconheço o Outro como minha primeira prioridade e o outro como minha segunda prioridade. Isto é, abandono o eu em primeiro lugar porque o Criador tem direitos sobre mim, e em segundo lugar, aquele imperativo colocou sobre mim a responsabilidade de olhar para a frente, para trás, de lado, e ver aí o meu próximo.
Os semelhantes aparecem em diferentes matizes, mas juntos formam um arco-íris - um arco-íris divino. Onde há um senso do arco-íris, os matizes diversos cedem lugar à criação de uma humanidade comum que se apega à promessa de Deus e à visão de Deus sobre um lar onde o amor, e unicamente amor, reina. E o amor perfeito, banhado no sangue da Cruz, pode banir o Caim que espreita em todo o coração humano.

John M. Fowler, Editor, in Revista Diálogo Universitário, Fevereiro de 1997.

(Pode ler mais em Leituras Para a Vida - Links 1R)

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

DiCaS  pARa  uM  AnO  MeLHor  dE  2013



ALMAS PERFUMADAS

Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta.
De sol quando acorda.
De flor quando ri.
Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede
que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça.
Lambuzando o queixo de sorvete.
Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher.
O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade,
mas que a gente desaprende de ver.

Tem gente que tem cheiro de colo de Deus.
De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem
e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente
se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo.
Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal
do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.

Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas
que conseguimos acender na Terra.
Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza.
Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. Recebendo um buquê de carinhos.
Abraçando um filhote de urso panda.
Tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra
no nosso coração.

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa.
Do brinquedo que a gente não largava.
Do acalanto que o silêncio canta.
De passeio no jardim.
Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume
que vem de dentro e que a atracção que realmente nos move
não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias.
Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos, Deus está connosco,
juntinho ao nosso lado.
E a gente ri grande que nem menino arteiro.

Tem gente como tu, que nem percebe como tem a alma Perfumada!
E que esse perfume é dom de Deus.


Carlos Drummond de Andrade


Acho que conheço estas alminhas... perfumadas... e o local. Que saudades!
Sim, são mesmo perfumadas!!! Até a cadelita era uma doce! E. E.

ReCeiTa  PaRa  Um  AnO  NoVo  FeLiZ

"Até agora nada tendes pedido em Meu nome; pedi, e recebereis, para que a vossa alegria seja completa." - João 16:24

Tomam-se doze maravilhosos meses completos, cuidando-se que estejam completamente isentos de amargas lembranças do passado, ódio, rancor e ciúmes.
Lavam-se por inteiro, de modo que pareçam frescos e limpos como quando saíram do grande armazém do tempo.

Divide-se cada um dos meses em 30 ou 31 partes iguais, excepto o segundo que se divide em 28 partes. Não se deve tentar amassar o ano todo de uma só vez
(muitos prejudicam o petisco ao proceder assim),
mas prepare-se um dia de cada vez, como segue:

Põe-se em cada dia doze partes de fé, onze de coragem, dez de persistência, nove de trabalho (alguns omitem este ingrediente, e com isto prejudicam o sabor de todo o resto), oito de esperança, sete de lealdade, seis de liberalidade, cinco de bondade, quatro de descanso (deixar este de fora seria como deixar o azeite fora da salada - não faça isso), três de oração, duas de meditação, e uma de bem escolhida resolução.

Acrescenta-se uma pitada de humor, borrifa-se com um pouco de entretenimento, e despeja-se um copo cheio de alegria.

Deita-se na mistura amor à vontade e bate-se a massa com energia. Leva-se ao fogo do coração, enfeita-se com sorrisos e um raminho de prazer, e serve-se com tranquilidade, altruísmo e alegria.

E FELIZ ANO NOVO!
(Transcrito de uma antiga brochura).

Humanamente falando, esta é uma apropriada receita. Dela podemos aprender muito. Falta, porém, uma coisa - uma Pessoa - Jesus. Sem Ele não podeis ter um ano verdadeiramente feliz.
Ninguém pode falar de verdadeira fé, coragem, esperança, lealdade, liberalidade, bondade, sem Jesus. Ele é a própria essência de tudo! Se desejamos que a nossa "alegria seja completa" durante o ano que se inicia, precisamos de Lhe abrir a porta do nosso coração. "Enquanto mantiverdes os olhos em Cristo, estais seguros." - E. White, Testimonies, vol. 4, pág. 122.
Juntamente com a sugestão humana, faremos bem em considerar esta receita inspirada para um ano verdadeiramente feliz: "Tendes o coração dividido? Dai-o inteiramente ao Senhor agora. Tomai para a vossa vida a história do Amor ao Próximo inteiramente diferente da que foi o ano passado." - Ibid, pág. 521.
Assim nossa alegria será completa!


Robert Pierson, "antigo Presidente da Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia (Links 3I), já falecido. Este texto correspondia a 1 de Janeiro do ano de 1975 para o qual preparou as Meditações Matinais."



terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O BEM E O MAL TAMBÉM SE APRENDE.
                                                      Até na Quadra de Natal...


DIA  DE  NATAL














Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.


É dia de pensar nos outros - coitadinhos - nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal.

É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce, de violas e banjos,
entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes, a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.


De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)


Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.


Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra - louvado seja o Senhor! - o que nunca tinha pensado comprar.


Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.


Cada menino abre um olhinho na noite incerta
para ver se a aurora já está desperta.
De manhãzinha salta da cama,
corre à cozinha mesmo em pijama.


Ah!!!!!!!!!!!!

Na branda macieza da matutina luz
aguarda-o a surpresa do Menino Jesus.
Jesus, o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho de Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá fingiam
que caíam crivados de balas.


Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas alturas.


António Gedeão - Máquina de Fogo (1961), in Poesias Completas, 2ª ed., 1965


















O  NATAL  EM  QUE  FIQUEI  RICA

"Ser  pobre  e  satisfeito  é  ser  rico. E  bastante  rico!"
William Shakespeare

       Havia uma árvore naquele Natal. Não tão grande e frondosa como outras, mas estava pejada de enfeites e tesouros e resplandecia de luzes. Havia presentes, também. Alegremente embrulhados em papel vermelho ou verde, com etiquetas coloridas e fitas. Mas não tantos presentes como de costume. Eu já tinha reparado que a minha pilha de presentes era muito pequena.

       Nós não éramos pobres. Mas os tempos eram difíceis, os empregos escassos, o dinheiro à justa. A minha mãe e eu partilhávamos uma casa com a minha avó e com os meus tios. Naquele ano da Depressão, toda a gente espaçava refeições, levava sanduíches para o trabalho e ia a pé para poupar nos bilhetes de autocarro. Anos antes da Segunda Guerra Mundial, já vivíamos no dia-a-dia, como muitas outras famílias, o que então se iria ouvir como slogan: "Usa-o, aproveita-o ao máximo; faz com que funcione, ou passa sem ele."

       Havia poucas escolhas. Compreendia pois porque era tão pequeno o meu monte de presentes. Compreendia, mas sentia, ainda assim, uma ponta de pesar à mistura com um complexo de culpa. Sabia que não poderia haver surpresas empolgantes naquelas poucas caixas vistosamente embrulhadas. E sabia que uma delas tinha um livro. A minha mãe arranjava sempre um livro para mim. Mas nada de vestidos novos, camisolas ou um roupão acolchoado e quentinho. Nenhum dos miminhos tão desejados na altura do Natal…

       Havia uma caixa com o meu nome da parte da minha avó. Guardei-a para o fim. Talvez fosse uma camisola nova, talvez um vestido — um vestido azul. A minha avó e eu gostávamos ambas de lindos vestidos e de todas as tonalidades de azul. Soltando os devidos "Ohs!" e "Ahs!" ao ver a aromática barra de sabonete feito de mel, as luvas vermelhas, o já esperado livro (um novo da Nancy Drew!), rapidamente cheguei àquele último embrulho. Dei por mim a sentir uma centelha do entusiasmo do Natal… Era uma caixa bastante grande. Com vergonha de mim mesma por ser tão gananciosa, por esperar receber um vestido ou uma camisola (mas esperando na mesma!), abri a caixa.

       Meias! Só meias! Soquetes, meias altas, até mesmo um par daquelas meias horrorosas de algodão branco que estavam sempre a escorregar e se enrodilhavam em volta dos joelhos.

       Esperando que ninguém tivesse dado conta do desapontamento, peguei num dos quatro pares e agradeci à minha avó, com um grande sorriso. Ela também sorria. Não com o seu sorriso educado e distraído de "Sim, querida", mas com o seu sorriso feliz e radiante, de "Isto são coisas importantes para uma mulher!" Será que me esquecera de alguma coisa? Olhei de novo para a caixa no chão — nada, a não ser as meias. Só que agora eu conseguia ver que havia outro par por debaixo do que eu tinha pegado. Duas camadas de meias. E mais uma! Três camadas de meias!

       A sorrir de verdade, comecei a retirá-las da caixa. Meias cor-de-rosa, meias brancas, meias verdes, meias de todos os tons inimagináveis de azul. Toda a gente estava a olhar, rindo comigo, enquanto eu atirava as meias ao ar e as contava. Doze pares de meias!

       Levantei-me e dei um abraço tão apertado à minha avó que até nos doeu às duas. "Feliz Natal, menina Joan!" disse ela. "Agora, todos os dias, terás muitas escolhas a fazer. Estás rica, minha querida!" E era verdade. Naquele Natal e durante todo o ano, todas as manhãs, eu escolhia do meu elegante armário da roupa interior qual o par de meias a usar. E sentia-me rica. E ainda sinto!

       Mais tarde, a minha mãe disse-me que a minha avó tinha andado a esconder aquelas meias durante quase um ano — poupando todas as moedinhas, comprando um par de cada vez. Um dia, tendo visto um lindo par de meias azuis com as beiras elásticas bordadas à mão, ela pedira mesmo ao compreensivo vendedor para deixar um sinal a reservá-las durante três semanas.


Dentro daquela caixa estava embrulhado um ano de amor.
Foi um Natal que eu nunca esquecerei.
A prenda da minha avó mostrou-me como as pequenas coisas podem ser importantes.
E como o amor nos faz a todos imensamente ricos!

Joan Cinelli


Jack Canfield & Mark Victor Hansen
Chicken Soup for the Soul – Christmas Cheer
Chicken Soup for the Soul Publishing, LLC, 2008
(Tradução e adaptação)

_____________________________________________________

Caros leitores,

O Projecto intitulado Clube de Contadores de Histórias, nascido em 2006 na Escola Secundária Daniel Faria – Baltar, tem vindo, ao longo dos anos, a difundir-se de uma forma significativa, não só em Portugal, mas também no Brasil e nos países africanos de língua portuguesa. No sentido de assegurar a continuidade do referido clube, foi constituída uma equipa pedagógica, formada por professores de vários grupos disciplinares e provenientes de diversos estabelecimentos de ensino, que tomarão a seu cargo a selecção, preparação e envio de uma história semanal por correio electrónico, tal como habitualmente tem vindo a ser feito.

Esperando que o projecto continue a merecer a melhor atenção por parte do público leitor, despede-se com os melhores cumprimentos,

A Equipa Coordenadora do Clube das Histórias

ac@contadoresdehistorias.com





ENTÃO É NATAL
(tradução brasileira)

Então é Natal, e o que você fez? O ano termina, e nasce outra vez.
Então é Natal, a Festa Cristã do velho e do novo, do amor como um todo.
Então bom Natal, e um Ano Novo também, que seja feliz quem
souber o que é o bem.

Então é Natal, p'ro enfermo e p'ro são, p'ro rico e p'ro pobre, num só coração.
Então bom Natal, p'ro branco e p'ro negro, amarelo e vermelho, p'ra paz afinal.
Então bom Natal, e um Ano Novo também, que seja feliz quem
souber o que é o bem.






AFINAL  QUEM  É  O  ANIVERSARIANTE?...




Neste Natal ofereço a quem me visitar um atractivo Presente: o filme MÃOS TALENTOSAS - Ben Carson, a história de um dos maiores neuro-cirurgiões da actualidade a trabalhar nos EUA (Links 9I).
E podem ouvir mais alguns belos Cânticos de Natal nos Links N-10.


DESEJO A TODOS UM NATAL FELIZ E CHEIO DE AMOR,
COM JESUS! E. E.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

DIA DE ACÇÃO DE GRAÇAS




       O Dia de Acção de Graças (Thanksgiving Day) é uma das mais importantes celebrações do povo norte-americano. Celebra-se na 4ª quinta-feira de Novembro e tem um sentido profundamente religioso.

       Durante as sublevações religiosas dos séculos XVI e XVII, um grupo de homens e mulheres, chamados Puritanos, tentou reformar a Igreja de lnglaterra, a partir do interior. Na essência, pediam uma mais completa protestantização da igreja nacional e defendiam formas mais simples de adoração e fé. É evidente que as ideias reformistas dos Puritanos, ao destruirem a unidade da igreja-estado, ameaçavam dividir o povo e diminuir a autoridade real. Assim, durante o reinado de James I, um pequeno grupo de Separatistas, convencidos de que nunca seria possível reformar a igreja nacional estabelecida, partiu para Leyden, na Holanda. Aí, procuraram viver de acordo com a sua consciência. Mais tarde, alguns membros desta comunidade, que ficaram conhecidos como os 'Pais Peregrinos', decidiram emigrar para o "Novo Mundo" em busca de liberdade religiosa.

       A viagem acidentada para os 102 corajosos passageiros, a bordo do Mayflower, durou de 6 de Setembro a 21 de Dezembro de 1620, através das águas agitadas e dos ventos ciclónicos do Atlântico. Desembarcaram na América do Norte e fundaram a colónia de New Plymouth, mais tarde denominada Nova Inglaterra. O primeiro Inverno foi muito penoso, mas os Índios ensinaram os 'Pais Peregrinos' a plantar cereais, a caçar e a pescar. Quando chegou o Outono, os Peregrinos tinham conseguido uma grande colheita. Estavam agradecidos. Então, fizeram uma festa para dar graças a Deus e convidaram os Índios. Esta foi a 1ª festa de Acção de Graças, que passou a repetir-se todos os anos. Até que, em 1863, o presidente Abraham Lincoln declarou o Dia de Acção de Graças feriado nacional. Ainda hoje, as famílias reúnem-se para um jantar especial com perú recheado, batata-doce e tarte de abóbora.


       Todos os dias deveriam ser 'Dia de Gratidão' ou 'Acção de Graças' pelas inúmeras bênçãos recebidas ao longo do ano. Porque, como diz Dorothy O'Neill: "O coração agradecido é o melhor antídoto para a depressão e o desânimo." Porém, não menos importante é poder viver em liberdade de consciência para adorar a Deus, de acordo com a Revelação que Ele inspirou - a Bíblia Sagrada.

Ezequiel Quintino in Pensar Faz Bem





ACÇÃO DE GRAÇAS

       Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em Mim. Na casa de Meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, Eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando Eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para Mim mesmo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. João 14:1-3

       Talvez você já esteja a ouvir alguma coisa sobre este assunto há algumas semanas ou meses em vários jornais e nos comerciais da televisão. Ele é um tópico de muitas conversas entre amigos, familiares e colegas de trabalho.
       Nós americanos, planejamos fazer grandes coisas nesta ocasião especial. Para alguns, significa uma longa viagem para a outra extremidade do país, com crianças irritadas, poucas paragens para descanso, voos atrasados, tempestades de neve, inundações, tornados e falta de sono. Para outros, significa apenas um curto passeio para o outro lado da cidade. Outros, ainda, nunca saem de casa.
       No passado, uma saída de trenó sobre o rio congelado e ir pelos bosques era tudo o que se esperava fazer.

       Você adivinhou, não foi? Pelo último comentário acerca do trenó e dos bosques? Eu bem que gostaria de andar nesse meio de transporte, se a casa da minha avó não ficasse tão longe. Hoje é um pouco diferente, não é verdade? Pergunte a quem quiser, e verá que reunir-se com a família no feriado de Acção de Graças é um grande evento! Por que fazemos isso? O que nos leva a deixar todas as outras actividades de lado? O que queremos ver? O que há de especial?
       Preciso admiti-lo: algumas pessoas viajam por obrigação, outras por lealdade, algumas por causa da tradição e outras são forçadas a isso, mas gosto de pensar que a maioria viaja por amor - o Amor incondicional que uma família pode oferecer.
       No feriado de Acção de Graças, muitas diferenças são postas de lado e recordamos os tempos felizes. Contamos histórias uns aos outros, rimos, brincamos e comemos. Banqueteamo-nos, não só com o alimento, mas com a abundância de amor que permeia a sala de jantar. Deleitamo-nos com a cálida aceitação e a sensação de segurança por nos sentirmos parte daquele grupo. E sentimos falta dos que fazem parte do nosso círculo familiar, mas estão ausentes. O divórcio, a distância e a morte têm o seu triste jeito de nos separar. Conservamos no coração, entretanto, a lembrança daquilo que os ausentes já partilharam connosco.

       Deus fez as famílias para que se amassem, assim como Ele nos ama - incondicionalmente. Deseja que nos envolvamos uns com os outros, oremos uns pelos outros e cuidemos uns dos outros da mesma forma como Ele o faz por nós.
       Um dia Deus nos servirá um grande banquete numa mesa que terá quilómetros de extensão. Ele está preparando um lar, uma mansão para cada um de nós. Um lar cheio de paz e harmonia - para sempre. Quando Jesus vier a fim de levar-nos para o Lar, estaremos viajando por amor. O Amor do Pai, concedido ao Filho e derramado na cruz por todos nós.


       A minha oração é que cada um de nós se prepare agora para a volta de Jesus. Ela promete ser a Maior Festa de Acção de Graças que já aconteceu!

Darlyn Townsend in Meditação da Mulher - Do Fundo do Coração


DAI GRAÇAS

Dai graças, de todo coração; Agradecei, ao único Santo
Agradeça, porque Ele nos deu Seu Filho, Jesus Cristo.

Agora diga o fraco: "Eu sou forte"; Diga o pobre: "Eu sou rico"
Por que assim fez o Senhor por nós.




"A primeira ACÇÃO DE GRAÇAS em Plymouth, por Jennie
A. Brownscombe (1914)"

llllllllllllllllllllllllllll

PROCLAMANDO A GRAÇA DE DEUS

(Atlanta-Parade-59th General Conference of Seventh-Day Adventist-2010)


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

E QUE TAL:
"DIA NACIONAL PARA A ERRADICAÇÃO DO ALCOOLISMO"?


EDITORIAL

       É um facto cultural irrefutável: somos um país de gente que gosta da pinga. Dito assim, de uma forma um tanto brejeira, a frase adquire um tom de anedota que assenta que nem uma luva na figura não menos caricata do Zé Povinho, criada em 1875 por Rafael Bordalo Pinheiro. O 'boneco' boquiaberto, intrigado, de chapéu braguês, com fato coçado e roto, tem mais de 100 anos mas mantém uma actualidade impressionante, continuando a satirizar uma certa mentalidade vigente no nosso povo.
       Falo do tradicional fatalismo acomodado que nos caracteriza, no individualismo desconfiado que nos obriga a olhar para os novos valores com alguma suspeição, no apego às velhas tradições que sempre nos impeliu a fazer um manguito ao que é imposto ou sugerido. Somos um país de teimosos. Pois só a teimosia justifica que mantenhamos certos hábitos, embora a evidência nos indique que deveríamos mudar de rumo. E volto ao início, ao "gosto pela pinga", que é exactamente o mesmo que dizer "o excessivo e irresponsável gosto pelo álcool".
       Só a teimosia nos cega ao ponto de não vermos os números com olhos de ver. Em Portugal existem 800 mil alcoólicos. Cada português consome, em média por ano, 50 litros de vinho, 61 de cerveja e 7 litros de bebidas destiladas. E se quisermos estruturar os números por faixa etária, sabe-se hoje que, ao nível da Europa, um quarto dos jovens entre os 15 e 29 anos morre em acidentes de viação motivados pelo excesso de álcool. É demasiada gente envolvida para que possamos fechar os olhos a esta realidade. E não basta criar legislação proibicionista e aumentar a fiscalização. De nada serve argumentar que a idade mínima permitida para o consumo de álcool deveria ser 18 anos. Que a taxa de alcoolémia deveria ser mais baixa. Que o aumento do preço de algumas bebidas como a cerveja e a redução do horário nocturno de bares e discotecas, poderiam resolver a questão. Não me parece que seja pela lei que consigamos mudar mentalidades. São séculos e séculos de um hábito socialmente aceite e até incentivado. Não se alteram comportamentos de um dia para o outro.
       Por esta altura, certamente farto de ser doutrinado, poderá atirar a grande questão: "E se em vez de constatar e criticar, passasse às soluções?" Bela sugestão. Mas não tenho respostas. Desconheço as técnicas que possam levar a mudança de comportamentos massificados. Assumo que faço parte do grosso do povo que ainda tem os tiques do Zé Povinho, aquele que aponta o dedo, que olha de lado, mas que pouco ou nada faz.
       Não bebo. Porque não gosto do sabor que o álcool me deixa na boca e do peso que me exerce na cabeça. Talvez por isso não entenda as motivações de quem procura afogar numa garrafa os imbróglios do dia-a-dia. Mas não pretendo ser juíza de causa alheia nem tenho a veleidade de me colocar em bicos dos pés e servir de exemplo a quem quer que seja. Sem presunção, e porque a época festiva está à porta e os excessos fazem sempre estragos, só quis falar de números. 800 mil portugueses. É muita gente.
       As estatísticas sempre me cansaram. Têm a desvantagem de serem frias, desprovidas de rostos. Aposto que pensa o mesmo. Mas faça um exercício mental. Imagine que uma só pessoa desse rol de quase um milhão é um familiar seu. Pai, filho, irmão. Agora pense nas consequências nefastas que o álcool pode acarretar na vida dessa pessoa e na vida daquelas que a rodeiam. Inclua-se a si próprio e verá que os números passarão logo a ter outro significado.

Maria Assunção Oliveira, Médica, Chefe de Redacção da SEMANA MÉDICA, 02 a 08/12/2004.

A VIDEIRA

       Existem no mundo cerca de 3000 espécies cultivadas de videira, que produzem um dos frutos mais medicinais que se conhecem. Todas as civilizações antigas da região mediterrânica conheciam a videira e utilizavam-na amplamente.
       Tanto o fruto como as folhas e a seiva desta nobre planta possuem abundantes propriedades medicinais e constituem um excelente alimento-medicamento natural, inteiramente isento de toxicidade. Não podemos dizer o mesmo do vinho, produto da degradação e decomposiçãoo do sumo de uva, em cujo processo de transformação perde as suas notáveis propriedades medicinais e se torna numa droga líquida com capacidade para intoxicar, alterar a conduta e provocar dependência.

       O sumo de uva é rico em substâncias de elevado valor biológico: açúcares de grande valor nutritivo, proteínas, vitaminas e minerais. O vinho, pelo contrário, perde a maior parte dos açúcares, que se transformam em álcool durante a fermentação, assim como as proteínas e vitaminas. O sumo de uva é alimento e remédio. O vinho, que nada mais é do que o produto da sua decomposição, é destituído de substâncias alimentícias. Pelo seu conteúdo em álcool torna-se irritante para os órgãos digestivos, e em especial para o fígado, mesmo em pequenas quantidades.
       Tenha-se em conta que o álcool etílico contido no vinho (de 60 a 120g por litro) é um poderoso veneno para o organismo. Quando o sangue contém 1 grama de álcool por litro, já se verificam sintomas de intoxicação etílica (euforia, falta de domínio mental, perda de reflexos). Um nível de 4-5g por litro de sangue provoca a morte por coma e paragem respiratória. Os valores máximos de alcoolémia (concentração de álcool no sangue) permitidos nos países ocidentais para os condutores oscilam entre 0,2 e O,8g por litro de sangue.
       Pondo de parte os elogios de poetas e gourmets, a única propriedade medicinal do VINHO, realmente reconhecida e comprovada, é a antisséptica, quando se aplica externamente sobre as feridas, devido ao álcool que contém. Como tal se usou na antiguidade, e foi recomendado por Dioscórides. É este o emprego que se lhe dá na parábola do Bom Samaritano. Os antigos mitos de que o vinho "faz sangue", ou de que o vinho é bom "para o coração", foram completamente desmentidos pelo progresso científico, como aconteceu com outras plantas e tratamentos antigos.
Sabemos hoje que o consumo habitual de bebidas alcoó1icas produz anemia megaloblástica e miocardiopatia (degenerescência do músculo do coração).
       "O vinho, tomo-o nos cachos", dizia Louis Pasteur, o grande cientista francês do século XIX. As propriedades medicinais estão na uva e nas folhas da videira, como a Natureza no-las oferece, e não no vinho. ... O melhor vinho, o autêntico vinho, é o sumo puro do fruto da videira.

Jorge Pamplona, Médico de Gastroenterologia e Cirurgia, extraído de A Saúde pela Alimentação, Enciclopédia de Educação e Saúde


EDITORIAL

       Quando um atleta do nosso país alcança um lugar de destaque numa prova desportiva, em despique com atletas de outras nacionalidades, o nosso coração de patriotas vibra de orgulho como se nós próprios tivéssemos ganho alguma coisa. Como nos havemos então de sentir ao constatar que, para grande vergonha nossa, ocupamos na Europa e no Mundo um dos lugares mais negativos que poderíamos ocupar?
       Portugal tem o preocupante 1º lugar no consumo de álcool puro, com o valor de 11 litros per capita e por ano.
Existem em Portugal 800.000 alcoólicos crónicos e mais de 1.500.000 bebedores excessivos, estando afectado um quarto da nossa população. O nosso também triste 1º lugar em acidentes de viação reflecte bem essa situação. Que faz o Estado e a sociedade em geral para combater este terrível flagelo? Perante a enormidade do problema somos tentados a afirmar que se faz pouco mais que nada, sobretudo na prevenção junto aos mais jovens. A incoerência da nossa sociedade, como um todo, em relação a este flagelo é grande. Resta-nos a consolação da admirável saga dos Alcoólicos Anónimos (ver Links 3I) em remendar os 'cacos' de tantas vidas desperdiçadas.
       Sendo, embora, Portugal e, para grande tristeza nossa também, o país da Europa com mais toxicodependentes (de drogas ilícitas) por milhão de habitantes (40 a 150 mil), esse terrível número, mesmo assim, não tem comparação com o número citado de alcoólicos crónicos e aqueles que estão em vias de ser. No entanto, as iniciativas contra a toxicodependência estão (e bem) na primeira linha de preocupações de todos e fazem as manchetes dos jornais, enquanto não se fala no 1º dos nossos vícios nacionais. Como recentemente lamentou o psiquiatra Cabral Fernandes, especialista em alcoolismo, "enquanto se vê aumentar a capacidade de resposta para tratar toxicodependentes, para tratar o problema gravíssimo do álcool não existem estruturas".
       Por outro lado, a SIDA (de que tanto falamos) representa a 57ª causa de morte no nosso país, enquanto o alcolismo se situa no 4º lugar. É certamente importante combater as drogas, que a sociedade considera ilícitas, bem como as suas consequências como a SIDA, a criminalidade e o tráfico que lhes estão associados. Mas porque não se combate do mesma forma o álcool?
       A palavra álcool vem do árabe (al-kohol) significando uma coisa "subtil", ou "enganosa", como lhe chama a Bíblia. Karl Marx chamou-lhe até, "o ópio do povo". Porque se consome, então, o álcool? Ele é realmente enganador e essa sua característica tem-no tornado culturalmente importante para o homem quase desde que existe sobre a Terra. O escritor francês Victor Hugo afirmou na sua obra Les Contemplations: "Deus só criou a água, mas o homem fez o vinho".
       Na realidade, a água, que compõe cerca de 70% do corpo humano, é a única bebida indispensável e necessária à nossa vida.
O álcool, que entra na composição de tantas bebidas, é perfeitamente enganador nos seus efeitos: não alimenta, finge que aquece, não dá verdadeiras forças, nem sequer é preventivo das doenças cardíacas (virtude que parece existir, na realidade, nos taninos da uva). Pelo contrário, a toxicodependência que provoca, as doenças que desencadeia, a desagregação social que motiva e os crimes que inspira transformam-no no primeiro inimigo da nossa sociedade.
       Será a luta contra o alcoolismo uma batalha perdida? É certamente uma batalha muito difícil porque terá de se lutar contra uma cultura vínica, de séculos, que fez o país que somos. No entanto, a Saúde e Lar, com as suas responsabilidades de quase 60 anos de publicação em prol da saúde e bem estar dos portugueses, não poderia deixar de contribuir, mais uma vez, para essa luta.
       Este número pretende ser, por isso, uma pedrada no charco da nossa inércia e incoerência nacional. Esperamos que ele ajude a elucidar os nossos Estimados Leitores quanto aos perigos da ingestão das bebidas alcoólicas, em que o mais seguro é, sempre, a Tolerância Zero e que ajude muitos jovens a escolher uma vida saudável, sem álcool. Os jovens são, aliás, a esperança que nos resta.
Com amizade,

Samuel Ribeiro, Médico Pediatra na Grande Lisboa in Saúde e Lar, Dossier Álcool, Novembro 2000, Publicadora SerVir.

I Believe In You - Acredito em Ti


Cântico dedicado, especialmente, à minha querida amiga Elsa Martins (2º nome alterado), que num acto de grande Força de Vontade e de Amor pela sua família e por si mesma, deixou completamente o álcool. E de um dia para o outro!!!
Substituiu-o por muita actividade que procura desenvolver ao longo de cada dia. Já lá vão uns meses... e tudo o comprova.

Parabéns Elsa! Não Volte Atrás. Continue no Caminho da Vitória! Tem Deus Também Por Si!

Acredito, Acredito, Acredito...!
QUEM QUISER MESMO - SERÁ CAPAZ! (E. E.)


(Leia também em Leituras Para a Vida, 14.11.12 - Links 1R)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Sobre o Sofrimento... E Sobre a Alma...



O PROBLEMA DO SOFRIMENTO

É inegável que, como nos ensina a experiência e a observação quotidiana da vida, o sofrimento atinge todos os filhos de Adão, quer sejam bons quer maus.
Em presença desta realidade, nada mais natural do que a pergunta: De onde vem o sofrimento? Quem é o seu causador: Deus, Satánas, os outros, nós mesmos?
A resposta não é simples, dada a multiplicidade de fatores intervenientes.

É evidente que muitos dos nossos sofrimentos são causados por nós próprios, pela nossa maneira incorreta de viver. Nesta categoria entram as doenças resultantes de uma alimentação irracional, do uso de bebidas alcoólicas, da dependência em relação às drogas, da imoralidade sexual, do excesso de trabalho e da falta de repouso, de pensamentos, atos e hábitos errados... e a lista podia ser estendida quase sem limite.
Mas nem todos os sofrimentos são consequência dos nossos próprios erros. Por vezes, é o próximo que nos faz sofrer. Que o digam as inumeras vítimas de guerras, roubos, agressões e violações, de intolerância política, social e religiosa... e, também nesta categoria de causas, a lista seria interminável.
Examinando, porém, mais de perto, as causas do sofrimento, constatamos que nem todas elas radicam em nós ou no nosso próximo. Alguns tipos de sofrimento podem ter, próxima ou remotamente, uma origem sobrenatural. E é aqui que se torna necessário o recurso à Bíblia Sagrada, documento fidedigno de revelação divina.

Na Bíblia somos informados acerca de um poderoso ser, Satanás, que se rebelou contra Deus e que usurpou ao homem o domínio deste Planeta. Na expressão de Jesus, ele tornou-se, por usurpação, o "príncipe deste mundo" (João 12:31; 14:30; 16:11). O apóstolo Paulo designa-o como sendo "o deus deste século" (II Coríntios 4:4). No dizer do apóstolo João, "todo o mundo está no maligno" (I João 5:19). Não admira, pois, que grande parte do sofrimento humano seja causado por Satanás e seja consequência do seu governo abusivo em contravenção das normas perfeitas do governo e da lei de Deus.
Na Sagrada Escritura há um livro que se ocupa precisamente do problema do sofrimento - o livro de Job. Nos capítulos 1 e 2, vemos este homem justo atingido pelas maiores calamidades, causadas por Satanás, mas permitidas por Deus em resposta à acusação satânica de que Job servia o Senhor por interesse egoísta. A fé de Job não foi, porém, dececionada. Ele permaneceu fiel no meio de todas as aflições. E o livro termina com a afirmação de que, provada a falsidade da acusação de Satanás, "abençoou o Senhor o último estado de Job, mais do que o primeiro" (Job 42:12).
Satanás encontra-se ainda na origem de muitos sofrimentos por ele causados contra os que lhe são arrebatados e passam a reconhecer a soberania de Deus e a aceitar Jesus como seu Redentor e Salvador. "Se o mundo vos aborrece", disse o divino Mestre, "sabei que, primeiro do que a vós, Me aborreceu a Mim. Se vós fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas, porque não sois do mundo, antes Eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos aborrece. Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu senhor. Se a Mim Me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a Minha palavra, também guardarão a vossa. Mas tudo isto vos farão por causa do Meu nome; porque não conhecem Aquele que me enviou" (João 15:18-21). E, no livro de Apocalipse, somos advertidos: "O diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo" (Apocalipse 12:12).
Mas não Se encontrará o próprio Deus na origem de alguns dos nossos sofrimentos? Talvez dois textos lancem um pouco de luz sobre este problema. Quando, perante um cego de nascença, os discípulos perguntaram ao Mestre: "Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?", Jesus respondeu: "Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus" (João 9:1-3). O segundo texto refere-se à experiência do apóstolo Paulo, que havia sido objeto de tão maravilhosas manifestações da graça divina: "E, para que não me exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de me não exaltar" (II Coríntios 12:7).

Vemos, pois, que o sofrimento pode ser causado por nós mesmos e pelo nosso próximo, acima de tudo por Satanás, e que, seja qual for a sua causa, Deus pode utilizá-lo para o nosso bem. Como escreveu o apóstolo Paulo, "sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus" (Romanos 8:29).
É verdade que todos passamos pelo sofrimento, mas há uma diferença básica na maneira de o enfrentar: aquele que não é crente sofre e é vencido pelo sofrimento; aquele que é crente sofre e vence o sofrimento.

Ernesto Ferreira, Professor de Teologia e Pastor, Redactor, Editor e Presidente da Igreja Adventista do 7º Dia, in Revista Sinais dos Tempos, 3º Trimestre de 2012, Editorial.


A VERDADE CRISTÃ
"Uma crescente percentagem da população atual sofre de um autêntico vazio existencial, ignorando as raízes do seu passado, profunda razão de ser da sua vida presente e que perspetivas lhe reserva o seu futuro.
A tentativa de preenchimento neste vazio está representada na ampla variedade de religiões e diferenciados segmentos que têm surgido ao longo dos séculos. Tal variedade é uma prova evidente de que a solução definitiva transcende as tentativas de origem puramente humana.
É neste contexto que surge a figura de Jesus Cristo e da Verdade Cristã como solução divina para a tragédia humana. Daí a razão de ser de A Verdade Cristã à Luz da Razão, da Revelação Divina e da Tradição." Texto da contra-capa.

Este livro acima apresentado, com 288 páginas, foi escrito por Ernesto Ferreira, que diz no seu Preâmbulo: "...tenho presentemente noventa e oito anos anos de idade, com a capacidade de visão extremamente diminuída, e confinado a um lar para pessoas idosas". Impressionante! Que força de vontade! Um homem de grande sabedoria e profundos conhecimentos mas muito simples e muito humano. Sempre atento e disponível para as solicitações que lhe são feitas, seja por quem for.

(Procure adquirir o livro A Verdade Cristã na Publicadora Servir, Links 3I. Recomendo-o vivamente!)

Para além deste livro recente, escreveu outras obras importantes: O Senhor Vem; Edificados sobre a Rocha; Profecias Cronológicas na História da Salvação; A Alegria da Salvação e Arautos de Boas Novas.

O livro Arautos de Boas Novas com 790 páginas foi escrito também há poucos anos, 2009, e lemos na Nota dos Editores na pág. 12:
"A presente obra é editada pala União Portuguesa dos Adventistas do Sétimo Dia.
Ela é o resultado de anos de pesquisa profunda e redacção cuidada. Não teria sido possível sem a dedicação, o papel e a importância do seu autor na Igreja Adventista do Sétimo Dia em Portugal. Foi o seu conhecimento sobre o percurso da Igreja, enriquecido pela sua experiência como interveniente, que permitiu a perspectiva histórica aqui relatada.
Ao Pastor Ernesto Ferreira, o nosso reconhecimento por esta obra e a nossa gratidão por uma vida de serviço. UPASD".



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       A maior parte das religiões aceita que o ser humano tem uma alma imortal. O que dirá a Bíblia, fundamento da crença cristã, relativamente a esta ideia?

       Os antigos egípcios acreditavam que, depois da morte, o coração das pessoas era colocado num dos pratos de uma balança e pesado em relação a uma pena - a Pena de Ma'at. Só as pessoas cujo coração estivesse livre de culpa, ou seja, que fosse mais leve do que a pena, seriam agraciadas com a entrada na vida além da morte.
       Talvez esta lenda antiga tenha influenciado o Dr. Duncan MacDougall. Em 1907, este médico de Harville, Massachussets, conduziu uma série de experiências para determinar com exatidão o peso de uma alma. Quando considerava que a morte de um paciente estava iminente, colocava a cama do paciente numa balança industrial de precisão, com a qual se conseguia pesar cada grama.
Comparando o peso de seis pacientes imediatamente antes e após a morte, determinou que cada um tinha perdido 21 gramas. Como acreditava que a alma abandonava o corpo no momento da morte, concluiu que a alma deveria pesar... 21 gramas.
       É fácil compreender a razão pela qual tanta gente tem partilhado esta perspetiva sobre a alma há tanto tempo. A maioria de nós só vê pessoas em cadáver em funerais. E, nos funerais, ouvimos frequentemente as pessoas dizerem: "Ele (ou ela) parece ter um ar tão natural." Mas, como é óbvio, só o dizemos para conforto dos que perderam alguém querido, porque, de facto qualquer pessoa que já tenha visto um cadáver sabe que é tudo menos natural. Falta-lhe alguma coisa, seja ela a alma ou qualquer outra.

       Ao analisar a composição de um ser humano, podemos catalogar cerca de uma dúzia de órgãos, duzentos ossos, seiscentos músculos, e inumeráveis nervos e vasos sanguíneos, todos organizados em 'sistemas', como o circulatório, o respiratório, e outros. Mas isso só enumera os diferentes componentes do corpo e as suas funções. Mesmo que todos os ossos e músculos estejam presentes num cadáver, a pessoa não se encontra nele.
       Sabemos, mesmo que intuitivamente, que cada um de nós é mais do que uma coleção de músculos e ossos, órgãos e enzimas, memórias e capacidades. Esse 'mais' é aquilo que normalmente pensamos ser a 'alma'.

       Desde há milhares de anos, pessoas de diferentes tradições religiosas olharam para a alma como uma entidade separada e consciente, que habita o corpo. Muitas dessas tradições veem a alma como imaterial, isto é, algo que não consiste em matéria, pelo que não tem massa nem peso - nem mesmo 21 gramas. Estas tradições veem o corpo como transitório, enquanto a alma é eterna, imortal. Talvez isso aconteça porque, quando uma pessoa morre, o feio processo de decomposição que toma conta de um corpo nos repugna, enquanto as carinhosas memórias da pessoa defunta nos fazem desejar que continue a viver.
       Psicologicamente, é apelativo fazer a distinção entre uma alma ou um espírito transcendente e um corpo material e temporal. As diferentes culturas expressaram esta perspetiva de diferentes maneiras. Hindus, Budistas e outras culturas orientais desvalorizam a parte física da natureza humana, talvez porque o corpo seja uma fonte de sofrimento. Para os crentes destas religiões, o propósito de viver uma boa vida é escapar ao corpo e ao sofrimento físico.
       Embora existam diferenças quanto às perspetivas das religiões orientais e do Cristianismo sobre a alma, a maioria dos cristãos adota o seu conceito básico. Olham para a alma como uma entidade imaterial, que habita o corpo durante a sua vida e que, no momento da morte, o abandona, para continuar uma existência num outro lugar - nomeadamente entendido como sendo o Céu ou o inferno.

       A Bíblia, tanto o Antigo como o Novo Testamento, oferece uma alternativa radical para esta suposta natureza dual, entre corpo e alma. A perspetiva bíblica começa com a história da Criação, no livro de Génesis: "E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em seus narizes o fôlego da vida: e o homem foi feito alma vivente" (Génesis 2:7).
Examinemos em detalhe o conteúdo deste texto.

DEUS FORMOU O HOMEM DO PÓ DA TERRA

       O livro de Génesis apresenta Deus pessoalmente envolvido em 'formar' os primeiros seres humanos, como um escultor a produzir uma obra de arte. Para a Sua escultura, Deus utilizou o mais elementar de todos os elementos - a terra, o pó e a lama do próprio solo.
Ao chamar Adão, que significa 'vermelho', ao primeiro ser humano, Deus tornou clara a ligação entre a vida e a matéria, a terra física. No Velho Testamento, o nome de uma pessoa descrevia o seu caráter. Então, ao dar o nome de 'vermelho', a cor do barro, ao primeiro ser humano que criou, Deus literalmente ligou a humanidade à terra, como alguém que vem da terra.

       Ainda mais surpreendente é o facto de o relato de Génesis apresentar Deus a usar as próprias mãos para moldar o ser humano a partir do barro. Em Génesis 1:26, 27, descobrimos que este primeiro ser humano era, num dado sentido, o autorretrato de Deus, pois as Escrituras apresentam-no como tendo sido feito "à Sua imagem". É fantástico pensar que o Criador de todas as coisas tenha dignado a Sua escultura bárrea com o privilégio de lhe emprestar a Sua imagem. Mas seguem-se outras maravilhas.

DEUS SOPROU EM SEUS NARIZES O FÔLEGO DA VIDA

       Quando um socorrista aplica a técnica da respiração artificial, 'respirando' por uma vítima de um acidente, diz-se com frequência que está a dar-lhe 'o beijo da vida'. Qualquer pessoa que tenha estudado Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP), e principalmente alguém que já a tenha aplicado, reconhecerá a razão de ser desta expressão. É este preciso ato, este contacto íntimo, que Génesis sugere. Deus criou-nos à Sua semelhança - que honra espantosa! - e, então, a Fonte de toda a vida soprou essa vida na Sua obra de arte.

       Somente nesse momento, diz-nos o texto, o homem se tornou num ser vivente, ou, como algumas tradições indicam, numa alma vivente. Assim, a Bíblia não descreve a alma como distinta ou separada do corpo. Pelo contrário, pelo relato de Génesis, a Bíblia celebra a união do físico com o espiritual, olhando para o ser humano holística, plena e completamente, e não como uma reunião de diversas partes. A narrativa da Criação apresenta esta combinação, não como um juntar forçado de componentes hostis, mas como uma união feliz entre elementos complementares. Em Génesis, o corpo e a alma são um. Deus não deu a Adão uma alma. Ele deu vida a Adão e ele tornou-se numa alma, numa alma vivente.

UM EXEMPLO

       Estou a escrever este artigo num instrumento a que chamamos computador. Um computador que funcione consiste em três componentes. Em primeiro lugar está o hardware, o equipamento físico - o próprio computador, o monitor e o teclado. Depois, temos o software - uma série de instruções que são instaladas no computador, para que ele possa cumprir as suas funções. Finalmente, precisamos de eletricidade. Se subtraírmos um destes três componentes, o computador 'morre', torna-se inoperacional, deixa de existir para o seu propósito. É como se nunca tivesse sido um computador.
       O mesmo acontece connosco, seres humanos. O nosso corpo físico é como o nosso 'hardware'. O nosso cérebro é preenchido com o 'software' - instintos, memórias, sentimentos e conhecimentos, que nos tornam quem somos. Finalmente, Deus dá-nos vida, a 'corrente elétrica', se assim colocarmos o termo. Se for removido algum destes componentes, deixamos de funcionar, deixamos de existir.

       Sem eletricidade, a memória, as instruções e os dados do computador desaparecem. Da mesma forma, quando o corpo morre, o nosso cérebro pára de funcionar. As memórias, o conhecimento e a informação que nos fazem quem somos, desaparecem. Não existe uma alma consciente e autónoma, do mesmo modo que um computador não tem uma existência 'inteligente' para além da eletricidade que lhe dá energia.
       A Bíblia afirma a visão de que a consciência termina com a morte. Ela declara: "Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem, tão-pouco, eles têm jamais recompensa, mas a sua memória ficou entregue ao esquecimento. Até o seu amor, o seu ódio e a sua inveja já pereceram, e já não têm parte alguma neste século, em coisa alguma do que se faz debaixo do Sol" (Eclesiastes 9:5 e 6).

       Para aqueles que se estão a interrogar sobre os 21 gramas das conclusões do Dr. MacDougall e do peso da Pena de Ma'at, aqui fica uma reflexão. Os hieróglifos egípcios apresentavam sempre Ma'at com uma pena de avestruz na mão - a qual, dizem-nos os ornitólogos, pesa pouco mais de seis gramas. Por outras palavras, por curiosidade, os 21 gramas da 'alma' de MacDougall pesariam cerca de 3,5 vezes o peso da pena de Ma'at. O que significa que impossibilitaria que qualquer alma entrasse na vida após a morte!

       Mas não temos de preocupar-nos.
       Deus não olha para nós como registos imateriais de boas e más ações, nem nos menospreza pelo facto de sermos seres corpóreos. Ele idealizou-nos dessa forma. De facto, no seu evangelho, João diz-nos que "a Palavra Se fez carne", que o próprio Filho de Deus Se tornou miraculosamente num ser material e físico, para demonstrar o amor de Deus por nós.
A Bíblia afirma repetidamente o privilégio de se ser uma alma vivente, uma pessoa. Pois, ser-se humano, uma alma vivente, é ser-se objeto do amor de Deus, recebendo a oportunidade de usufruir de uma relação íntima com Aquele que nos criou.


Texto de Ed Dickerson e imagem acima retirados da Revista já mencionada.


(Leia mais em Leituras para a Vida, 02.12.2012, Links 1R)